Neste dia 13 de março, o mundo celebra o Dia Mundial do Rim. Este ano, a campanha da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) traz o tema "Seus rins estão ok? Faça o exame de creatinina para saber!".
A ideia é alertar a população sobre a importância de se
diagnosticar precocemente as doenças que podem acometer este órgão vital, a fim
de evitar que elas comprometam a saúde dos pacientes ou mesmo levá-los à morte.
Outro objetivo é mostrar como o estilo de vida impacta a integridade dos rins.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), cerca
de 10% da população brasileira tem doença renal crônica. E estima-se que, no
Brasil, cerca de 50 mil pessoas nesta condição morram, por ano, antes de
ter acesso à hemodiálise ou ao transplante.
Os números reforçam, ainda mais, a importância da adoção de
hábitos saudáveis e do diagnóstico precoce de qualquer nefropatia. Para evitar
problemas, é preciso estar alerta e dosar, periodicamente, por exemplo, a creatinina.
O exame deste marcador é simples, de alta especificidade e primordial para monitorar
a função renal, porque pode detectar problemas antes que eles fiquem crônicos e
se tornem graves.
O médico nefrologista Cesar Oliveira, do Instituto de Urologia
e Nefrologia (Iune) de Feira de Santana, conversou com nossa equipe de
reportagem. Na entrevista, ele falou não apenas sobre as funções e a
importância dos rins, mas também sobre os sintomas mais comuns de doenças
renais e os cuidados essenciais para mantê-los saudáveis.
TF – Qual a importância
de comemorarmos o Dia Mundial do Rim?
CO – A importância é chamarmos a atenção
para a epidemia de doença renal crônica (perda da função renal) que estamos
vivendo. Aproximadamente, 10% da população tem algum grau de doença renal, mas
a maioria desconhece. Acima dos 75 anos, metade da população tem lesão renal.
Apenas para termos uma ideia, metade do pacientes que precisam de hemodiálise,
no Brasil, não está fazendo o tratamento, por falta de diagnóstico. O
desconhecimento é a principal causa de morte dessa população.
TF – Quais são as
principais funções do rim?
CO – O rim regula a água corporal, a
pressão sanguínea, a fabricação de sangue, a excreção de produtos tóxicos de nosso
metabolismo, atividade cardíaca, ativação da Vitamina D e, consequentemente, a
saúde do osso, o estado de acidose do organismo, parte da resposta à queda do
açúcar. Enfim, ele é multifuncional.
TF – Quais as
principais causas de perda da função renal?
CO – As duas principais são: a
Hipertensão Arterial e o Diabetes Mellitus. Sabemos que 40% das pessoas que tem
Diabetes, terão lesão renal. Já a hipertensão é o principal fator de risco para
as lesões cardiovasculares. Ela afeta em torno de 40% da população adulta e 60%
dos idosos. A elevada ocorrência de lesão renal em duas doenças muito comuns na
população ressalta a importância da informação para o diagnóstico precoce.
TF – Quais os sintomas
da doença renal crônica?
CO – O rim só apresenta sintomas em uma
fase bem avançada, mas, de modo geral, temos anemia, inchaço dos pés e face,
urina espumosa. Em fase mais tardia, podemos ter falta de apetite, palidez cutânea,
náusea, soluço, vômito, emagrecimento, diarréia e até coma!
TF – Quais os exames
básicos para ver o estado geral dos rins?
CO – É preciso que a população se acostume
a pedir a dosagem de creatinina no sangue e de proteína na urina, permitindo
que as lesões renais sejam descobertas precocemente.
TF – Quantos pacientes
fazem hemodiálise, no Brasil? Há vagas para todos?
CO – Atualmente, em torno de 150 mil
pacientes fazem hemodiálise, três vezes por semana. No entanto, há uma
constante falta de vagas, pela ausência de uma política regular de
financiamento do Governo Federal, que mantém valores muito abaixo dos custos.
Isto tem levado ao fechamento de várias clínicas e, consequentemente, ao risco
de morte dos pacientes. Alguns estados fazem uma suplementação de valores, por
conta da tabela defasada que é paga pelo Governo Federal, a fim de que as clínicas
recebam os pacientes, mas, mesmo assim, com pagamentos irregulares. O país vive
uma crise de financiamento do setor, que se arrasta há alguns anos e que impede
a ampliação de vagas, modernização estrutural do sistema e acessibilidade a
quem precisa.
TF – Quais são os
cuidados para reduzir o risco de perder os rins?
CO – Manter uma vida saudável. Reduzir o
sal da comida; controlar o peso; manter boa ingestão de líquidos; vigiar e
cuidar da glicose e dos níveis pressóricos. Fazer exercícios regularmente
também é imprescindível. Não usar anti-inflamatórios sem necessidade e ir ao
nefrologista, regularmente.