A dissonância cognitiva é o desconforto mental gerado quando mantemos crenças, ideias ou valores que entram em conflito com a realidade ou com as nossas próprias ações. Como a nossa mente busca, incessantemente, a coerência, esse conflito gera uma forte tensão psicológica, que nos motiva a buscar formas de aliviar o mal-estar.
O conceito, formulado pelo psicólogo social Leon Festinger,
em 1957, descreve um desconforto tão real, que o cérebro ativa o córtex frontal
posterior e a ínsula — áreas intimamente ligadas a reações emocionais e de
sobrevivência.
Não é à toa que os mecanismos de dominação política têm
explorado, historicamente, o fenômeno do confronto, a exacerbação do discurso e
o que podemos chamar de "coreografia moral" para justificar cenários
que, em tese, seriam inaceitáveis.
A cineasta italiana Lina Wertmüller explorou, magistralmente,
essa coreografia da degradação humana e do conformismo moral em face do
fascismo e do nazismo, notadamente, em sua obra-prima Pasqualino Sete Belezas (1975).
Com o advento da internet e a universalização da comunicação,
essa exploração do ódio político foi exacerbada e elevada ao estado da arte.
Hoje, todas as pessoas estão expostas a algoritmos sofisticados e a
"fazendas de celulares" programadas para emitir mensagens em massa,
muitas vezes financiadas ou instrumentalizadas por grupos de poder e governos.
Essa exacerbação do ódio como instrumento de dominação é
visível nas redes sociais e contamina, inclusive, jornalistas e intelectuais.
Sintomas dessa retórica violenta aparecem em declarações de
líderes opostos, como Jair Bolsonaro, quando falou em
"fuzilar a petralhada", e o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, que,
em fala infeliz, disse, ao se referir a adversários políticos: "empurrar
na vala, com pá carregadeira".
Toda vez que o poder e seus satélites se veem ameaçados ou
expostos, partem para a desqualificação dos opositores, por meio da falácia do
argumento ad hominem — quando se
ataca o indivíduo, e não a matéria em debate. Todos nós, incluindo os
profissionais da informação, somos tentados a cair nessa armadilha,
diariamente, sendo fundamental um esforço consciente para resistir à
desumanização do outro.
No Brasil, esse fenômeno se repete, de forma cruel, na base
da sociedade. Costuma-se rotular eleitores de Lula ou Bolsonaro como
"jumentos", "gado" ou "mentecaptos", como se os
60 milhões de cidadãos que votaram em cada um deles fossem incapacitados
mentais.
Trata-se de arrogância intelectual e de um gene de
totalitarismo inaceitável. O fenômeno se torna ainda mais grave quando
praticado por intelectuais — embora saibamos, pela história, que mentes
brilhantes, frequentemente, se entregaram às perversões políticas e ao rebanho
ideológico, sem qualquer pudor.
A desqualificação indiscriminada do eleitor do espectro
oposto é um erro analítico e moral por três motivos centrais:
- Reducionismo sociológico: 60 milhões de votos não cabem em um único diagnóstico psicológico ou moral. Trata-se de realidades econômicas, medos legítimos, heranças culturais e aspirações distintas que movem o voto. Reduzi-los à burrice é fechar os olhos para as causas reais do voto.
- A erosão do tecido democrático: Quando transformamos o
vizinho, o colega de trabalho ou o familiar em um "inimigo incapaz",
destruímos as pontes mínimas de convivência social necessárias para a
democracia.
- A blindagem de ídolos: a ofensa ao eleitor adversário
funciona como cortina de fumaça, que impede o indivíduo de enxergar as
contradições e os erros escancarados de seus ídolos políticos, alimentando o
ciclo da dissonância cognitiva.
A desqualificação geral não legitima o argumento de ninguém. Em tempos de overdose de informação e manipulação algorítmica, a firmeza, a crítica e a opinião devem se construir sobre o esclarecimento, o dado concreto e o debate aprofundado.
Precisamos abandonar o Fla-Flu de adjetivos e focar na
robustez dos projetos de país, na consistência dos fatos e na indignação que
constrói, em vez de destruir. É possível que, sob pressão dessa indústria do
engajamento ou movidos por juvenis paixões ideológicas, caiamos no abismo dessa
conduta.
