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Justiça

STF dá início ao 2º dia de interrogatórios do núcleo 1 da trama golpista

10 de Junho de 2025 | 10h 05
STF dá início ao 2º dia de interrogatórios do núcleo 1 da trama golpista
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou, às 9h desta terça-feira (10), o segundo dia de interrogatórios dos réus do núcleo 1 da trama golpista ocorrida durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).

O primeiro depor é o ex-comandante da Marinha, o almirante Almir Garnier. De acordo com o inquérito da Polícia Federal (PF), o réu teria colocado suas tropas à disposição do ex-presidente para ações relativas a um golpe de Estado.

A fala do militar teria ocorrido durante uma reunião realizada em 2022, com os comandantes do Exército e da Aeronáutica. Neste encontro, Bolsonaro teria apresentado estudos que visavam à decretação de estado de sítio e à instauração de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), missão de tomada de poderes, por ordem da Presidência da República. Com isto, segundo a PF, Bolsonaro pretendia impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O almirante, até o momento, nega as acusações que pesam contra ele. Sobre a referida reunião, ele disse que tal acusação veio do ex-comandante do Exército, o general Freire Gomes, em depoimento à Polícia Federal. Garnier contestou a afirmação e reforçou que a reunião no Palácio da Alvorada, sede do governo, a única da qual confirma ter participado, não tratou de “conclusões” sobre medidas para anular o resultado das eleições de 2022.

O réu também negou ter colocado as tropas sob seu comando à disposição de Bolsonaro para um golpe de Estado. Moraes confrontou Garnier com uma declaração dada à imprensa, na qual o almirante sinalizava apoio ao ex-presidente na questão referente a auditorias independentes nas urnas eletrônicas.

O ministro afirmou que o papel do militar, enquanto comandante da Marinha, era “fazer valer os votos” da população. Garnier, então, reconheceu a autoria da fala, mas alegou que apenas “defendeu mais verificações”, não significando que “concordava com Bolsonaro”.

Após o almirante, os demais réus serão interrogados pelo ministro Alexandre de Moraes em ordem alfabética. A audiência está prevista para ser encerrada às 20h. A ordem dos depoimentos é a seguinte:

 

- Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;

- Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do Distrito Federal (DF);

- Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;

- Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;

- Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;

- Walter Braga Netto, general de Exército e ex-ministro de Bolsonaro.

 

Primeiros depoimentos – A fase de interrogatórios começou nesta segunda-feira (9), quando foram ouvidos o tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid,  ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro e delator no processo;  e o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem.

Na ocasião, Mauro Cid confirmou que esteve presente em reunião na qual foi apresentado ao ex-presidente um documento que previa a decretação de medidas de estado de sítio e prisão de ministros do STF.

O militar também confirmou que recebeu dinheiro do general Walter Souza Braga Netto, ex-chefe da Casa Civil e ex-ministro da Defesa do governo Bolsonaro. O montante, segundo o delator, seria repassado a Rafael de Oliveira, major do Exército e integrante dos kids-pretos, esquadrão de elite da corporação.

Alexandre Ramagem, por sua vez, negou ter usado a Abin para monitorar ilegalmente a rotina de ministros da Suprema Corte e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante o governo de Jair Bolsonaro.

DEMAIS Interrogatórios – Até a próxima sexta-feira (13), Alexandre de Moraes vai interrogar, presencialmente, o ex-presidente Jair Bolsonaro, Braga Netto e mais seis réus acusados de participar do "núcleo crucial" da trama golpista que ansiava impedir a posse de Lula, vencedor das Eleições 2022.

O interrogatório dos réus é uma das últimas fases da ação penal. A expectativa é de que o julgamento que vai decidir pela condenação ou absolvição do ex-presidente e dos demais réus ocorra no segundo semestre deste ano. Em caso de condenação, as penas passariam de 30 anos de prisão.

 

 


*Com informações da Agência Brasil e da revista Veja.



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