Em decisão divulgada, há pouco, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Alexandre de Moraes declarou que Jair Bolsonaro (PL) e seu filho Eduardo fizeram uma “confissão flagrante” de atos criminosos para coagir e obstruir a Justiça brasileira. Isto, segundo o magistrado, motivou a imposição de medidas cautelares contra o ex-presidente.
Os dois políticos são investigados pelos crimes de coação no
curso do processo (Art. 344 do Código Penal), obstrução de investigação de
infração penal que envolva organização criminosa (Art. 2º, § 1 º, da Lei
12.850/13) e abolição violenta do Estado Democrático de Direito (Art. 359-L do
Código Penal).
Em outro trecho da decisão, o magistrado menciona o crime de
atentado à soberania (art. 359-I do Código Penal). Pela decisão de Alexandre de Moraes, Bolsonaro deverá cumprir recolhimento
domiciliar entre 19h e 7h, de segunda à sexta-feira e em tempo integral nos
fins de semana e feriados.
Além disso, o ex-presidente passa a
ser monitorado com tornozeleira
eletrônica. Ele também está proibido de manter contato com embaixadores e
autoridades estrangeiras e de se aproximar de sedes de embaixadas e consulados.
As medidas foram solicitadas pela
Polícia Federal (PF), com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República
(PGR). Os órgãos apontaram risco de fuga como justificativa para a instalação do
dispositivo de vigilância pessoal eletrônica.
Para o magistrado, as condutas de Bolsonaro e do filho
caracterizam “CLAROS e EXPRESSOS ATOS EXECUTÓRIOS e FLAGRANTES CONFISSÕES DA
PRÁTICA DOS ATOS CRIMINOSOS, em especial dos crimes de coação no curso do
processo, obstrução de investigação de infração penal que envolva organização
criminosa e atentado à soberania”.
Moraes salientou, ainda, que a
“ousadia criminosa parece não ter limites”, ocorrendo à luz do dia, em
publicações em redes sociais, entrevistas e pronunciamentos a veículos de
mídia. O ministro também apontou
uma entrevista coletiva realizada por Bolsonaro, nesta quinta (17), na qual o
ex-presidente condicionou a retirada de sanções dos Estados Unidos contra o
Brasil à aprovação de uma anistia, em seu favor, pelo Congresso Nacional.
A decisão judicial traz imagens de postagens feitas por Eduardo Bolsonaro na rede social X e
de entrevistas a canais de TV, como a CNN, em que o filho do ex-presidente
defende a taxação anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,
de 50% sobre produtos brasileiros.
Ao anunciar a medida, um dos argumentos de Trump foi o que chamou
de "caça às bruxas" contra Bolsonaro. “As ações de JAIR MESSIAS
BOLSONARO demonstram que o réu está atuando, dolosa e conscientemente, de forma
ilícita, conjuntamente com o seu filho, EDUARDO NANTES BOLSONARO, com a
finalidade de tentar submeter o funcionamento do Supremo Tribunal Federal ao
crivo de outro Estado estrangeiro, por meio de atos hostis derivados
negociações espúrias e criminosas com patente obstrução à Justiça e clara
finalidade de coagir essa CORTE no julgamento da AP 2.668/DF”, declarou Moraes.
A ação penal 2668 tem como alvo Jair
Bolsonaro e mais sete aliados, entre militares e civis, todos acusados pela PGR
de ter encabeçado uma tentativa fracassada de golpe de Estado, cujo objetivo
seria manter o ex-presidente no poder, mesmo após derrota eleitoral.
Soberania – A decisão de Alexandre de Moraes foi
tomada em um novo inquérito, aberto a pedido da PGR, para apurar as condutas de
Jair e Eduardo Bolsonaro contra a soberania nacional.
No texto, o ministro abordou a
imposição de uma taxação de 50% sobre produtos brasileiros anunciada, este mês,
pelo presidente Donald Trump. “A implementação do aumento de tarifas tem como finalidade a criação de
uma grave crise econômica no Brasil, para gerar uma pressão política e social
no Poder Judiciário e impactar as relações diplomáticas entre o Brasil os
Estados Unidos”, escreveu o magistrado.
Além disso, o ministro salientou que “a Soberania Nacional
não pode, não deve e jamais será vilipendiada, negociada ou extorquida, pois é
um dos FUNDAMENTOS DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, expressamente previsto no
inciso I, do artigo 1º da Constituição Federal”.
A Suprema Corte, por fim, declarou que será inflexível na
defesa da Soberania brasileira. “O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL sempre será
absolutamente inflexível na defesa da Soberania Nacional e em seu compromisso
com a Democracia, os Direitos Fundamentais, o Estado de Direito, a
independência do Poder Judiciário Nacional e os princípios constitucionais
brasileiros”, escreveu Moraes.
Para tanto, o ministro citou o escritor Machado de Assis. “A
SOBERANIA NACIONAL É A COISA MAIS BELA DO MUNDO, COM A CONDIÇÃO DE SER
SOBERANIA E DE SER NACIONAL”, lembrou.
*Com informações da
Agência Brasil.