A Corte Especial do Superior
Tribunal de Justiça (STJ) recebeu, nesta quarta-feira (17), mais uma denúncia
do Ministério Público Federal (MPF) contra membros do Tribunal de Justiça da
Bahia (TJ-BA) alvos da Operação Faroeste, que investiga venda de sentenças para
benefício de grileiros de terras no Oeste do estado.
Por unanimidade, os ministros
que compõem o colegiado tornaram réus a desembargadora Maria do Socorro Barreto
Santiago e o ex-juiz Sérgio Humberto de Quadros Sampaio. Eles são acusados
de praticar os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Os magistrados receberam, ainda, denúncias
contra outras cinco pessoas envolvidas no esquema fraudulento, dentre elas, o casal
de empresários Adailton Maturino dos Santos, que se apresentava, falsamente,
como cônsul de Guiné-Bissau, e Geciane Souza Maturino dos Santos. Eles são apontados
pelo MPF como líderes da quadrilha.
Por causa dos novos elementos que
indicam a culpabilidade dos envolvidos, o STJ decidiu manter o afastamento da
desembargadora Maria do Socorro Santiago pelo prazo de um ano. Ela está fora do
cargo que ocupava no TJ-BA desde o dia 4 de dezembro de 2019.
Além disso, no mês de março de 2024,
a Corte também deliberou pela revogação da prisão domiciliar de Sérgio
Humberto. De acordo com o Bahia Notícias (BN), o réu já foi condenado, mais de
uma vez, pelo Pleno do TJ-BA, à pena de aposentadoria compulsória.
Em 2020, a Corte Especial do Superior
Tribunal de Justiça recebeu denúncia dando conta de que os investigados e mais
11 pessoas constituíam uma organização criminosa. Dada a complexidade do
esquema fraudulento, o Ministério Público Federal optou pela divisão da apuração
em várias frentes, gerando denúncias distintas.
Conforme Og Fernandes, ministro
relator da ação no STJ, os fatos apontados na denúncia do MPF são diferenets
daqueles tratados nos demais inquéritos e ações penais derivados da Operação
Faroeste.
O relator, diz o BN, detalhou que, pelo
menos de forma indiciária, o Ministério Público Federal comprovou a existência
de diversas movimentações financeiras entre as partes investigadas. Estas operações,
segundo a acusação, provariam os pagamentos realizados aos magistrados
suspeitos, em troca das decisões judiciais fraudulentas que proferiram.
Ainda conforme Og Fernandes, a
denúncia também aponta que os réus buscaram acobertar as transações financeiras
com o fracionamento de grandes quantias em pequenos valores. Isto para tentar escapar
do controle administrativo imposto às instituições financeiras. Conhecida como smurfing (estruturação, em português), a
prática é uma das técnicas mais utilizadas por lavadores de capital profissionais.
A análise da denúncia mostrou, de
acordo com o ministro relator, que os fatos apresentados pelo MPF não
constituem meras ilações, estando ancorados em elementos concretos que permitem
o prosseguimento da ação penal.
O ESQUEMA – Na nova denúncia, o MPF aponta fraude
na efetivação de duas escrituras de imóveis situados na região Oeste da Bahia,
mediante a compra das sentenças do juiz Sérgio Humberto Sampaio e da
desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago.
O Ministério Público Federal
constatou, no curso das investigações, que os pagamentos teriam sido realizados
por Adailton e Geciane Maturino, por meio de operações financeiras que
envolveram lavagem de dinheiro e o uso de "laranjas". A denúncia
aponta, ainda, que os valores dos repasses indevidos chegam à casa dos milhões
de reais.
Segundo o Bahia Notícias, as
defesas dos acusados alegaram inépcia da denúncia, isto é, argumentaram que a condição
da petição inicial não atende às exigências da lei; e, também, fragilidade dos
elementos levantados pelo MPF para demonstrar as condutas criminosas dos
investigados.