A Polícia Federal deflagrou, na
manhã desta quinta-feira (4), a segunda fase da Operação Venire, que investiga
a existência de associação criminosa responsável por crime de inserção de dados
falsos de vacinação contra a Covid-19 no Sistema de Informação do Programa
Nacional de Imunizações (SI-PNI) e da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS),
ambos do Ministério da Saúde (MS).
O inquérito inclui a apuração dos
indícios de adulteração no cartão de vacina do ex-presidente Jair Bolsonaro
(PL), que foi indiciado, neste caso, pelo Ministério Público Federal
(MPF).
Por meio de nota, a corporação informou que foram cumpridos
dois mandados de busca e apreensão emitidos pelo Supremo Tribunal Federal
(STF), a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), contra agentes
públicos vinculados aos municípios de Duque de Caxias e Rio de Janeiro.
Segundo a PF, os servidores seriam responsáveis por
viabilizar a inserção de dados falsos de vacinação no sistema do governo. “A
ação tem como objetivo, ainda, buscar a identificação de novos beneficiários do
esquema fraudulento”, diz o documento.
Certificados falsos – A primeira fase da Operação Venire foi
deflagrada em maio de 2023. À época, o tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid,
ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, foi preso. Um dos mandados de busca e
apreensão foi cumprido na residência do ex-presidente, em Brasília.
O inquérito aponta que o cartão de vacina de Bolsonaro; da
filha dele, Laura; e de Mauro Cid foram fraudados. De acordo com a Agência
Brasil, a falsa imunização teria sido feita na Unidade Básica de Saúde (UBS) do
Parque Peruche, em São Paulo, no dia 19 de julho de 2021.
No entanto, conforme a Prefeitura Municipal de São Paulo
(PMSP), apesar de haver registro no sistema, com o CPF de Bolsonaro, a UBS
nunca atendeu o ex-presidente, nem recebeu o lote da vacina citado no registro.
Além disso, a profissional registrada como vacinadora nunca trabalhou na
unidade mencionada.
Na ocasião, o Ministério da Saúde detalhou que todas as
informações inseridas no sistema de registro de imunizações do Sistema Único de
Saúde (SUS) são rastreáveis e feitas mediante cadastro. A pasta destacou,
também, que não houve relato de invasão externa ou de acesso sem cadastro ao
sistema, no período investigado pela PF.
Agora, na nova fase da operação, segundo
reportou a Folha de S.Paulo, entre os alvos estão Washington Reis, secretário Estadual
de Transportes e ex-prefeito de Duque de Caxias, e Célia Serrano, secretária Municipal
de Saúde.