Divulgada no dia de ontem, uma pesquisa do Instituto mineiro Veritá (e não Verita), classifica o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, na 11ª posição, em um ranking das 23 cidades não-capitais que foram avaliadas no primeiro ano de gestão, 2025. Com 56% de aprovação, Ronaldo ficou bem próximo do top 10. O décimo lugar é Niteroi, RJ, prefeito Rodrigo Neves, do PDT, com meio por cento a mais, 56,5%. A Princesa do Sertão, conforme os números, tem uma administração superior a de badaladas cidades do eixo sul-sudeste, como as cariocas Duque de Caxias e Nova Iguaçu; as paulistas Sorocaba, Osasco, São Bernardo do Campo e Campinas; Caxias do Sul (RS), Serra (ES) e Londrina (PR).
Em janeiro, o instituto apresentou os dados de sua pesquisa com as capitais brasileiras. Se for considerado o total das grandes cidades pesquisadas, misturando as 26 capitais com os 23 municípios do interior alvos da sondagem, José Ronaldo ocupa a 20ª posição no geral, à frente de 29 gestores. O desempenho do feirense é superior em relação a 17 prefeitos de capitais, dentre os quais Ricardo Nunes (São Paulo), Evandro Leitão (Fortaleza), Eduardo Paes (Rio de Janeiro), Sebastião Melo (Porto Alegre), Álvaro Damião (Belo Horizonte) e Sandro Mabel (Goiânia).
Um dos que se encontram com aprovação menor que a dele é o seu correligionário e amigo Bruno Reis, de Salvador, apenas 16º do ranking das capitais. Importante frisar, em uma outra pesquisa, da Atlas/Intel, igualmente avaliando o primeiro ano de governo nas sedes estaduais, o alcaide soteropolitano tem uma classificação bem melhor, 10º lugar, com 56% - exatamente a marca atingida por Ronaldo na pesquisa Veritá.
As cinco melhores posições na pesquisa do Veritá pertencem a Joinville (SC), prefeito Adriano Silva, Novo), 86,7%; São Gonçalo, (RJ) prefeito Capitão Nelson, PL, 72,6%; Contagem (MG), prefeita Marília Campos, PT, 66,1%, Ribeirão Preto (SP), prefeito Ricardo Silva, PSD), 65,5%; e Santo André (SP), prefeito Gilvan Júnior, PSDB, 65,1%. A internet informa que o instituto utiliza metodologia eletrônica, diferente de outros tradicionais como Datafolha e Quaest. Especialistas apontam que métodos eletrônicos podem favorecer candidatos com eleitores mais engajados digitalmente.
O Veritá informa que os critérios utilizados para definir o ranking dos melhores prefeitos baseiam-se na percepção direta da população sobre a gestão municipal. O índice de aprovação mede o respaldo popular direto, consolidando o percentual de moradores que aprovam ou desaprovam a administração. O desempenho geral da gestão é avaliado por meio de nota média atribuída pelos próprios cidadãos. A qualidade dos serviços públicos tem análise de indicadores em áreas críticas como saúde, educação, infraestrutura e mobilidade urbana.
O organismo informa ter ouvido 100 mil pessoas, mas não detalha quantos foram entrevistados no interior do país. Nos dados sobre as capitais, o instituto diz quantas pessoas responderam em cada uma delas. Pedimos via Instagram, à organização, que apresente esses detalhes. Nenhum dos seus telefones nos escritórios de Recife, Brasília e Belo Horizonte atendeu às tentativas de contato.
Sem qualquer preconceito, é fato que prefeitos no Nordeste raramente conseguem grau de satisfação maior, junto às suas populações, em comparativo com praças de regiões economicamente mais avançadas. Antes que alguém menos informado faça precipitados julgamentos, pesquisamos sobre a Veritá. Trata-se de um instituto reconhecido nacionalmente e que já obteve destaque em pesquisas eleitorais, acertando vários resultados de embates nas urnas, país afora.
Com uma quantidade apenas razoável de seguidores no Instagram (@institutoverita), 172 mil, o Veritá é um órgão de estudos estatísticos cujos trabalhos são divulgados pelos grandes veículos de comunicação no país, o que demonstra sua projeção. Anuncia já ter realizado mais de 7 mil pesquisas, com cerca de 5 milhões de entrevistas. "Maior índice de acerto no país", exalta-se, em sua página. Um dos seus grandes êxitos aconteceu em 2024 na importante cidade de São José do Rio Preto, SP, onde foi o único instituto a prever que Fábio Cândido venceria em primeiro turno.
Há controvérsias, porém, na propaganda entusiasmada do instituto, acerca de seu sucesso. Em 2022, por exemplo, errou ao projetar a reeleição de Jair Bolsonaro (51,2%) diante de Lula (48,8%). Como sabemos, deu o petista, que conseguiu o retorno à Presidência da República, obtendo 50,9% ante 49,1% do seu principal adversário. Na eleição para o governo de São Paulo, o Veritá foi o único a colocar Pablo Marçal na liderança isolada em primeiro turno. O candidato foi apenas o terceiro colocado.