O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (4) que a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) seja incluída na Difusão Vermelha da Interpol — a lista internacional que reúne foragidos procurados em 196 países.
A solicitação foi feita após Zambelli anunciar, na véspera, que deixou o Brasil. A parlamentar foi condenada a dez anos de prisão pelo crime de invasão de dispositivo eletrônico. Segundo a acusação, ela teria contratado o hacker Walter Delgatti para invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e cadastrar um falso mandado de prisão contra o próprio ministro Alexandre de Moraes.
O pedido de inclusão na lista da Interpol foi encaminhado pela Polícia Federal, responsável pela representação da organização no Brasil, e ainda precisa passar pela validação da Diretoria de Cooperação Internacional do Ministério da Justiça.
Na decisão, Moraes também determinou que o país onde a deputada se encontra seja comunicado oficialmente para possibilitar o pedido de extradição.
Fontes ligadas à Interpol informaram que o pedido será analisado conforme os critérios da organização, levando em conta, por exemplo, possíveis alegações de perseguição política, étnica ou religiosa. No entanto, o fato de Zambelli ter mandato parlamentar e cidadania italiana não impede automaticamente sua inclusão na Difusão Vermelha.
A medida integra uma série de ações ordenadas por Moraes a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). Além da prisão preventiva, o ministro determinou o bloqueio do passaporte da deputada, o congelamento de valores a serem pagos pela Câmara dos Deputados e a suspensão de suas redes sociais, como Instagram, TikTok e Facebook.