O que faz um político importante, em uma campanha eleitoral, se ele não pretende ser candidato a coisa alguma? Neste pleito que se avizinha, as candidaturas possíveis são para presidente da República, governador, vice-governador, senador, deputado federal e deputado estadual. Quem pretende disputar um desses cargos, está na briga, em contato com lideranças, se articulando por legenda, buscando apoios. Mas como segue a vida daqueles que, por exemplo, cumprem mandato e não pretendem desincompatibilizar-se do cargo para concorrer a outro?
Continua administrando o município, no caso de um prefeito, se mantendo alheio a toda a movimentação em torno de si mesmo ou de companheiros de batalha, ou vai pra guerra, em defesa destes e de suas causas? Ficar parado, vendo as estrelas, não parece ser a opção. É arregaçar a manga e partir pra cima, até porque, comandando uma máquina poderosa, não tem o direito de se excluir do processo, salvo motivações excepcionais. Não disputar coisa alguma dá ao chefe do Executivo a capacidade de girar 360 graus, o que amplia o olhar sobre seus movimentos.
O prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, acertadamente, reafirmou para a imprensa, esta semana, que vai cumprir o mandato, que se encerra somente em 31 de dezembro de 2028, como comprometeu-se na campanha em que se elegeu pela quinta vez para comandar os destinos desta cidade. Ele já havia se afastado uma vez da Prefeitura, para disputar o Governo do Estado, em abril de 2018, restando dois anos e meio de gestão pela frente. Seu vice, Colbert Martins Filho, assumiu o poder e foi reeleito em 2020.
Aquela foi a terceira vez, na história da cidade, que um prefeito renunciou para disputar outro cargo. Antes, João Durval deixou a Prefeitura para também se candidatar a governador. Assim como Ronaldo, terminou derrotado em sua cobiça para chegar ao Palácio de Ondina. A primeira vez que um fato como este ocorreu foi nos anos 1980, quando Colbert Martins, o pai, saiu do Paço Municipal para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa, logrando êxito. A curiosidade é que, nos dois casos anteriores, o vice José Raimundo Azevedo ascendeu à titularidade.
Qualquer que lhe fosse o convite, não ficaria bem para Ronaldo, novamente, deixar a Prefeitura, especialmente com a palavra que empenhou em sentido contrário. Ainda mais que não parece haver nenhum "cavalo selado" passando em sua porta. Parado, no entanto, não vai ficar, como deixou muito claro várias vezes, ao expressar, coerentemente, o desejo de apenas tratar de política em 2026, focando exclusivamente na gestão, durante o primeiro ano de governo.
Bem verdade que sua proximidade, além da habitual, com o governador e adversário político Jerônimo Rodrigues, transpareceu algo além do relacionamento institucional, na temporada que se encerrou. Os observadores até podem achar que, sim, teve um pouco de política, mas a argumentação do prefeito é bem articulada e não permite nada mais do que especulações. O seu estilo não é de ficar apenas acompanhando um processo como este, sem participar. Como ele próprio admite sempre, respira política 365 dias por ano. Deverá entrar em cena com o destaque que detém.
Assim, pedirá voto para seus candidatos em cada segmento desta eleição, de presidente a deputado estadual. A definição sobre quais nomes ele vai priorizar, por exemplo, para a Assembleia Legislativa e Câmara Federal, é bastante aguardada. Para os cargos executivos, como se diz no futebol, a partida está aberta e tudo pode acontecer. Há quem aposte em seu apoio a ACM Neto, que o golpeou quatro anos atrás, e os que acreditam em uma "resposta" dele ao ex-prefeito de Salvador, que poderia vir através de um cruzar de braços ou até mesmo algo radical, aliança com a oposição.
O ano novo chegou e Ronaldo, cumprindo o que preconizou, já dá sinais de que vai atuar fortemente, ocupando lugar entre os protagonistas, dado ao peso do seu nome, e de Feira de Santana. O encontro com Geddel causou um frisson. Analistas políticos tentam, mas não conseguem desvendar o segredo do que conversaram. Novos movimentos devem ocorrer neste jogo de xadrez em que o prefeito de Feira tem influência semelhante ao da dama ou rainha no xadrez. Qual será a sua próxima ação? Não esqueçamos, ele é uma peça do jogo capaz de se mover para frente ou para trás, pelos lados ou diagonais. Também consegue atacar e defender ao mesmo tempo.
Assunto que predomina, esta semana, nos meios políticos, o encontro entre o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, com o ex-ministro Geddel Vieira Lima, na residência do comandante-em-chefe do MDB baiano, na capital, vem aguçando a curiosidade dos articulistas políticos. O assunto está em todos os sites e blogs do Estado. A reunião tem sido tratada como algo que pode, efetivamente, deixar de olhos bem atentos o governador Jerônimo Rodrigues e aliados, o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, e os senadores Jaques Wagner, Otto Alencar e Ângelo Coronel. Também aumenta a tensão de ACM Neto, principal opositor do PT no Estado.
O convite para o encontro provavelmente partiu de Geddel, visto que ocorreu em sua residência. Uma conclusão parece ser óbvia: a conversa, amplamente divulgada pela mídia, foi um "evento" milimetricamente estudado, em todas as suas nuances, pelos dois experientes políticos. Ou seja, nada é por acaso neste acontecimento, talvez o mais fustigante deste início de ano.
