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Saúde

Pesquisa de vacina contra zika, feitas pela USP, avança em testes com camundongos

16 de Julho de 2025 | 10h 55
Pesquisa de vacina contra zika, feitas pela USP, avança em testes com camundongos
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A produção de um imunizante contra o zika, arbovirose transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, avançou mais uma etapa. Pesquisadores do Instituto de Medicina Tropical (IMT), da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), concluíram os testes em camundongos, em laboratório.

As respostas, segundo a instituição, foram consideradas satisfatórias, uma vez que foi desenvolvida uma vacina segura e eficiente. Os testes foram feitos em camundongos geneticamente modificados, mais suscetíveis ao vírus que causa a doença.

Os pesquisadores conseguiram demonstrar que o imunizante induziu o organismo das cobaias à produção de anticorpos que neutralizaram o patógeno, não permitindo que a infecção prosperasse, levando a sintomas e lesões.

Também foram investigados os efeitos da infecção pelo zika vírus em diversos órgãos dos camundongos, como rins, fígado, ovários, cérebro e testículos, com sucesso, sobretudo, nos dois últimos.

O imunizante usa plataforma do tipo “partículas semelhantes ao vírus” (VLP, sigla, em inglês, para virus-like particles), uma opção em outras vacinas, como as usadas para a prevenção da Hepatite B e do Papilomavírus Humano (HPV). Com este tipo de produção, a formulação dispensa substâncias que potencializem resposta imune, as chamadas adjuvantes.

Biotecnologia – A equipe adotou, ainda, uma estratégia de produção com biotecnologia, usando sistemas procarióticos, isto é, bactérias, que permitem produção alta, embora demandem atenção com antitoxinas bacterianas. A estratégia já havia sido usada pelo grupo na produção de uma vacina contra a covid-19.

Gustavo Cabral de Miranda, médico que lidera o grupo de cientistas, esteve na Universidade de Oxford, na Inglaterra, entre 2014 e 2017, participando da plataforma de desenvolvimento realizada pelo Instituto Jenner.

Deste grupo, saiu a base da tecnologia adaptada com a empresa AstraZeneca, um dos primeiros imunizantes ocidentais utilizados na pandemia de covid-19 iniciada em 2020. "Lá, estudamos o ChAdOx1 (um adenovírus de Chimpanzés alterado em laboratório) para aplicações em malária, zika, chikungunya, entre outras. E isso gerou tanto conhecimento da capacidade da tecnologia que, quando surgiu a pandemia, surgiu um financiamento muito grande e a tecnologia avançou de maneira muito rápida em direção às aplicações práticas", diz o pesquisador.

O médico explica que a tecnologia costuma ser dividida, basicamente, em dois componentes: a partícula carreadora (VLP), aquela que "chama a atenção" do sistema imune e é reconhecida por ele como um vírus; e o antígeno viral, responsável por estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos específicos, que, por sua vez, impedirão a entrada do patógeno nas células.

Conforme Miranda, a estrutura usada foi o antígeno EDIII, uma parte da proteína do envelope do vírus zika, cuja função é se conectar a um receptor nas células humanas.

Testes em humanos – O grupo busca financiamento para as próximas fases de pesquisa, envolvendo populações humanas. Como isto envolve milhões de reais, costuma ser um processo bastante demorado.

Enquanto isso, os cientistas testam outras soluções, como vacinas de RNA mensageiro, além de diferentes estratégias heterólogas e homólogas de imunização. As pesquisas, até o momento, tiveram financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). "Toda e qualquer produção de vacina é um processo não tão simples. Para montar uma planta, como a gente diz na ciência, montar uma fábrica de produção de vacina, sempre vai haver essa necessidade de buscar mudanças. Hoje, o mais comum são fábricas de vacinas tradicionais. Então, naturalmente, o que tem mais chance de avançar são pesquisas com vacinas tradicionais", observou o chefe do grupo de científico.

De acordo com o pesquisador, a tecnologia vem avançando. Ele enfatiza que fábricas capazes de trabalhar com outras plataformas de imunizantes abrem um leque enorme, em termos de tecnologia e de capacidade de resposta rápida, como ocorreu com a pandemia de Covid-19. “Eu citei a vacina de adenovírus, enfim, esse é o nosso objetivo principal. O que desenvolvo é parte do processo tecnológico para que a gente possa ter condições de produzir as nossas vacinas aqui no Brasil. Se não for agora ou daqui a dez anos, mas que a gente precisa ter essa continuidade, seja curto, médio ou longo prazo", frisa.

 

 

*Com informações da Agência Brasil.



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