Não chega a ser uma disputa igual a que acontece em Salvador, onde o Governo da Bahia e a Prefeitura travam, historicamente, uma disputa para ver quem mais realiza obras na capital. É uma briga, no bom sentido, pela conquista do eleitorado local, afinal são quase 2 milhões de votos em jogo. Feira de Santana, experimenta este ano algo próximo, talvez, com os vários investimentos anunciados pelo prefeito José Ronaldo para estes dois anos e meio que restam do seu quinto mandato e também pelo governador Jerônimo Rodrigues. No caso do Estado, em volume menor, boa parte das obras já executada.
Ver o Governo do Estado investindo mais aqui, segunda maior cidade da Bahia, 434 mil eleitores, polo macrorregional de educação, saúde, comércio e negócios em geral, é uma grande e antiga expectativa da população feirense. Jerônimo, ainda que não consiga realizar a gestão dos sonhos para Feira de Santana, sem dúvida faz mais que os seus antecessores Jaques Wagner e Rui Costa.
Duas das grandes obras estaduais são conclusões, ou seja: foram iniciadas lá atrás. Uma delas, o Centro de Convenções, construção abandonada durante os quatro mandatos anteriores, de Wagner e Rui. Outra que muito demorou para terminar, mas finalmente, acabou é o o teatro da Universidade Estadual de Feira de Santana.
Ainda no campo da cultura, estas sim, iniciativas de Jerônimo, foram inauguradas dias atrás as restaurações da Boate Jerimum e do Restaurante Carro de Boi. Duas obras de arte de Amélio Amorim, nas quais investiu-se R$ 7,4 milhões. Outros R$ 7 milhões serão aplicados, licitação publicada, na completa reforma do Centro de Cultura que leva o nome do famoso arquiteto feirense, com destaque para a restauração e cobertura da concha acústica.
Na área de infraestrutura, está inconclusa, mas parece que vai deslanchar, a duplicação da BA 502, rodovia que liga Feira de Santana a São Gonçalo dos Campos, onde já ocorreram tragédias automobilísticas por conta de suas duas únicas pistas. Outro investimento iniciado pela atual gestão acontece no Aeroporto João Durval. As importantes melhorias devem contribuir para despertar o interesse de grandes companhias aéreas pelo equipamento. Primeiro, o aumento e alargamento da pista, praticamente finalizados e, agora, com licitação em andamento, a ampliação do pátio das aeronaves.
Dias atrás, questionado por um repórter, o governador se comprometeu de recuperar a avenida Sérgio Carneiro, trecho urbano da BA 503, rodovia de acesso a Coração de Maria e também ao próprio aeroporto. Além, é claro, de ser a mais importante via pública do populoso bairro Santo Antônio dos Prazeres.
Semanas atrás, no fim de maio, o governo baiano entregou a chamada Vila Militar, no antigo Primeiro Batalhão, localizado na avenida Transnordestina. As novas instalações funcionam como sede do Comando Regional Leste e de outros órgãos da PM.
Duas tradicionais unidades de ensino da Rede Estadual passaram a funcionar em regime de Tempo Integral, os colégios Edith Machado Boaventura e José Ferreira Pinto. Em Matinha, foi construída a Escola Estadual Quilombola.
Da parte do Governo Municipal, grandes obras estão anunciadas, algumas em curso, pelo chefe do Executivo, Zé Ronaldo e que devem melhorar a qualidade de vida dos feirenses, nos próximos anos. A começar pelo investimento dias atrás apresentado, de R$ 25 milhões, na desapropriação do antigo Hotel Caroá, para construção do Centro Administrativo Municipal. Várias secretarias serão instaladas ali.
Na área de saúde, o maior de todos os investimentos da Prefeitura, para esta atual gestão, é a construção do futuro Hospital Municipal, com mais de 100 leitos. Uma licitação foi realizada na Bolsa de Valores de São Paulo, para selecionar a empresa responsável pela obra física, manutenção dos equipamentos e administração da unidade - a equipe médica e o atendimento em si deverão ser também terceirizados, em outra licitação. Em Humildes, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) está sendo finalizada.
A duplicação da avenida Artêmia Pires, com obras em andamento, solucionará um grave problema de mobilidade na região do bairro SIM, onde mais cresce a cidade, nos últimos anos. Grandes intervenções na área de saneamento, para resolver o alagamento dos períodos chuvosos em vários bairros, estão com recursos garantidos. Um novo parque e recuperação de lagoas são outros compromissos assumidos pelo prefeito. Há, também, o anúncio de um elevado investimento em asfalto em diversas artérias de grande fluxo.
