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Saúde

Mulher é presa por envolvimento em caso de HIV em transplantados, no Rio

20 de Outubro de 2024 | 13h 17
Mulher é presa por envolvimento em caso de HIV em transplantados, no Rio
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCRJ) prendeu, neste domingo (20), uma mulher suspeita de envolvimento na emissão de laudos errados pelo Laboratório PCS Saleme, o que levou seis pacientes a contraírem o vírus HIV, causador da Aids, durante transplantes de órgão.

A prisão integra a segunda fase da Operação Verum. A corporação não divulgou a identidade da mulher detida esta manhã. Detalhou, apenas, por meio de nota, que a ação policial de hoje visava o cumprimento não apenas da ordem de prisão, mas também de oito mandados de busca e apreensão, “a fim de robustecer a investigação em andamento”.

A operação é realizada por policiais civis da Delegacia do Consumidor (Decon), com o apoio do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE).

Na primeira, os agentes prenderam quatro pessoas: o médico Walter Ferreira, sócio do laboratório PCS Lab Saleme, e os funcionários Jacqueline Iris Bacellar de Assis, Cleber de Oliveira Santos e Ivanildo Ferreira dos Santos.

Conforme a Polícia Civil, além das diligências deste domingo, estão em andamento a análise dos documentos e dos materiais apreendidos.

Conduzidas pela Delegacia do Consumidor, as investigações apontam que houve falha operacional no controle de qualidade aplicado aos testes, com o objetivo de diminuir custos. Isto porque a análise das amostras deixou de ser realizada diariamente para ser feita somente uma vez por semana.

Está em curso, também, o inquérito que investiga o processo de contratação do laboratório pelo Governo do Rio de Janeiro. “A força-tarefa do Governo do Estado visa à rápida elucidação dos fatos e à responsabilização dos envolvidos em caso de constatação de irregularidades”, destacou a Polícia Civil.

Entenda o casoDois doadores tiveram laudos errados para HIV assinados pelo laboratório PCS Lab Saleme, que era responsável pelas testagens antes que os órgãos fossem destinados a transplantes no estado do Rio.

Os pacientes foram considerados negativos quando, na verdade, eram positivos para o vírus. Por conta disso, seis pessoas foram infectadas com HIV, em decorrência dos transplantes.

O PCS Lab Saleme foi interditado pela Vigilância Sanitária local até a conclusão das investigações, com foco na segurança dos transplantes. Novos exames pré-transplantes estão sendo realizados no Hemorio.

A Fundação Saúde, que é vinculada à Secretaria Estadual de Saúde e é responsável por gerir as unidades da rede estadual, convocou, de forma emergencial, o segundo colocado na licitação, para assumir o lugar do laboratório PCS Lab Saleme. Um novo pregão está sendo preparado.

O laboratório PCS Lab Saleme teve ao menos três contratos com a Fundação Saúde. O laboratório tem, entre seus sócios, familiares do deputado federal Dr. Luizinho (PP-RJ), que foi secretário estadual de Saúde do Rio, entre janeiro e setembro de 2023.

Por meio de nota, divulgada por sua assessoria no último dia 11, o parlamentar afirmou que, quando era secretário, jamais participou da escolha deste ou de qualquer laboratório.

Sem precedentes, o caso é considerado grave pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) e pelo Ministério da Saúde (MS). A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), as Vigilâncias Sanitárias estadual e municipal e o Sistema Nacional de Transplantes (SNT) do MS coordenam uma série de ações para investigar a infecção por HIV de pacientes transplantados no estado do Rio de Janeiro.

 

 

 

*Com informações da Agência Brasil.



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