O governador Jerônimo Rodrigues, prefeito José Ronaldo e o presidente da Câmara, Marcos Lima, avaliados pelo ex-vereador, deputado estadual e deputado federal Fernando Torres. Em entrevista exclusiva à Tribuna Feirense, o também ex-secretário estadual de Desenvolvimento Urbano elogia o petista: "gosto muito do jeito que Jerônimo tem tratado a Bahia". Ao aprovar "com louvor" os três anos de gestão do professor da UEFS, ele diz estar convicto de que o melhor, para os baianos, é a sua reeleição, em outubro próximo.
Sobre Ronaldo, o ex-deputado diz que o gestor vem fazendo bom trabalho. "É o melhor (prefeito) da história de Feira. Já conhecemos a sua forma de trabalhar. Não se envolve com corrupção, tenho certeza que é honesto". Fernando adverte o chefe do Executivo: "Tem seus defeitos, precisa melhorar certas coisas, mas não vamos cobrar perfeição, perfeito só Jesus".
O presidente da Câmara, Marcos Lima é "um vereador tranquilo", diz Fernando. Com a experiência de quem já ocupou o cargo, ele avalia que o atual dirigente não "é aliado, mas não submisso". No entanto, aconselha, deveria fiscalizar mais o Poder Executivo. Quando foi presidente, ele lembra, a Câmara "cobrava mais, era mais movimentada".
Fernando observa que, em sua gestão, liderou vários embates com o Governo, em plenário, como a exigência de que o então prefeito Colbert Martins Filho colocasse no Orçamento Anual o investimento para construção do Hospital Municipal, "que era promessa de campanha". Marcos, avalia, "não é submisso, mas aliado, não é bom, deixar passar tudo".
O ministro-chefe da Casa Civil, ex-governador Rui Costa, e o senador Otto Alencar também foram mencionados pelo ex-deputado federal. Com a propriedade de quem foi secretário da segunda gestão Rui Costa, Fernando diz que admira o pré-candidato a senador pelo PT. Quanto a Otto, seu líder político e amigo pessoal, considera um político "ético, correto, fiel e competente".
Ex-deputado federal, deputado estadual, vereador e secretário de Desenvolvimento Urbano do Estado, Fernando Torres, é um político feirense que sempre saiu vitorioso das urnas. Seu mais recente e importante cargo público foi a presidência da Câmara Municipal, por dois anos. Não se tem notícia de outro vereador que tenha comandado o Legislativo com a independência por ele apresentada em relação ao Poder Executivo. Em alguns momentos, exagerou na força do seu discurso, criando animosidades com o então prefeito Colbert Filho. Depois, entrou em guerra com sua sucessora, a presidente Eremita Mota, a quem ajudou a eleger. Aquela foi mais uma das muitas alianças que terminam em briga, quando um contribui para a ascensão do outro e se decepciona.
Um dos fundadores do PSD na Bahia, onde se encontra filiado há quase 15 anos, e dirigente da sigla em Feira de Santana, ele acompanha de perto o "caso Coronel", seu ex-colega de legenda que deixou o partido por não concordar com a exclusão do seu nome, pelo PT, da chapa de candidatos ao Senado, nas eleições de outubro. O Partido dos Trabalhadores já decidiu que o atual senador Jaques Wagner e o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, são os que irão disputar as duas vagas, a denominada chapa "puro sangue". Companheiro de Coronel no PSD, o senador Otto Alencar, que ainda tem mais quatro anos de mandato, segue firme apoiando os petistas.
Em entrevista exclusiva para a Tribuna Feirense, Fernando fala de vários temas. Nesta primeira parte abordamos a decisão de Coronel. Bem ao seu estilo, discorda do senador e lhe cobra gratidão, a Otto e ao PT. "Ele bote a mão para o céu por ter um amigo como Otto Alencar, que o apoiou para ser senador. Também deve gratidão ao PT, que o apoiou em sua primeira candidatura". Para o ex-deputado federal, Coronel não teria chegado ao Senado "de forma alguma", não fossem Otto e o Partido dos Trabalhadores, devendo assim respeitar a candidatura de Rui, a quem ele exalta "por ter feito 26 hospitais, o metrô de Salvador e outras grandes obras como governador".
