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Saúde

Funcionária do laboratório responsável por transplantes com HIV depõe à Polícia Civil do Rio de Janeiro

15 de Outubro de 2024 | 17h 40
Funcionária do laboratório responsável por transplantes com HIV depõe à Polícia Civil do Rio de Janeiro
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Jacqueline Iris Bacellar de Assis, funcionária do laboratório PCS Lab Saleme, responsável pela assinatura de laudos de exames de HIV errados, que levaram à infecção de pacientes transplantados no Rio de Janeiro, presta depoimento à Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCRJ) na tarde desta terça-feira (15).

De acordo com a Agência Brasil, a corporação informou que a investigação está sob sigilo, mas que a suspeita era considerada foragida. Segundo nota emitida pelo laboratório, Jacqueline “apresentou documentação inidônea (diploma de biomédica e carteira profissional com habilitação em patologia), induzindo o laboratório a crer que ela tinha competência para assinar laudos”.

Dois doadores tiveram laudos errados para HIV assinados pela empresa, que era responsável pelas testagens antes que os órgãos fossem destinados a transplantes, no estado do Rio de Janeiro.

Por causa disso, os pacientes foram considerados negativos quando, na verdade, eram positivos para o vírus. Por conta disso, em decorrência dos transplantes, seis pacientes foram infectados com o HIV.

O caso está sendo apurado pela PCRJ. Ontem (14), a corporação deflagrou uma operação para cumprimento de ordens judiciais de prisão e de busca e apreensão, que resultaram na detenção de Walter Vieira, um dos sócios do PCS Lab Saleme.

O laboratório destacou, por meio de nota, que Vieira, em seu depoimento à polícia, alegou que há indícios de falha humana na transcrição dos resultados de dois testes de HIV.

Conforme a Agência Brasil, após o ocorrido, a Vigilância Sanitária interditou o PCS Lab Saleme, seguindo orientação técnica da Anvisa, até a conclusão das investigações, com foco na segurança dos transplantes. Novos exames pré-transplante estão sendo realizados no Hemorio.

Sem precedentes, o caso é considerado de extrema gravidade pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) e pelo Ministério da Saúde (MS).

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), as Vigilâncias Sanitárias estadual e municipal e o Sistema Nacional de Transplantes (SNT) do Ministério da Saúde coordenam ações, com a finalidade de investigar a infecção por HIV de pacientes transplantados no estado do Rio.

O laboratório, diz a Agência Brasil, teve pelo menos três contratos com a Fundação Saúde. A entidade, vinculada à Secretaria Estadual de Saúde, é responsável por gerir as unidades da rede estadual.

Entre seus sócios, o laboratório tem familiares do deputado federal Dr. Luizinho (PP-RJ). O político foi secretário estadual de Saúde, de janeiro a setembro de 2023.

Através de uma nota divulgada por sua assessoria, na última sexta-feira (11), o parlamentar afirmou que, quando era secretário, jamais participou da escolha deste ou de qualquer laboratório.

O conteúdo do depoimento de Jacqueline Iris Bacellar de Assis, de acordo com seu advogado, não foi divulgado, até o momento, pela Polícia Civil.



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