No entanto, devemos fincar os pés à beira desse precipício e
resistir, pois quando o argumento cai na desqualificação adjetiva, ele apenas
escancara a doutrinação e a servidão ideológica que nos transforma em massa de
manobra.
E quando cairmos em tentação — pois o ambiente digital é
feito para nos fazer cair —, é preciso fazer o exercício da autocrítica e
ajoelharmo-nos, figurativamente, sobre o milho, com o intuito de buscar a
contrição intelectual que nos redima e devolva a dignidade ao debate.
Há um ano, o Brasil testemunha o silêncio obsequioso de um ministro da mais alta corte diante de um escândalo que escarnece da inteligência nacional: o contrato de R$ 129 milhões envolvendo o escritório de advocacia da esposa do ministro- advogada sem maiores publicações técnicas- e o banqueiro Daniel Vorcaro, o devasso líder do maior escândalo financeiro do país. Não se trata de boato, mas de uma sequência de indícios que, segundo reportagens, apontam para encontros reservados, visitas ao apartamento particular do empresário e mensagens com a função de autodestruição ativada — prática que, para muitos, soa como tentativa de apagar rastros.
O núcleo da indignação não é
apenas o valor astronômico, mas a pretensa interferência nos bastidores com o
objetivo de viabilizar a compra do falido banco Master por instituições
bancárias públicas. O que está em jogo vai além de uma transação financeira: é
a ideia de que autoridades públicas possam usar o peso da toga para proteger
interesses privados. A mensagem publicada pelo jornal Globo, supostamente
enviada por Vorcaro antes de sua prisão — “Conseguiu bloquear?” —, é
apresentada como indicação de uma proteção indigna, um clarão que revela o que
muitos já temem: a intoxicação da independência do Judiciário.
Diante de tais relatos, Moraes
opta pelo silêncio. E, ao fazê-lo, alimenta a sensação de que as investigações
sofrem um entrave institucional: uma caçada para perseguir quem ousou trazer o
contrato à tona, enquanto colegas de toga no STF, de forma velada ou declarada,
parecem dificultar o andamento dos trabalhos. A reputação do Supremo Tribunal
Federal está profundamente abalada e a indiferença com o cidadão não é apenas
um gesto de descaso; é um insulto à essência do estado de direito.
O que está em jogo não é apenas a
imagem de Moraes, mas a credibilidade de todo o sistema judiciário, já abalada
pelas revelações sobre o ministro Dias Toffoli e seu resort familiar. Quanto mais silêncio, mais estrondosa é a
repercussão: a confiança pública, já fragilizada, encontra-se à beira do
colapso pela falta de transparência, explicações claras e apuração rigorosa- o
que não acontecerá se depender do omisso Procurador Geral da República.
Precisamos de respostas claras,
apuração independente e transparência total.
Exige-se de um magistrado da mais alta corte muito mais do que notório
saber jurídico; exige-se reputação ilibada. E ela não existe com esse esqueleto
inexplicado oculto no armário.
A ruína de Moraes é tão
gigantesca quanto o valor do contrato e o silêncio em que ele se esconde.
“Estou triste, porque disseram que nossos criminosos são terroristas.” (Lula, sobre a classificação do PCC e do CV pelo governo norte-americano. Talvez, vá sugerir tocar o Hino Nacional para cada bandido preso);
“Como é que eu vou fazer uma pessoa que comprou por R$ 2 mil entregar seu celular sem receber nada?” (Lula, defendendo remuneração aos receptadores, esse ramo em crescimento no Brasil);
“Isso me faz ser um pouco mais humano do que apenas um policial.” (Lula);
“Eu vou mandar o Messias outra vez”, ele é “um dos melhores advogados deste país”. (Lula, mostrando que não respeita o Congresso Nacional);
“A polícia não pode matar antes de conversar.” (Lula, sobre a letalidade policial, ressaltando a importância do diálogo cabuloso);
“O Haddad acreditava; realmente; que era uma coisa boa. Ele falou comigo com convicção.” (Lula, botando a culpa pela ‘taxa das blusinhas’ em Haddad. Lula nomeou o incompetente, para por a culpa no incompetente nomeado);
“Vai ter criança, sim!” (Nelson Matias Pereira, presidente da Parada LGBT de SP, atacando Projeto de Lei que proíbe crianças no evento);
“Encontre alguém que te ama como o Lula ama o CV e o PCC. Não são 'nossos' criminosos, Lula. São SEUS criminosos.” (Flávio Bolsonaro, separando os criminosos de cada um).