Geddel deve estar sentindo cheiro de fumaça no ar, com toda essa lambança protagonizada pelo PT na formação da chapa para o Senado, em que Ângelo Coronel seria defenestrado para dar espaço a alguém maior que ele, o ministro Rui Costa, podendo sobrar para o MDB caso negociações passem pela vaga de candidato a vice-governador. Geraldo Júnior seria sacrificado. Os Vieira Lima já se anteciparam na imprensa, afirmando que não existe possibilidade de o partido perder esse espaço, visto que foi conquistado na eleição de 2022.
Um encontro tão badalado com Ronaldo, ao mesmo tempo um aliado do carlismo, ao mesmo tempo pretensamente um nome disputado por Jerônimo, cai como uma luva para Geddel. Os petistas ficam sem saber o que os dois pesos-pesados podem estar articulando. Uma das mensagens que ficam é o interesse do general do MDB da Bahia de mostrar a Jerônimo, Wagner e Ruy que não convém colocar em dúvida a manutenção do vice-governador Geraldo Júnior na chapa governista.
Esta deve ter sido a ideia de Geddel. Mas e se o objetivo for outro, ele representar Jerônimo em um diálogo com Ronaldo, nome publicamente cobiçado pelos governistas para formar uma aliança no pleito vindouro? Esta não é a maior das possibilidades, mas não pode ser descartada e, justamente por isto, se tivesse barba, o pré-candidato a governador pela oposição, ACM Neto, a colocaria de molho, imediatamente. O encontro pode, sim, aumentar a tensão, também, deste outro lado do campo de jogo.
Neto anda desconfiado de enfrentar problemas com Ronaldo desde que trocou o ex-prefeito, que a Bahia apostava em ser seu companheiro de chapa na eleição de 2022, por uma ilustre desconhecida diretora de televisão de Salvador, ação equivocada e, na opinião de muitos, um dos fatores determinantes para a sua derrota nas urnas, mesmo considerado favorito até os últimos dias da campanha.
Então, o ex-prefeito de Salvador deve sentir calafrios toda vez que Ronaldo e Jerônimo trocam afagos. Claro, também, diante deste inesperado encontro de duas horas com Geddel para uma longa conversa, segundo o ex-ministro, "sobre o cenário da política na Bahia e no Brasil, encontro entre amigos para uma troca de ideias". Nada definitivo, disse ainda Geddel, "não se tratou sobre a vinda dele para o MDB". Evidentemente, discurso bem combinado entre eles para a imprensa digerir. Ronaldo e Geddel, é óbvio, fizeram este encontro cientes cientes do tamanho da repercussão e coube ao ex-ministro, reconhecidamente mais midiático, levantar a bola para os jornalistas. O que ele fez com maestria.
Uma boa análise do colega colunista André Pomponet me provoca a escrever algo mais sobre o imbróglio envolvendo a chapa majoritária governista, a ser encabeçada pelo governador Jerônimo Rodrigues, em busca da reeleição. O tema será um dos mais presentes no noticiário político deste começo de ano, certamente, na Bahia. Tudo poderia estar pacificado, não fosse o desejo do ministro e ex-governador de dois mandatos, Rui Costa, de se tornar senador. Jaques Wagner, o outro grande cacique petista, já anunciou que ele e Rui devem ser os candidatos do grupo para a Câmara Alta, formando uma dupla "puro-sangue".
Com isto, Ângelo Coronel, senador e pré-candidato à reeleição, é desalojado de onde se encontra. Rui arrebenta a porta, pois o ex-prefeito de Coração de Maria e ex-presidente da Assembleia Legislativa é quem deveria ter a preferência, por estar cumprindo mandato. Muito bem. Este fim de semana, o também senador Otto Alencar declarou ao "Política Livre" que Coronel, seu parceiro do PSD, só não será candidato se não quiser. Disse isto exatamente com estas palavras, não deixando dúvida nem mesmo para quem não é bom entendedor.
Não me recordo se Otto já havia se referido assim antes, sobre o direito à candidatura de Coronel. Ele parecia até certo ponto conformado com a ausência do seu compadre entre os postulantes ao Senado no próximo pleito, especialmente depois que o deputado federal Otto Filho foi ungido conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, algo que, não há como negar, sugere uma compensação ao seu consentimento.
Mas não ficaria bem, muito pelo contrário, Otto silenciar diante da inanição de Coronel pelas hostes petistas, sonho que certamente sonharam Wagner e Rui, principalmente este. Ele, então, encontrou uma saída honrosa para si, até porque, para preservar sua biografia de aliado fiel, não lhe restaria outra alternativa: propor a tal candidatura "avulsa" de coronel, pelo PSD. Wagner, Rui e Coronel juntos por Lula e Jerônimo, mas disputando entre si as duas vagas no Senado, tendo no páreo, ainda, um ou dois candidatos do lado do pretenso adversário de Jerônimo, ACM Neto.
Lula e Jerônimo não deveriam meter a colher neste choque, aparecer na televisão pedindo votos para Rui e Wagner, porque isto não seria um ato de cordialidade com Otto e Coronel, aliados fiéis de ambos. Otto teria a obrigação de ajudar Coronel nas 115 prefeituras comandadas pelo PSD, o partido deles. E de tentar agregar algo mais em cidades dirigidas pelo PT, para buscar competir em pé de igualdade com Rui, que por sua vez atacaria com todo arsenal possível o apoio desses municípios pessedistas. Poderemos ter, na campanha eleitoral que se avizinha, uma verdadeira guerra fraticida. Ou não, como diria mestre Caetano.