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Saúde

Segundo estudo, nova cepa de febre Oropouche se replica 100 vezes mais rápido

05 de Agosto de 2024 | 16h 22
Segundo estudo, nova cepa de febre Oropouche se replica 100 vezes mais rápido
Foto: Sociedade Brasileira de medicina tropical / Divulgação

Um artigo divulgado no repositório medRxiv destacou que a atual epidemia de febre oropouche tem o potencial de se replicar até 100 vezes mais do que o surto ocorrido na década passada e possui a capacidade de evadir parte da resposta imune. A pesquisa revelou também um aumento quase 200 vezes na incidência de casos em comparação com a última década.


De acordo com o estudo, a doença apresentou um crescimento significativo de casos entre novembro de 2023 e junho de 2024 no Brasil, Colômbia, Peru e Bolívia. No Brasil, foram detectadas infecções em estados que anteriormente não eram considerados endêmicos.


A investigação sobre o retorno desses casos foi realizada por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade de Kentucky, da Universidade do Texas (Estados Unidos), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), do Imperial College London (Reino Unido) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Conforme publicado pela Agência Fapesp, os cientistas combinaram dados genômicos, moleculares e sorológicos de OROV coletados entre 1º de janeiro de 2015 e 29 de junho deste ano.


O primeiro passo da pesquisa envolveu a realização de testes PCR em um grupo de 93 pacientes do Amazonas com febre não identificada e negativos para malária, entre dezembro de 2023 e maio de 2024. O resultado foi positivo em cerca de 10,8% dos casos, e o soro de sete pacientes foi isolado em culturas de células.


Essas amostras isoladas foram então usadas para analisar a capacidade de replicação do vírus em diferentes células. Também foi avaliada a capacidade dos vírus de serem neutralizados por anticorpos presentes no soro de camundongos previamente infectados com o OROV e de humanos convalescentes de linhagens anteriores diagnosticados com a doença.


Para isso, foi realizado um teste de neutralização por redução de placas (PRNT50), que mede a redução do número de partículas virais viáveis formadas após incubação com diferentes diluições do soro dos pacientes ou dos camundongos.


“Percebemos que o novo OROV apresenta uma replicação aproximadamente cem vezes maior em comparação com o protótipo”, explica Gabriel Scachetti, pesquisador do Laboratório de Estudos de Vírus Emergentes (Leve) da Unicamp e um dos autores do estudo.


“Também infectamos camundongos com as duas cepas e constatamos que o vírus antigo não oferece proteção contra o novo – a redução na capacidade de neutralização foi de pelo menos 32 vezes”, completa Júlia Forato, pesquisadora do Leve.



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