Tribuna Feirense

  • Facebook
  • Twiiter
  • (75) 9707-1234
  • Feira de Santana, sexta, 10 de julho de 2026

Saúde

Matheus Vieira, sócio do PCS Lab Saleme, é preso, no Rio

23 de Outubro de 2024 | 13h 39
Matheus Vieira, sócio do PCS Lab Saleme, é preso, no Rio
Foto: Reprodução/GloboNews

Sócio do PCS Lab Saleme, laboratório investigado após emissão de laudos falsos que resultaram na infecção de seis pacientes transplantados com HIV, Matheus Sales Teixeira Bandoli Vieira foi preso, nesta quarta-feira (23), no Rio de Janeiro.

O empresário era o único indiciado ainda solto, após o escândalo dos órgãos contaminados com o vírus da Aids. A Justiça determinou sua prisão no dia de ontem (22).

O suspeito se apresentou na Cidade da Polícia por volta das 8h30. Matheus foi à Delegacia do Consumidor (Decon) acompanhado de seu advogado. Ambos encontraram o órgão fechado e deram meia-volta. Eles saíram de carro, mas 15 minutos depois, com a especializada já aberta, eles retornaram. A ordem judicial de prisão foi, então, cumprida.

A Decon informou que os agentes estavam na rua desde antes das 6h, na tentativa de cumprir o mandado de prisão contra Matheus Vieira, que é primo de Doutor Luizinho, ex-secretário estadual de Saúde.

O acusado e mais seis pessoas foram denunciados pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ), nesta terça-feira. Todos viraram réus, no processo. Isto porque a juíza Aline Abreu Pessanha, da 2ª Vara Criminal de Nova Iguaçu, aceitou a denúncia.

A promotora Elisa Ramos Pittaro Neves foi a responsável por pedir a prisão de Matheus, único, dentre os denunciados, que ainda estava em liberdade. A magistrada também solicitou a substituição da prisão temporária por preventiva dos demais acusados.

Ontem, a defesa de Matheus disse que o pedido de prisão foi "arbitrário", justificando que ele tem colaborado com as investigações. Hoje, o advogado Afonso Destri afirmou que entraria com um pedido de habeas corpus, a fim de conseguir a soltura do réu.

Conforme a defesa, “a decisão é absolutamente ilegal e constitui clara antecipação de pena, sem processo, sem julgamento. A decisão não traz qualquer fato concreto que autorize a prisão preventiva. Matheus sempre colaborou com as investigações, tanto que sequer foi alvo de prisão temporária”, disse o jurista.

Os seis denunciados pelo MO são: Matheus Sales Teixeira Bandoli Vieira, sócio do laboratório, que era considerado, até então, foragido; Jacqueline Iris Barcellar de Assis, funcionária (presa); Walter Vieira, sócio (preso); Ivanilson Fernandes dos Santos, funcionário (preso); Cleber de Olveira Santos, funcionário (preso); e Adriana Vargas dos Anjos, coordenadora (presa).

Os denunciados responderão judicialmente por associação criminosa, lesão corporal e falsidade ideológica. Além desses crimes, Jacqueline responde, também, por falsificação de documento particular. "Os denunciados tinham plena ciência de que pacientes que recebem órgãos transplantados recebem imunossupressores para evitar a sua rejeição, e que a aquisição de qualquer doença em um organismo já fragilizado, principalmente HIV, seria devastadora", escreveu a promotora pública.

Na denúncia, o MP-RJ também cita que, além de uma série de exames com resultados falsos, as filiais do PCS "não possuíam sequer alvará e licença sanitária para funcionamento".

O relatório de inspeção da Vigilância Sanitária constatou 39 irregularidades, dentre elas, a presença de sujeira, insetos mortos e formigas, em todas as bancadas do laboratório. "O que foi apurado, neste procedimento, não foi um fato isolado, resultado de uma conduta negligente. Mas demonstram a indiferença com a vida e a integridade física dos pacientes transplantados e demais pacientes recebem dos denunciados, que não hesitaram em modificar protocolos de segurança motivados apenas por dinheiro", declarou o órgão.

A Anvisa informou ter descoberto que PCS Saleme não tinha sequer kits para realização dos exames de sangue e que não apresentou documentos comprobatórios da compra dos itens. Tal fato, levantou a suspeita de que os testes podem não ter sido realziados e que os resultados tenham sido forjados.

No documento, o Ministério Público destacou "a existência de várias ações indenizatórias" propostas contra o PCS, por "erro de diagnóstico", dando como exemplo o caso dona de casa Tatiane Andrade, que teve exame falso-positivo para HIV feito pelo laboratório, durante seu parto. O erro fez com sua bebê recebesse tratamento para pessoas com a síndrome por 28 dias, sem necessidade.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCRJ) concluiu o inquérito do caso, indiciando os seis envolvidos, incluindo os cinco presos nas duas fases da Operação Verum.

A Delegacia do Consumidor (Decon) também representou pela prisão preventiva dos acusados. A Decon segue investigando o processo de contratação do laboratório. "A análise do material apreendido poderá trazer elementos para novas investigações", afirmou a Polícia Civil.

TransplanteS A situação só foi descoberta no último dia 10 de setembro, quando um paciente transplantado foi ao hospital com sintomas neurológicos e teve o resultado para HIV positivo.

Antes do procedimento, ele não era portador do vírus. O homem recebeu um coração, no fim de janeiro. A partir daí, as autoridades refizeram todo o processo e chegaram a dois exames realizados pelo PCS Lab Saleme.

A primeira coleta ocorreu no dia 23 de janeiro. Foram transplantados os rins, o fígado, o coração e a córnea do doador, e todos, segundo o laboratório, deram não reagentes para HIV. No entanto, a SES-RJ fez uma contraprova do material armazenado e identificou a presença do HIV.

A pasta rastreou, ainda, os demais receptores e confirmou que as pessoas que receberam um rim cada também deram positivo para o vírus da Aids. A paciente que recebeu a córnea deu negativo, por ser esta não tão vascularizada.

A mulher que recebeu o fígado morreu pouco tempo após o transplante. O quadro dela já era considerado grave e não foram encontrados indícios de que o óbito teve relação com o HIV.

No dia 3 de outubro, outro transplantado apresentou sintomas neurológicos e testou positivo para o vírus. Ele não era portador do HIV antes da cirurgia. Cruzando os dados, as autoridades sanitárias chegaram a outro exame errado, o de uma doadora no dia 25 de maio.

 

 

 

 

*Com informações do portal de notícias g1.



Saúde LEIA TAMBÉM

Charge da Semana

Charge do Borega

As mais lidas hoje