Se o ex-governador pretende o Senado, "é um nome muito mais forte, que vai contribuir bem mais para a vitória do grupo, tanto a reeleição de Jerônimo como de Lula", afirma. Na análise de Fernando Torres, Coronel deveria disputar a eleição de deputado federal. Não passou despercebido pelo ex-presidente da Câmara Municipal a "ausência" do insatisfeito senador da última campanha para governador, em que Jerônimo fora eleito: "Foi visto raras vezes. Parece ter se escondido".
Questionado como participará da campanha deste ano, ele não descarta a possibilidade de ser candidato, o que deverá decidir até o mês de maio. Por isso, não definiu nomes para apoiar a deputado, estadual e federal. Certo é que estará junto do seu líder, Otto, pela reeleição de Lula e Jerônimo e, para o Senado, de Rui e Wagner. Não pretende deixar o comando do PSD feirense, salvo "se Otto indicar outro nome".
Segundo a Bíblia, o perdão é um mandamento central,
reflexo do caráter de Deus e uma necessidade para a saúde espiritual e
emocional. Mais do que uma opção, perdoar é uma obediência que liberta o
ofendido de amarras negativas, como rancor e dor. Mateus 6:14-15 enfatiza
que, se perdoarmos as ofensas dos homens, o Pai Celestial também nos perdoará;
caso contrário, não seremos perdoados.
Não é apenas esquecer, mas "soltar" a pessoa do
rancor, libertando a si mesmo de um "veneno" emocional. É um processo
de cura e amadurecimento. É um ato de amor ao próximo e imitação de Deus, que é
compassivo e perdoador. Jesus ensinou que o perdão deve ser constante e incondicional,
exemplificado na resposta a Pedro de perdoar "setenta vezes
sete".
Embora o ser humano tenha memória, o perdão bíblico envolve
um compromisso de não usar mais a ofensa para ferir ou condenar. A promessa em
Hebreus 8:12 é que Deus, ao perdoar, escolhe não se lembrar mais das
iniquidades. O perdão humano deve espelhar isso, não remoendo o passado. A
Bíblia indica que o perdão não significa apagar a memória do ocorrido, mas sim
retirar a dor da ferida (não ser mais uma ferida aberta).
É uma decisão consciente de não se vingar, um processo que
muitas vezes exige tempo e a graça de Deus. Unilateral, o indivíduo ofendido
pode liberar perdão mesmo que o ofensor não reconheça a culpa ou não peça
perdão. Obrigatório, sim, mas a reconciliação (restauração da intimidade)
depende especialmente do arrependimento do ofensor.
No meio político, paira uma dúvida, desde o final das
eleições de 2022, quando o candidato das oposições ao Governo da Bahia, ACM
Neto, fora derrotado nas urnas pelo então ilustre desconhecido professor
Jerônimo Rodrigues: O ex-prefeito de Salvador e atual vice-presidente do União
Brasil teria pedido perdão ao prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo?
Poderia fazer bem a ambos.
Vamos contextualizar. Naquela oportunidade, o candidato ACM
Neto surpreendeu a todo o seu grupo e, mais que isto, feriu gravemente a
Ronaldo, tido por todos como nome certo na chapa, quando apresentou a
substituta dele, Ana Coelho, para vice-governadora. Trocou um político
vencedor, conhecido e respeitado no interior, por um "peixe fora
d'água" que poderia ter declinado do absurdo convite - convenhamos, é
difícil dizer não diante de um cavalo selado passando à nossa porta, (ACM
Neto era o favorito, naquele momento, para o Palácio de Ondina).
Foi o erro mais bizarro e complicado de explicar, que um
político brasileiro já cometeu, em uma campanha eleitoral. O candidato do União
Brasil a governador necessitava contemplar, é verdade, o aliado Republicanos.
Mas de tantas alternativas que poderiam existir, o aprovado ex-prefeito da
capital escolheu a menos provável. O resultado foi devastador. A candidata não
agregaria nada de mais importante. Simpatizantes de Ronaldo em Feira de Santana
e região se decepcionaram profundamente, o que certamente impactou nas urnas.
O que teria se passado na cabeça de ACM Neto, para cometer
tamanha bobagem? Desejaria ele um vice sem luz própria, que lhe fosse
obediente, em vez de alguém quase de sua estatura política, capaz de
questiona-lo, se necessário fosse, de acompanhar com olhar crítico a sua
atuação e de lhe fazer exigências?