Esperamos que todos estes projetos, do Estado e do Município, se concretizem, efetivamente, e que outros tantos possam ser anunciados. Feira de Santana, esta mãe de dezenas de cidades do seu entorno, é mais que merecedora.
Há um equívoco, segundo analistas locais, em uma estimativa feita por um articulista de Salvador, em seu veículo de comunicação, sobre a votação mínima suficiente, no pleito deste ano, para garantir vaga na Assembleia Legislativa. Segundo estes experientes avaliadores, não faz sentido afirmar que os eleitos com a melhor classificação vão atingir 100 mil votos e os últimos a se elegerem precisarão alcançar pelo menos 70 mil votos.
As opiniões obtidas pela coluna indicam que teremos uma mudança no cenário eleitoral este ano. As federações que foram firmadas e o ostracismo a que estão relegadas diversas legendas, pejorativamente denominadas no meio político de "nanicas", modificam bastante o quadro. Estes partidos pequenos, por exemplo, terão bem menos chances de eleger alguém, em relação a pleitos anteriores.
Assim, 100 mil votos é conta para candidato a deputado federal. Um postulante a cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia que tenha recebido 70 mil votos deverá estar com sua vaga assegurada e entre os primeiros colocados. A perspectiva, por exemplo, para a federação União Brasil/Progressistas, de acordo com estes especialistas locais, é de eleição para aquele candidato que atingir entre 35 e 45 mil votos.
Persistente em seu sonho de chegar à Assembleia, o vereador Lulinha já obteve mais de 14 mil votos, em tentativa anterior. Ele está otimista de que, agora, consiga ultrapassar a casa dos 35 mil e, assim, se posicionar entre os eleitos. Prestígio entre as principais lideranças não lhe falta. Em encontro realizado recentemente para lançar sua pré-candidatura, que reuniu em torno de mil pessoas, lá estavam ACM Neto e Zé Cocá, candidatos a governador e vice pelo seu grupo, o prefeito Zé Ronaldo, os candidatos ao Senado João Roma e Ângelo Coronel, o presidente do União na Bahia, deputado federal Jairo Azzi e várias outras importantes lideranças regionais.
A Secretaria de Segurança Pública da Bahia anunciou nas últimas horas uma estatística sobre mortes violentas (homicídios, latrocínios e lesões dolosas seguidas de morte) no Estado, de janeiro a maio de 2026, comparado com o mesmo período do ano passado. O Governo comemora os dados, porque indicam uma redução dos números em Salvador e em várias grandes cidades, inclusive Feira de Santana. Particularmente, neste município, porém, a situação não é tão otimista, quando comparamos os percentuais com outras praças.
Vejamos: a queda mais significativa ocorreu em Eunápolis, no Extremo Sul do Estado, 58,6%. em Juazeiro, norte da Bahia, a queda também foi expressiva, 49%. Em seguida, Camaçari, na Região Metropolitana, alcançou 41,8%, enquanto Jequié, região do Médio Rio de Contas, 28,6%. A nossa Feira de Santana atingiu 12,9%, na última posição deste rânking. Se na Bahia como um todo, a redução registrada dos chamados crimes graves contra a vida registrada é de 20,3%, a Princesa do Sertão ficou bem distante desta média estadual.
Bem, se não há muito a comemorar, tambem não há motivo para desespero, pois é muito melhor uma diminuição, por menor que seja, do que o aumento das mortes violentas. Quem está bem, neste momento, é Eunápolis, que conseguiu reduzir em mais da metade o número de homicídios. No caso de Feira de Santana, é como se reduzisse 12 mortes, de um total 100.
Há que se observar, outras cidades baianas de elevado índice de assassinatos não aparecem na divulgação positiva feita pelo Governo, o que deixa transparecer que nem todas as praças mais perigosas lograram êxito neste primeiro semestre. É o caso de Simões Filho, com 71,4 mortes por 100 mil habitantes, quarto mais perigoso município do Estado; Santo Antônio de Jesus, o sétimo, 57,7 mortes a por 100 mil habitantes; e Ilhéus, oitavo, com 54 mortes por 100 mil habitantes.