“Meta o pé do Brasil, até dezembro deste ano, porque senão... vai todo mundo ser preso ou vai ser neutralizado pelas nossas polícias.” (Flávio Bolsonaro, sem esclarecer se vai junto);
“Fala, irmãozão”, “estarei contigo sempre!” (Flávio Bolsonaro, declarando-se a Daniel Vorcaro, o gangster master);
“O atual plano de governo estadual, o Programa de Governo Participativo (PGP), é, em verdade, Plano de Governo Perdido.” (Senador Ângelo Coronel, criticando o governador, Jerônimo Rodrigues);
“O povo até aceita, de uma certa forma, a traição, mas não aceita o traidor.” (Jerônimo, respondendo a Coronel);
“Ele está meio perdido. A minha sensação é que ele está desorientado, sem saber o que fala e sem saber o que faz.” (O ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa, sobre ACM Neto);
“Roubaram R$ 48 milhões na compra dos respiradores. Se Rui Costa não for preso, não existe Justiça neste país.” (Marcelo Nilo, deputado);
“Tem esse debate marcado entre você e o Rui Costa? Não tem e nem vai ter. Claro que não! Porque Rui Costa, por mais que tenha feito tudo para puxar o tapete de Jerônimo..., o candidato a governador do estado da Bahia é Jerônimo.” (ACM Neto, do União Brasil);
“Havia uma menina que acreditava na democracia, em um país livre.” (Dayanne Bezerra, irmã de Deolane Bezerra, alegando perseguição política, após a irmã ser presa por suspeita de lavagem de dinheiro – democraticamente – para o crime organizado);
“O setor elétrico virou uma fábrica de penduricalhos sem sentido, que encarecem a produção, acabam com a competitividade das empresas e aumentam o custo de vida da população. É um modelo que penaliza o país e dá benefícios a um conjunto de parasitas.” (Lucien Belmonte, porta-voz do União Pela Energia. Faltou dar nome aos parasitas).
Vitória de João Fonseca: a monumental vitória do tenista João Fonseca sobre Novak Djokovic, em Roland Garros, é um marco. Ver um jovem brasileiro, promessa do esporte, vencer o maior dos veteranos configura um jogo histórico, que simboliza, perfeitamente, a transição de gerações, no tênis mundial.
Reforma
do Amélio Amorim: a
inauguração da belíssima reforma do Centro de Cultura Amélio Amorim, pelo
governador Jerônimo Rodrigues, é um sopro de otimismo. Por ser um espaço
historicamente multiuso (cujo auditório também será reformado), com mais leveza
e menos amarras burocráticas do que o Centro de Convenções, a estrutura,
certamente, contribuirá para alavancar e democratizar as pautas culturais da
cidade.
Curso
de Arquitetura na UFRB: a implantação do curso de Arquitetura e Urbanismo no campus da UFRB
expande a formação acadêmica em uma área de elevado impacto para o
desenvolvimento urbano e social de Feira de Santana.
50
anos da UEFS e Centenário de Geraldo Leite: a celebração dos 50 anos da Uefs
coincide, harmonicamente, com o centenário de vida de seu primeiro reitor,
Geraldo Leite. Afinal, não se erguem monumentos nem se celebram legados sem o
devido reconhecimento aos pioneiros — aqueles que enfrentaram as dificuldades
iniciais para fundar uma instituição que venceu o tempo e se tornou uma força
transformadora de vidas.
Fim
da Aposentadoria Compulsória para Magistrados: o fim da aposentadoria compulsória
remunerada, como forma de punição para juízes e magistrados, extingue uma
verdadeira excrecência jurídica e um privilégio absurdo do Poder Judiciário.
Sucesso
do Vaqueirinho Ruan Vitor: o sucesso estrondoso de Ruan Vitor, o "Vaqueirinho" – jovem
cantor feirense –, após sua participação no programa Altas Horas, ao lado de João Gomes, rendeu-lhe 3,5 milhões de novos
seguidores nas redes sociais, projetando o talento da nossa terra para todo o
Brasil.
