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Economia

Correios preveem fechamento de mil agências e 15 mil demissões voluntárias

29 de Dezembro de 2025 | 16h 42
Correios preveem fechamento de mil agências e 15 mil demissões voluntárias
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Visando reduzir os déficits registrados desde 2022, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos divulgaram, nesta segunda-feira (29), um plano de reestruturação da companhia. A previsão é fechar 16% das agências da estatal. Isto representa cerca de mil das 6 mil unidades próprias em todo o país.

Com isto, a empresa pública espera economizar R$ 2,1 bilhões. Considerando outros pontos de atendimento realizados por parceria, são 10 mil unidades que prestam serviços para os Correios no Brasil.

Como a estatal tem a obrigação de cobrir todo o território nacional, o presidente da empresa, Emmanoel Rondon, destacou que o fechamento das agências será realizado sem violar o princípio da universalização do serviço postal.

Para tanto, disse ele, serão analisados os resultados financeiros e a meta primordial da empresa. “A gente vai fazer a ponderação entre resultado e o cumprimento da universalização, para a gente não ferir a universalização, ao fecharmos pontos de venda da empresa”, explicou, em coletiva de imprensa, em Brasília (DF).

Demissão Voluntária – O plano dos Correios também prevê cortes de despesas da ordem de R$ 5 bilhões até 2028, com venda de imóveis e dois Planos de Demissão Voluntária (PDV) previstos para reduzir o número de funcionários em 15 mil até 2027. “A gente tem 90% das despesas com perfil de despesa fixa. Isso gera uma rigidez para a gente fazer alguma correção de rota quando a dinâmica de mercado assim exige”, observou Rondon.

O plano de reestruturação era esperado, em função dos sucessivos resultados negativos que a estatal vem acumulando desde 2022, com um déficit estrutural de R$ 4 bilhões anuais, “por causa do cumprimento da regra de universalização”, segundo justificou o presidente da empresa.

Em 2025, a estatal registra um saldo negativo de R$ 6 bilhões nos nove primeiros meses do ano e está com um patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões.

Empréstimo e abertura de capital – A companhia informou, ainda, que tomou um empréstimo de R$ 12 bilhões, com bancos, a fim de reforçar o caixa da companhia, assinado na última sexta-feira (26). Porém, a direção dos Correios ainda trabalha para encontrar outros R$ 8 bilhões necessários para equilibrar as contas em 2026.

A estatal estuda, a partir de 2027, uma mudança societária nos Correios. Atualmente, a companhia é 100% pública, mas avalia a possibilidade de abrir seu capital, transformando-a, por exemplo, em uma companhia de economia mista, como é, hoje, a Petrobras e o Banco do Brasil (BB). 

Corte de pessoal e benefícios – O plano apresentado pelos Correios prevê medidas para serem implementadas entre 2026 e 2027, incluindo os PDV, sendo um no próximo ano e outro em 2027. 

Outros alvos da direção dos Correios são os planos de saúde e de previdência dos servidores, que devem ter cortes nos aportes feitos pela estatal. “O plano tem que ser completamente revisto e a gente tem que mudar a lógica dele, porque, hoje, ele onera bastante. Ele tem uma cobertura boa para o empregado, mas, ao mesmo tempo, financeiramente insustentável para a empresa”, destacou Rondon, referindo-se ao seguro saúde da categoria.

Com as demissões voluntárias e os cortes de benefícios, os Correios esperam reduzir as despesas com pessoal em R$ 2,1 bilhões anuais. Além disso, o plano estima vender imóveis da companhia, a fim de gerar R$ 1,5 bilhão em receita. “Esse plano vai além da recuperação financeira. Ele reafirma os Correios como um ativo estratégico do estado brasileiro, essencial para integrar o território nacional, garantir acesso igualitário a serviços logísticos e assegurar eficiência operacional em cada região do país, especialmente aonde ninguém mais chega”, concluiu o presidente da estatal.

Crise no setor postal – Os Correios enfrentam uma crise financeira que, segundo a direção da companhia, vem desde 2016, motivada pelas mudanças no mercado postal, em razão da digitalização das comunicações, que substituiu as cartas, reduzindo a principal fonte de receita.

A estatal também atribui dificuldades financeiras a entrada de novos competidores no comércio eletrônico como um dos motivos da atual crise do setor. “É uma dinâmica de mercado que aconteceu no mundo inteiro e algumas empresas de correios conseguiram se adaptar. Várias dessas empresas ainda registram prejuízos. Um exemplo é a empresa americana de correios que está reportando prejuízo da ordem de US$ 9 bilhões”, comparou Emmanoel Rondon.

O gestor se referiu à empresa pública dos Estados Unidos (EUA) Unit States Posta Service (USPS), que também anunciou, recentemente, medidas para enfrentar os déficits financeiros.

 

 

 

 

 

*Com informações da Agência Brasil.



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