Uma família baiana denunciou a equipe médica da Maternidade
Maria da Conceição Jesus, situada no bairro de Periperi, subúrbio de Salvador,
de negligência, após grávida dar entrada na unidade, ser liberada depois de
atendida e perder o bebê.
De acordo com o g1 BA, Bruno Araújo, pai da criança, afirmou
que, no último dia 3, a companheira dele, Franciely Rodrigues, então com 40
semanas de gestação, foi levada à maternidade por causa de dores na barriga.
Na ocasião, eles perceberam que o bebê se mexia muito, no
ventre da mãe, de forma não habitual. "A doutora fez o exame de toque e
disse que ainda não tinha dilatação e estava tudo bem. Ela disse que a gente
podia ir para casa, mas questionamos. Perguntei por que não iria fazer um
ultrassom e ela disse que o exame cardiotocografia era melhor", relatou
Bruno.
No dia seguinte, conforme o pai do bebê, Franciely fez mais uma
consulta pré-natal e, durante o exame, foi constatado que o coração da criança
não batia. Com este diagnóstico, eles decidiram voltar à maternidade.
Na unidade, o marido de Franciely disse que insistiu para que
a mulher fosse melhor examinada. "Eu falei que a mãe estava com dores e
ainda ficaram fazendo várias perguntas. Questionei a equipe médica do que
poderia ter acontecido e falaram que a placenta não estava deslocada, não havia
cordão umbilical no pescoço do bebê, o que encontraram foi pouco líquido
amniótico. Falaram que isso poderia ter sido visto no ultrassom no dia
anterior", frisou.
Franciely seria mãe pela segunda vez. Ela já tem um filho de
7 anos, fruto de um relacionamento anterior. Mas esta seria a primeira vez que
Bruno, o companheiro dela, seria pai. Segundo ele, a criança seria como um
presente de aniversário, data celebrada dias antes. Mas os planos do casal
acabaram em tragédia.
Após a constatação da morte, os médicos procederam com a
retirada do corpo do bebê do ventre da mãe. O mesmo foi encaminhado para o
Instituto Médico Legal (IML), para realização de necropsia. O bebê ainda não
foi sepultado.
Amado Nizarala, diretor médico da Maternidade Maria da
Conceição Jesus, afirmou, em entrevista à TV Bahia, que a unidade está triste pelo
que aconteceu e se solidariza com a dor dos pais.
O gestor salientou, ainda, que Franciely deu entrada na
unidade com contrações de fraca intensidade e fora de trabalho de parto. "Ela
relatou uma dor de grau três, de zero a dez, que é uma dor normal para o fim da
gestação. Ela foi examinada e foi confirmado que o colo estava fechado. Foi
realizada uma cardiotocografia, que examina o coração do bebê, e ele deu
normal. Ela estava com contrações de 20 em 20 minutos e não estava em trabalho
de parto", explicou.
Segundo o médico, Franciely foi orientada a retornar à maternidade,
caso notasse aumento nas dores ou quando completasse 41 semanas de gestação. "Era
uma gravidez de baixo risco, mas isso não significa que essas coisas podem
acontecer. Não existia uma indicação formal para o parto. Ela tinha uma
cesariana de uma gravidez anterior e poderia fazer novamente, mas com 41
semanas", observou o diretor médico.
Por meio de nota, a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia
(Sesab) disse que, após passar por consulta e exames, Franciely foi liberada
porque parâmetros indicavam normalidade na saúde do feto. Destacou, ainda, que
todos os procedimentos adotados foram explicados à paciente.
À TV Bahia, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Salvador
lamentou o ocorrido e informou que foram cumpridos todos os cuidados
relacionados à assistência pré-natal de Fanciely. "A Secretaria Municipal da Saúde lamenta o ocorrido e informa que
todos os cuidados relacionados à assistência pré-natal, seguindo as normativas
vigentes foram realizados no acompanhamento da Senhora Franciely Rodrigues
Cerqueira”, diz o documento.
O órgão ressaltou, também, que o
Município seguiu “a rotina dos protocolos e fluxos de serviços vigentes” e que,
no último dia 4 de outubro, a gestante “esteve na consulta pré-natal de rotina
e, devido ao quadro apresentado, foi encaminhada, com ficha de referência para
avaliação obstétrica de emergência, para a maternidade de referência do território.
Além disso, a Secretaria Municipal
de Saúde se colocou à disposição “para demais esclarecimentos à família”,
solidarizando-se com a dor dos pais.