Lembrança
do Recorde do Fuselo:
há três anos, uma ave da espécie fuselo quebrou o recorde de voo ininterrupto
mais longo da história, ao viajar do Alasca à Austrália. A ave entrou para o Guinness Book, após percorrer 13.650
quilômetros em 11 dias, sem parar uma única vez para comer ou descansar. A
natureza, de fato, opera fenômenos intrigantes.
Revitalização
do Arquivo Municipal: A revitalização do prédio do Arquivo Municipal, pela Prefeitura de Feira
de Santana, é uma medida louvável. A preservação do patrimônio histórico é
fundamental para cultivar o sentimento de identidade e pertencimento do cidadão
em relação à sua cidade.
Desapropriação
do Hotel Caroá: A
acertada desapropriação da área do antigo Hotel Caroá, pela Prefeitura
Municipal de Feira de Santana (PMFS), para a instalação do Centro
Administrativo Municipal deve contribuir, significativamente, para a
revitalização do centro da cidade. É preciso, no entanto, antecipar o impacto
no tráfego local e planejar soluções de estacionamento, espelhando-se no
planejamento que foi adotado na antiga área do Feira Tênis Clube.
1- O crime só se estabelece onde o poder público permite. É
fato. Se há facções mafiosas no Brasil, o governo foi omisso ou cúmplice da sua
expansão.
2- O Brasil não possui um plano de segurança integrado,
ordenado, com diretrizes e universalizado entre os estados, limitando-se, apenas,
a ações pontuais. O país nunca atuou com método, investimento, leis, para
erradicar, verdadeiramente, o crime organizado.
3- O Brasil não combate, na dimensão necessária, a lavagem de
dinheiro, pois ela alimenta todos os interesses clandestinos do sistema
político nacional. Ao contrário, cria, permanentemente, maneiras de proteger
esse dinheiro ilegal.
4- Significativa parte do "Brasil legal" parasita e
usufrui do dinheiro do crime (imprensa, sistema financeiro, policial, jurídico,
políticos e fornecedores de serviço), enquanto finge manter as mãos limpas.
5- No Brasil, mais de 40% da população vive sob o domínio
territorial ou de serviços do crime. Se isso não for visto como fracasso,
incompetência e tragédia, é sinal de que há um entorpecimento de nossa
sociedade.
6- A violência urbana fez 1 milhão de mortos em 20 anos. É
preciso ser desumano para considerar que isso representa soberania e um sistema
normal.
7- A medida de Trump está gerando impacto porque o sistema
financeiro será asfixiado — assim como empresas e corruptos —, deixando-os sob
permanente tensão para lidar com o dinheiro do crime.
8- O debate sobre soberania é apenas a maneira encontrada
para rebater a classificação dos EUA fingindo patriotismo. Aliás,
não era à toa que Nelson Rodrigues ( em verdade Samuel Johnson) dizia que o patriotismo é o último refúgio
do canalha.
9- A expansão internacional das facções brasileiras — hoje,
já consideradas máfias — interfere na vida, nos negócios e no sistema de
segurança de 28 países. É natural que o mundo se volte contra elas.
10- A medida norte-americana viria com ou sem Flávio e Lula.
Ela pode até ser usada politicamente, mas a motivação central é o crime, o
dinheiro ilegal, a infiltração nas instituições e na administração pública, a
influência política, a compra do sistema judiciário, fatores que
destroem e fragilizam o Estado.
11- Lula foi omisso no enfrentamento ao crime organizado no
passado e, hoje, paga o preço; seu plano de combate ao crime às vésperas da
eleição é um engodo de verbas para o endividamento do Estado. Dos R$ 11 bilhões
anunciados, apenas R$ 1 bilhão é investimento federal real.
12- O ato dos EUA deu uma fantástica visibilidade ao tema e
obrigou partidos, políticos e líderes a tomarem posição por terem sido
expostos, especialmente porque a maioria da população, que já não suporta mais
a opressão criminosa, apoia a classificação feita pelos americanos.
13- Em vez de ficarmos “tristes por nossos criminosos”, como
disse Lula, e evitarmos discursos oportunistas de soberania, deveríamos
aproveitar a oportunidade para convidar os EUA e a Europa a criar uma
força-tarefa conjunta e eficaz contra essas facções. Além de potencializar os
resultados, conteríamos as chances de “invasões à soberania”. Se houver
interesse verdadeiro, esta é a hora de virar o jogo.