As principais alavancas para esta melhora, que podemos considerar razoável, apenas, seriam, segundo o secretário de Segurança Pública, Marcelo Werner: a integração das forças policiais e as ações do Bahia Pela Paz - este último um programa do governo estadual focado na prevenção e redução da violência letal, especialmente entre crianças, adolescentes, jovens em situação de vulnerabilidade social e suas famílias.
Reforçando a tese de que o quadro segue bastante grave nesta cidade, o número de presos fugitivos dobrou em Feira de Santana em seis meses. Os dados do levantamento feito pelo Banco Nacional de Medidas Penais e Prisão foram divulgados pelo jornalista Marcílio Costa, que mantém uma excelente coluna diária de informação e opinião nas redes sociais. Há 30 mandados de recaptura ativos no município. Em dezembro eram 16. Aumento de 87,5%. Observa o colunista que esse tipo de mandado é expedido para quem já passou pelo sistema prisional e precisa ser localizado para retomar o cumprimento de pena.
Mais grave ainda, no mesmo levantamento, segundo Marcílio, é que o Conselho Nacional de Justiça acusa 653 mandados de prisão em aberto em Feira de Santana. Isto acontece quando um juiz emite ordem de prisão e a polícia judiciária ainda não conseguiu cumpri-la. Nesse caso, são centenas de indivíduos que deveriam estar na cadeia, mas se encontram em liberdade, representando as mais diversas ameaças contra a sociedade.
Setenta mil votos. De acordo com analistas, este é o número
mínimo a ser alcançado para quem pensa em se eleger a deputado estadual pelo
União Brasil, na Bahia. Convenhamos, não vai ser uma tarefa nada fácil para a
maioria dos candidatos. O vereador Lulinha, vitorioso na Câmara Municipal de
Feira, onde já cumpre o quinto mandato, mais uma vez (a terceira, salvo
engano), vai tentar uma vaga na Assembleia Legislativa.
O lançamento de sua pré-candidatura aconteceu no fim de
semana em um evento grande, que reuniu algumas centenas de pessoas, no bairro
Conceição. Prestigiado, contou com as presenças de ACM Neto e Zé Cocá, os
pré-candidatos a governador e vice da oposição, o prefeito Zé Ronaldo,
pré-candidatos ao Senado João Roma e Ângelo Coronel, entre outras
personalidades. Faltou o deputado federal Gabriel Nunes, aliado de Lulinha.
"Não pôde vir. Vamos fazer outro encontro, com sua
participação", ele justificou.
O vereador, é claro, está otimista. Disse que todas as lideranças mais influentes do grupo político que integra estão, agora, sabendo do seu potencial. De fato, ele conseguiu juntar todo mundo. Foi um encontro de peso, que mostra a força de Lulinha em nível local. Vai precisar "correr trecho", como se diz, para buscar uma boa quantidade de votos em outros municípios. Não é um dos favoritos, mas, quem sabe?
O pré-candidato a governador pela oposição, ex-prefeito de
Salvador, ACM Neto, anunciou em Feira de Santana a sua estratégia para atacar o
grave problema da regulação hospitalar, sem dúvida um dos maiores problemas de
saúde pública na Bahia. Ele esteve na cidade, no último domingo, para
participar de ato de lançamento da pré-candidatura a deputado estadual do
vereador Lulinha, do seu partido, o União Brasil.
Em entrevista ao portal Acorda Cidade, ACM Neto afirmou que a
forma "da gente enfrentar essa vergonha que se tornou a fila da regulação
na Bahia é construindo novos hospitais". Em seguida, fez possivelmente seu
primeiro compromisso com Feira de Santana: "Me comprometo de construir
(nesta cidade) o maior hospital regional do interior do Nordeste do Brasil”.
“Muitas pessoas (de dezenas de cidades) são encaminhadas aqui
para Feira de Santana", disse ACM Neto, ao justificar a construção, neste
município, de uma grande unidade hospitalar. A necessidade não se discute. É
gigantesca a dificuldade que os baianos enfrentam para encontrar vaga, quando
precisa de atendimento hospitalar especializado, de alta complexidade.
A construção de mais hospitais regionais pode não ser a única
medida a ser adotada na busca da solução para o questionado serviço de
regulação de vagas. A análise compete aos especialistas em atendimentos de
urgência e emergência na rede pública. No entanto, certamente, é uma das ações
mais importantes no enfrentamento deste desafio.