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Saúde

Gestante perde bebê após alta médica; família questiona se houve negligência

15 de Outubro de 2024 | 16h 20
Gestante perde bebê após alta médica; família questiona se houve negligência
Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Uma família baiana denunciou a equipe médica da Maternidade Maria da Conceição Jesus, situada no bairro de Periperi, subúrbio de Salvador, de negligência, após grávida dar entrada na unidade, ser liberada depois de atendida e perder o bebê.

De acordo com o g1 BA, Bruno Araújo, pai da criança, afirmou que, no último dia 3, a companheira dele, Franciely Rodrigues, então com 40 semanas de gestação, foi levada à maternidade por causa de dores na barriga.

Na ocasião, eles perceberam que o bebê se mexia muito, no ventre da mãe, de forma não habitual. "A doutora fez o exame de toque e disse que ainda não tinha dilatação e estava tudo bem. Ela disse que a gente podia ir para casa, mas questionamos. Perguntei por que não iria fazer um ultrassom e ela disse que o exame cardiotocografia era melhor", relatou Bruno.

No dia seguinte, conforme o pai do bebê, Franciely fez mais uma consulta pré-natal e, durante o exame, foi constatado que o coração da criança não batia. Com este diagnóstico, eles decidiram voltar à maternidade.

Na unidade, o marido de Franciely disse que insistiu para que a mulher fosse melhor examinada. "Eu falei que a mãe estava com dores e ainda ficaram fazendo várias perguntas. Questionei a equipe médica do que poderia ter acontecido e falaram que a placenta não estava deslocada, não havia cordão umbilical no pescoço do bebê, o que encontraram foi pouco líquido amniótico. Falaram que isso poderia ter sido visto no ultrassom no dia anterior", frisou.

Franciely seria mãe pela segunda vez. Ela já tem um filho de 7 anos, fruto de um relacionamento anterior. Mas esta seria a primeira vez que Bruno, o companheiro dela, seria pai. Segundo ele, a criança seria como um presente de aniversário, data celebrada dias antes. Mas os planos do casal acabaram em tragédia.

Após a constatação da morte, os médicos procederam com a retirada do corpo do bebê do ventre da mãe. O mesmo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML), para realização de necropsia. O bebê ainda não foi sepultado.

Amado Nizarala, diretor médico da Maternidade Maria da Conceição Jesus, afirmou, em entrevista à TV Bahia, que a unidade está triste pelo que aconteceu e se solidariza com a dor dos pais.

O gestor salientou, ainda, que Franciely deu entrada na unidade com contrações de fraca intensidade e fora de trabalho de parto. "Ela relatou uma dor de grau três, de zero a dez, que é uma dor normal para o fim da gestação. Ela foi examinada e foi confirmado que o colo estava fechado. Foi realizada uma cardiotocografia, que examina o coração do bebê, e ele deu normal. Ela estava com contrações de 20 em 20 minutos e não estava em trabalho de parto", explicou.

Segundo o médico, Franciely foi orientada a retornar à maternidade, caso notasse aumento nas dores ou quando completasse 41 semanas de gestação. "Era uma gravidez de baixo risco, mas isso não significa que essas coisas podem acontecer. Não existia uma indicação formal para o parto. Ela tinha uma cesariana de uma gravidez anterior e poderia fazer novamente, mas com 41 semanas", observou o diretor médico.

Por meio de nota, a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) disse que, após passar por consulta e exames, Franciely foi liberada porque parâmetros indicavam normalidade na saúde do feto. Destacou, ainda, que todos os procedimentos adotados foram explicados à paciente.

À TV Bahia, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Salvador lamentou o ocorrido e informou que foram cumpridos todos os cuidados relacionados à assistência pré-natal de Fanciely. "A Secretaria Municipal da Saúde lamenta o ocorrido e informa que todos os cuidados relacionados à assistência pré-natal, seguindo as normativas vigentes foram realizados no acompanhamento da Senhora Franciely Rodrigues Cerqueira”, diz o documento.

O órgão ressaltou, também, que o Município seguiu “a rotina dos protocolos e fluxos de serviços vigentes” e que, no último dia 4 de outubro, a gestante “esteve na consulta pré-natal de rotina e, devido ao quadro apresentado, foi encaminhada, com ficha de referência para avaliação obstétrica de emergência, para a maternidade de referência do território.

Além disso, a Secretaria Municipal de Saúde se colocou à disposição “para demais esclarecimentos à família”, solidarizando-se com a dor dos pais.



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