Ronaldo jamais escondeu a frustração com o episódio. Teve o
equilíbrio de participar e até ser o coordenador daquela campanha de ACM
Neto, que por sua vez esteve em Feira de Santana atuando em favor do colega de
partido no embate local com o PT, em 2024. Mas a verdade é que a amizade e a
confiança entre eles foi afetada. Estamos em 2026 e vem aí uma nova disputa
para o Governo Estadual. Olha ACM Neto de novo candidato. Lição
aprendida, ele agora sonha com um "sim" de Ronaldo.
Ao "Correio 24h", disse que o seu vice precisa ter grande densidade no interior e agregar do ponto de vista eleitoral: “Seria uma alegria enorme poder contar com Zé Ronaldo". Na verdade, as portas para o prefeito de Feira estão abertas para cargo que desejar, vice ou senador. ACM reconhece que é difícil, pois o companheiro de legenda está focado na gestão municipal, mas não perde a esperança. Acredita que muitas conversas ainda vão acontecer "até o mês de março, quando nós vamos anunciar (a chapa)". Como opinei esta semana, aqui, o prefeito deverá cumprir o mandato até o fim.
Vejo jornalistas e radialistas feirenses, também os de
Salvador e de outras cidades do Estado, alimentando expectativas em torno de
uma possível candidatura do prefeito José Ronaldo a vice-governador ou senador,
em outubro próximo. Ou na chapa a ser encabeçada pelo ex-prefeito de Salvador,
ACM Neto, ou na do candidato à reeleição, governador Jerônimo Rodrigues.
Existem duas dúvidas em torno do que fará Ronaldo, nessas próximas eleições.
Uma delas, se será candidato a algo. A outra, a quem ele apoiará para governador
e presidente da República. Sua escolha em nível federal estará, certamente,
atrelada à que fará sobre a eleição para o Palácio de Ondina.
A primeira dúvida só existe porque a imprensa e a sociedade
estão fartas de casos em que prefeitos ou governadores, no exercício do
mandato, desistem de ficar até o fim para candidatarem-se a cargos maiores ou
mais atraentes para o seu currículo e prestígio político. Assim aconteceu três
vezes, na Prefeitura de Feira. Colbert Martins da Silva, o pai, em sua primeira
passagem pelo Governo Municipal, na década de 80, deixou o Palácio Maria
Quitéria para eleger-se deputado estadual.
Depois, foi a vez do então prefeito João Durval, em meados
dos anos 90. Motivado pelas pesquisas que lhe eram favoráveis, deixou a gestão
para tentar o Governo do Estado. Perdeu. Em ambos os casos, o
vice-prefeito José Raimundo foi o substituto. Deve ser o único político no país
a ser prefeito duas vezes sem ter que se eleger para tal mister. Por último, o
próprio José Ronaldo, em 2018, proporcionou o poder ao seu vice, Colbert Filho,
para buscar uma eleição a governador, que não aconteceu. Embora fora da
Prefeitura, ele foi candidato a senador em 2010, perdendo ele e outros fortes
candidatos (César Borges, José Carlos Aleluia e Edvaldo Brito), para os eleitos
Walter Pinheiro e Lídice da Mata.
A situação de Ronaldo, agora, porém, é muito especial. Alguns
alegam que o compromisso feito por ele e já reiterado várias vezes, de que
cumprirá integralmente este quinto mandato, nada significa, pois a mesma
promessa teria sido feita lá atrás, quando se lançou ao Senado. Vejo diferente.
O prefeito não foi tão enfático, naquela campanha eleitoral de mais de uma
década atrás, quanto a uma possibilidade de buscar um voo mais alto. Agora, até
para conter um temor no eleitorado, ele só faltou ajoelhar-se na Catedral de
Senhora Santana, em juramento, para convencer o público de que isto não ser
repetirá. Descumprir o acordo que fez com os feirenses, uma segunda vez,
poderia não lhe cair bem.
