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Em Salvador acabou o tumulto de ambulantes na avenida Sete

Glauco Wanderley - 15 de Abril de 2016 | 15h 51
Em Salvador acabou o tumulto de ambulantes na avenida Sete

A imagem desta página dá uma dimensão do que foi feito na avenida Sete de Setembro, em Salvador, num dos lugares historicamente mais bagunçados pela presença de um comércio desordenado. Agora não há nenhum camelô à vista, apesar de todo o espaço existente na praça do Relógio de São Pedro.

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Eles estão ali, bem próximos, inclusive em duas ruas vizinhas que vão dar na praça. Mas contidos dentro da área demarcada em comum acordo com a prefeitura. Desde o final do ano passado vem funcionando desta forma, mas há um trabalho permanente de vigilância e manutenção.

A secretária de Ordem Pública da capital, Rosemma Maluff, explicou em entrevista à Tribuna Feirense que o processo envolveu muitas obras na região (drenagem, novo calçamento, reforma das praças) e foi todo negociado com as pessoas que trabalhavam na área. “Montamos um comitê gestor para o ordenamento, convidamos os ambulantes para fazer parte do processo. Nenhuma decisão veio de cima pra baixo”, registra a secretária. Mesmo assim foi um processo que durou dois anos.

Inúmeras reuniões ocorreram, onde a prefeitura ouviu e acatou sugestões diversas, mas sem demagogia. “Eu sempre coloquei que não existia o bom pra todo mundo. Ambas as partes iam ter que ceder. Tanto a prefeitura quanto eles”, explicou. Uma das sugestões acatadas foi o fechamento da Rua da Forca para a passagem de veículos, criando-se mais um local para abrigar camelôs.

Que a propósito estão literalmente abrigados, já que no projeto da prefeitura foram incluídas uma cobertura e iluminação, de modo que as mercadorias não se molham caso chova e há claridade mesmo quando as condições naturais não favorecem.

Não virou um mar de rosas. A secretária reconhece que a manutenção dá mais trabalho que a arrumação. É possível ver que alguns resistem e caminhando pela avenida nota-se uma banca aqui outra ali ou alguém que estende as mercadorias num pano, para correr caso aviste o “rapa”.

Rapa, aliás, é um nome que Rosemma quer extinguir. Ela defende uma relação mais amigável possível com os camelôs e chama o pessoal da secretaria de agentes de fiscalização, garantindo que são profissionais concursados e qualificados, que incluem advogados e enfermeiras, que procuram manter o diálogo com quem trabalha nas ruas. Rosemma diz que participa diretamente de um grupo de Whatsapp com os camelôs, que enviam solicitações a ela sobre qualquer situação que enfrentem, como por exemplo uma lâmpada queimada na cobertura das barracas. Quanto aos que ainda insistem em vender onde não pode, ela afirma que agora a determinação é apreender a mercadoria.

Afinal, é preciso suar a camisa para manter organizado um espaço em que ambulantes se instalavam no meio fio de carro, abrindo o fundo para transformar em loja móvel, e onde também os próprios lojistas botavam uma banca na porta da própria loja, para competir com o camelô, tirando todo o espaço do pedestre, que era obrigado a competir com os veículos na rua pelo asfalto.

Com a mudança, quem ficou feliz foi Renato Araújo, que cria as vitrines de uma loja de confecção. “Se a pessoa era obrigada a andar na rua, ela nem via a vitrine. E se visse não entrava, porque tinha que atravessar a calçada. Agora passou a entrar muito mais gente”, diz satisfeito. Mesma opinião da vendedora Irani Cruz, de uma loja de calçados bem em frente à praça do Relógio, que teve a frente liberada após a arrumação. “Os camelôs na frente impediam da pessoa passar”, lembra.

Outro aspecto a ser festejado é a melhoria da segurança. “Os ladrões se aproveitavam do tumulto para roubar, correr e sumir rápido no meio da multidão”, comenta a gerente de loja Célia Almeida.

Entre os ambulantes o entusiasmo não é o mesmo. Notam-se alguns espaços desocupados. “O ponto não é bom, porque passa pouca gente. Fica porque sou forçada”, admitiu Margarida, alojada em uma transversal. “Quem era da avenida Sete não ficou aqui. Foi atrás de outro lugar pela cidade”, entrega a ambulante Terezinha, que conseguiu permanecer no mesmo ponto de sempre, noutra transversal e até comemorava a nova estrutura, agora coberta.

A satisfação é partilhada pelo feirense de Ipuaçu, Joaquim Santos, que há mais de 30 anos comercializa na rua em Salvador. “ACM Neto é o melhor prefeito do Brasil. Ninguém nunca fez o que ele fez aqui”, exaltou.

Mas o colega Antonivaldo da Paixão, mesmo em um ponto mais movimentado que o dele, confessa uma certa saudade do estado anterior à organização. “Camelô vende mesmo é quando tá se batendo com o povo”, onde tem mais movimento”, argumentou, invejando o lado oposto ao da sua banca, onde os colegas se saem melhor porque passa mais gente. “Eu queria o lado de lá”, suspirou.



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