O diretor de cinema francês Jean-Luc Godard, um dos pioneiros
do movimento conhecido como Nouvelle Vague
(Nova onda, em tradução literal), morreu, nesta terça-feira (13), aos 91 anos.
Aclamado por produções de caráter político e contestatório, seus
filmes romperam as convenções estabelecidas, em 1960, ajudando a dar forma a
uma nova maneira de fazer cinema de arte, ao utilizar câmeras portáteis, cortes
de salto e diálogos existenciais. “Não é de onde você tira as coisas, é para
onde você as leva”, disse, certa vez.
Cultuado por cinéfilos do mundo inteiro, Godard ficou
conhecido por clássicos como “Acossado” e “O Desprezo”. Estas produções ultrapassaram
os limites cinematográficos, inspirando diretores iconoclastas mesmo após
décadas. Tido como gênio do cinema francês, o diretor foi um verdadeiro ícone
revolucionário para muitos cineastas, levando a arte cinematográfica a alcançar
o mesmo status da pintura e da literatura produzidas pelos grandes artistas.
De acordo com a CNN Brasil, em suas redes sociais, o
presidente francês, Emmanuel Macron, referiu-se à vida de Godard como “uma
aparição no cinema francês”. Para o chefe de Estado, o cineasta se tornou um mestre
do cinema. “Jean-Luc Godard, o mais iconoclasta dos cineastas da New Wave, havia inventado uma arte
decididamente moderna e intensamente livre. Estamos perdendo um tesouro
nacional, um olhar de gênio”, aclamou.
Ao longo de sua vida, Godard inspirou diversos cineastas
geniais. Um de seus herdeiros cinematográficos é o cineasta norte-americano Martin
Scorsese, diretor do thriller psicológico “Taxi Driver”, lançado em 1976.
Perturbador, o filme mostra um soldado veterano da Guerra do Vietnã que virou
taxista obcecado pela necessidade de limpar a decadente cidade de Nova York.
O também norte-americano Quentin Tarantino, diretor,
roteirista, produtor, ator e crítico de cinema, autor de filmes renomados, como
“Pulp Fiction” e Cães de Aluguel”, ambos da década de 1990, também se inspirou
no cineasta francês. Conforme lembra a CNN, Tarantino “é frequentemente citado
como membro de uma geração mais recente de tradição de dobra de fronteiras que
Godard e seus companheiros da Margem Esquerda de Paris iniciaram”.
SUICÍDIO ASSISTIDO – Jean-Luc Godard descendia de uma rica
família franco-suíça. Ele nasceu em 3 de dezembro de 1930, no Sétimo
Arrondissement, requintado bairro de Paris. Era filho de um médico e da herdeira
do banqueiro suíço fundador do consagrado Banque Paribas.
O cineasta morreu, pacificamente, em casa, ao lado da mulher,
Anne-Marie Mieville, e de seus entes queridos. À imprensa francesa, ela disse
que o marido teve acesso ao suicídio assistido. A prática é permitida na Suíça
desde 1942.
De acordo com o jornal francês Libération, um membro da família
comunicou que Godard não estava doente, mas que se sentia esgotado. “Foi
decisão dele e é importante que se saiba”, afirmou a fonte.