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Saúde

MS converte estratégia de combate ao Aedes aegypti com larvicida em política nacional

10 de Julho de 2024 | 10h 12
MS converte estratégia de combate ao Aedes aegypti com larvicida em política nacional
Foto: Paulo Whitaker/Reuters

Com o objetivo de reduzir a população de insetos, sobretudo nas grandes cidades, o Ministério da Saúde (MS) estabeleceu a ampliação da estratégia criada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para combate ao mosquito Aedes aegypti, vetor de arborviroses como a dengue, a zika e a chikungunya.

Por meio de nota, o órgão destacou que a expectativa é de que a transformação da medida em política pública de abrangência nacional contribua para reduzir as populações do inseto, principalmente em cidades maiores.

Segundo a Agência Brasil, a estratégia envolve as chamadas Estações Disseminadoras de Larvicidas (EDLs). A técnica consiste na instalação de potes com 2 litros de água parada em locais onde há proliferação do mosquito. Com isso, as fêmeas da espécie se sentem atraídas para colocar seus ovos nas armadilhas.

No entanto, antes de alcançarem a água, elas são surpreendidas pelo tecido sintético que recobre os potes e que está impregnado do larvicida piriproxifeno. Esta substância adere ao corpo do inseto e eles acabam levando o larvicida para os próximos criadouros que encontrarem, afetando, assim, o desenvolvimento dos ovos e das larvas neles depositados.

Editada, há duas semanas, pela Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, a nota informativa 25/2024 estabelece que o fluxo para a adoção das EDLs envolve cinco etapas: manifestação de interesse do município; assinatura de acordo de cooperação técnica com a pasta e com a Fiocruz; validação da estratégia com a secretaria de saúde do respectivo estado; realização de capacitações com os agentes locais; e monitoramento da implementação.

A estratégia, diz a Agência Brasil, deverá ser expandida, de forma gradativa, pelo país, levando em conta a capacidade dos envolvidos nas três esferas governamentais: nacional, estadual e municipal. Inicialmente, o trabalho contempla 15 cidades, que foram escolhidas com base em critérios como: população superior à 100 mil habitantes; alta notificação de casos de dengue, chikungunya e zika nos dois últimos anos; alta infestação por Aedes aegypti; e disponibilidade de equipe técnica operacional de campo.

As Estações Disseminadoras de Larvicidas são uma inovação desenvolvida por pesquisadores da Fiocruz que atuam no Laboratório Ecologia de Doenças Transmissíveis na Amazônia (EDTA). Os estudos para avaliar a estratégia começaram a ser financiados pelo Ministério da Saúde em 2016.

Na ocasião, a pasta passou a buscar novas possibilidades para o controle das populações de Aedes aegypti em meio à eclosão de uma epidemia de zika. Testes realizados, até 2022, em 14 cidades brasileiras, de diferentes regiões do país, registraram bons resultados.

Os pesquisadores apontam que as fêmeas visitam muitos criadouros, colocando poucos ovos em cada um. O estudo mostra que aquelas que pousam na armadilha, acabam disseminando o larvicida em um raio que pode variar entre 3 e 400 metros.

Com isso, destaca a Agência Brasil, os cientistas consideram que a estratégia permite superar algumas barreiras enfrentadas por outros métodos de combate às populações de mosquitos. Isto porque como é o próprio inseto que propaga o larvicida, é possível alcançar criadouros situados em locais inacessíveis e indetectáveis, como dentro de imóveis fechados e em áreas de difícil acesso nas comunidades com urbanização precária.

Além disso, a técnica se mostrou propícia para galpões de catadores de materiais recicláveis, onde há muitos recipientes com potencial para acumular água parada, mas que nem sempre são facilmente encontrados.

Novas tecnologiasEsse tipo de armadilha já havia sido citado, em 2023, em outra nota informativa do Ministério da Saúde. No documento, o órgão recomendava a adoção de cinco novas tecnologias no enfrentamento às arboviroses em municípios acima de 100 mil habitantes.

Além das Estações Disseminadoras de Larvicidas, foram mencionadas mais quatro tecnologias. Para o monitoramento da população de mosquitos, recomendava-se o uso das ovitrampas, armadilhas voltadas à captura dos insetos, que permitiam avaliar, de tempos em tempos, se houve aumento ou redução nas populações presentes em cada área.

A borrifação residual intradomiciliar, que envolve aplicação de inseticida, foi indicada nos casos de grande infestação em imóveis especiais e de grande circulação de pessoas, a exemplo de escolas, centros comunitários, centros de saúde, igrejas e rodoviárias. Já a técnica do Inseto Estéril por Irradiação (TIE) pressupunha a liberação de grande número de mosquitos machos estéreis que, ao copularem com as fêmeas, produzirão ovos infecundos.

Por fim, também foi recomendado o uso do Método Wolbachia, cuja implantação no Brasil vem sendo estudada desde 2015, também sob coordenação da Fiocruz. A técnica, que surgiu na Austrália e está presente em diversos países, envolve a introdução de uma bactéria nos insetos. Esta é capaz de bloquear a transmissão dos vírus aos seres humanos durante a picada.

Ainda segundo a Agência Brasil, a nota informativa emitida, no ano passado, pelo Ministério da Saúde previa que a implantação dessas tecnologias exigia um plano de ação municipal e uma definição das áreas prioritárias, a partir da prévia identificação das características epidemiológicas e socioambientais de cada território. "Cabe destacar que as metodologias podem ser combinadas entre si, considerando os cenários complexos de transmissão das arboviroses e seus determinantes, objetivando maior efetividade e melhores resultados", diz o texto.

O órgão destaca, entretanto, que a adoção de novas tecnologias não pressupõe o abandono das intervenções tradicionais, que dependem não só da mobilização de agentes públicos, mas também da cooperação da população.

O documento prevê que as ações de educação visando à eliminação do acúmulo de água parada no interior dos imóveis, bem como as visitas dos órgãos sanitários para identificar focos, continuam sendo consideradas essenciais.



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