"Ah, mas pode alegar que faria mais por Feira de Santana
em um cargo maior", argumentariam os que creem na chance dele novamente
deixar a batuta com o vice, agora o jovem promissor Pablo Roberto, que abdicou
da Assembleia Legislativa, para a qual foi muito bem eleito. Não, ainda assim,
entendo que seria uma jogada de risco muito elevado para a sua credibilidade. E
se viesse a perder outra vez, entraria em uma "sinuca de bico" quase
impossível de escapar, logo quando se aproxima do final da carreira e tem pela
frente três anos muito alvissareiros, com obras de grande porte que deve
realizar, ampliando as chances de reeleição ou de fazer seu sucessor em
2028.
Desta forma, permitam-me, este humilde analista político não
leva a sério a hipótese. Deveremos ter um capítulo final desta mini-série após
o Carnaval, ou um pouco depois. O homem tem experiência, sensatez e olho de
águia. É capaz de encontrar soluções para os mais difíceis dilemas.
Resta, então, a outra decisão, esta, mais delicada e,
aparentemente, um jogo em aberto, de difícil prognóstico. Ronaldo fica com ACM
Neto, aquele que menosprezou seu enorme cabedal, principalmente em boa parte do
interior do Estado, rifando-o já na prorrogação, da candidatura a vice na chapa
oposicionista em 2022? Deixa a campanha ocorrer sem sua participação na disputa
do Governo (o que beneficiaria Jerônimo)? Ou vai preferir marchar com a
reeleição do governador, que lhe tem tratado com atenção, em busca de uma justa
valorização política e de promessas de grandes realizações para a sua cidade?
Vamos pensar no que dizer sobre isto.
O atuante senador baiano Otto Alencar, um dos destaques do Congresso, atenuou bastante as críticas que fazia lá atrás, em 2025, à possível exclusão, na chapa governista, do seu correligionário senador Ângelo Coronel, também do PSD, que busca a reeleição, mas encontrou portas fechadas na chapa governista. O PT optou por uma composição puro sangue depois que o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, decidiu que uma vaga seria dele. A outra é de Jaques Wagner que, como Coronel, vai tentar reeleição. Uma breve pesquisa na Internet revela a mudança de tom no discurso de Otto.
Declarações de apoio a Coronel, com ameaças veladas ao PT, foram dadas por ele em uma entrevista concedida ao "PodZé" (podcast do polêmico jornalista Zé Eduardo), que virou matéria no site "Muita Informação", em 30 de maio do ano passado. "Otto Alencar admite possível rompimento com Jerônimo caso PSD fique fora da chapa ao Senado em 2026", foi o título da reportagem no portal.
Na ocasião, diz o site, o dirigente do PSD baiano reafirmou apoio à reeleição de Coronel e apontou direito garantido pela legislação como argumento central. “Quem tem direito à reeleição deve ir para a reeleição. Tanto Jerônimo, como Geraldo, como Wagner, como Coronel. É direito legítimo dado pela legislação”, garantiu.
Disse também, conforme o portal, não ver "impedimentos em romper com o grupo político do governador Jerônimo Rodrigues (PT), caso o PSD fique de fora da composição majoritária para o Senado nas eleições de 2026". E revelou o teor de uma conversa com o colega e compadre: “Eu falei com Coronel que tem uma coisa realmente que doeu em mim. Não posso negar, e mais ainda nele, que fere o amor próprio da pessoa. Ele tendo mandato, têm direito a reeleição e dizer você não vai ser mais, vai ser o Wagner, vai ser o Rui…".
Segundo o jornalista Osvaldo Lyra, do "Muita Informação", Otto disse como reagiria diante de um "xeque-mate", sentença dada por Wagner, Rui, ou o próprio governador Jerônimo, que o PSD estaria fora da chapa. "Se dissesse isso textualmente e me ligasse dizendo ‘vocês não vão participar’, nós sairíamos agora mesmo". A forte frase ainda foi acrescida de outra para não deixar nenhuma margem de dúvida: "Caso haja uma manifestação explícita do governador sobre a saída do partido, a ruptura acontecerá".
Na mesma entrevista, Otto admitiu ter sofrido pressão de aliados para rompimento com o PT. Correligionários lhe cobraram uma "decisão imediata sobre a permanência na base governista".
Prefeitos, ex-prefeitos e deputados teriam pedido "uma reação mais dura" da parte dele, diante da possibilidade de o PSD ficar de fora da aliança. "Me pressionaram, inclusive, dizendo que eu não estava respondendo à altura". Como se sabe agora, ele resistiu e manteve a aliança.