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Saúde

Campanha alerta sobre perigo da presença de nódulos no pescoço, axilas e virilhas

21 de Agosto de 2024 | 13h 42
Campanha alerta sobre perigo da presença de nódulos no pescoço, axilas e virilhas
Foto: Reprodução

A campanha Agosto Verde-Claro alerta a população brasileira sobre o linfoma, um dos dez tipos de câncer mais frequentes no país e que afeta o sangue, causando, dentro outros sintomas, febre sem motivo, no final do dia; suores noturnos; e perda súbita de peso.

Especialistas apontam que, em 2024, deverão ser registrados 15.120 casos da doença. No entanto, a boa notícia é que o linfoma pode ter grandes chances de recuperação e cura. Mas isto depende, necessariamente, de diagnóstico e tratamento precoces.

Para tanto, é preciso que as pessoas sempre estejam atentas ao principal sinal inicial da doença: o surgimento de caroços indolores em qualquer lugar do corpo, como pescoço, virilhas e axilas. Estes podem gerar desconforto.

O Agosto Verde-Claro é uma iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade procura ampliar o conhecimento da população acerca do linfoma, como forma de prevenir o agravamento dos casos. “Se o paciente tem um nódulo na axila, no pescoço ou na virilha, é preciso saber se isso está associado a algum quadro infeccioso ou não. Se ele está gripado, resfriado, tem alguma infecção local, esse gânglio, provavelmente, é uma seqüela”, afirma a hematologista Renata Lyrio, que integra o corpo médico do setor de Oncologia da Rede D’Or, maior empresa de saúde privada da América Latina.

Conforme a especialista, “se a pessoa tem uma dor de dente e aumentou um linfonodo no pescoço; se o paciente fez a barba e se cortou; se depilou a axila e apareceu um linfonodo que cresceu de forma rápida e está dolorido; e se tem infecção naquele local, provavelmente, é um quadro infeccioso”, diferencia.

Para ela, é importante procurar um oncologista quando há um linfonodo e o paciente não tem nenhuma queixa infecciosa ou se houve o crescimento de forma espontânea e o aumento é progressivo. Se o quadro vier acompanhado de febre e perda de peso, diz ela, a atenção deve ser redobrada. “Se a pessoa se sente doente, indisposta, também é sinal de alerta”, adverte.

Renata Lyrio ressalta que, nos últimos anos, houve grandes avanços no tratamento da doença. No início de 2024, por exemplo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o Epcoritamabe, anticorpo biespecífico para tratar um tipo agressivo de câncer do sangue: o linfoma difuso de grandes células B recidivado (que voltou) ou refratário (que não melhora com as terapias disponíveis).

Esse, afirma ela, é o subtipo mais comum dos linfomas não Hodgkin, que responde por 30% dos casos da doença. Os anticorpos biespecíficos são uma nova classe de medicamentos, criados por engenharia genética. “Essa terapia possui dois braços. Um deles se liga ao tumor e o outro a células T do sistema imunológico, fazendo com que elas ataquem as células cancerígenas. Em pouco tempo, a droga será aprovada para linhas mais precoces de tratamento e para outros tipos de linfoma, como o linfoma folicular e o linfoma do manto”, destaca.

De acordo com a hematologista, o linfoma é um termo genérico para designar um grupo de tumores que se originam nas células brancas do sangue (linfócitos) e se desenvolvem nos gânglios linfáticos (linfonodos). Eles se dividem entre linfoma de Hodgkin e não Hodgkin.

O primeiro responde por cerca de 20% dos casos da doença e acomete, sobretudo, adolescentes e jovens (dos 15 aos 25 anos), com um segundo pico de frequência em idosos (com mais de 75 anos). É um linfoma de bom prognóstico e associado a uma alta chance de cura.

O linfoma não Hodgkin compreende 50 neoplasias diferentes, que ocorrem em crianças, adolescentes e adultos, tornando-se mais frequente à medida que as pessoas envelhecem. Segundo a literatura médica, 85% dos linfomas não Hodgkin afetam as células B, cuja função é produzir anticorpos contra antígenos. Os outros 15% afetam as células T, que destroem micro-organismos e células anormais e regulam a atividade de outras células do sistema imunológico.

Conforme a classificação, os linfomas podem ser agressivos, crescendo e se espalhando rapidamente, o que demanda tratamento imediato. Ou indolentes, que aumentam e se disseminam lentamente e que, apesar de dispensarem tratamento em caráter emergencial, devem ser acompanhados por um hematologista.

O tratamento dos linformas é feito com quimioterapia, imunoterapia, terapia-alvo radioterapia, transplante de células-tronco, cirurgia ou terapia celular, conhecida como CAR-T- cell (sigla em inglês para receptor antigênico quimérico de células T).

 

 

*Com informações da Agência Brasil.



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