Esta semana, o Ministério da Saúde (MS) iniciou a vacinação dos profissionais de saúde da atenção primária contra a dengue. A previsão é imunizar 1,2 milhão de trabalhadores da linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com a pasta, as primeiras 650 mil doses já foram
enviadas aos estados. O restante está previsto para os próximos dias. A estratégia utiliza o imunizante brasileiro
desenvolvido pelo Instituto Butantan, de dose única, tetraviral e 100%
nacional.
Para o MS, a vacina representa um
importante avanço para a autonomia do país. “O início da vacinação pelos profissionais da atenção
primária é um passo estratégico para proteger quem atua próximo à população –
médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde das
unidades básicas de Saúde”, destaca o órgão.
Conforme o ministro Alexandre
Padilha, que responde pela pasta, a vacinação está começando por toda a equipe
multiprofissional cadastrada no SUS. “São aquelas pessoas que batem na porta, visitam a casa das
pessoas, observam se tem criadouro do mosquito da dengue, fazem o
acompanhamento, a mobilização. Também são aqueles profissionais que estão na
primeira porta de entrada quando há casos de dengue”, detalhou.
OUTROS
PÚBLICOS – A ampliação para outros públicos –
pessoas de 15 a 59 anos, começando pelos mais velhos – está prevista para
o segundo semestre de 2026, o que depende do aumento da capacidade produtiva do
Instituto Butantan.
O Ministério da Saúde fechou a compra de 3,9 milhões de
doses. O investimento foi de R$ 368 milhões. A pasta adotou, também, estratégia
de vacinação para avaliar o impacto do imunizante na dinâmica populacional da dengue.
Para tanto, está em curso, desde janeiro, a vacinação em três
municípios-piloto: Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). Nessas
localidades, o público-alvo será composto por adolescentes e adultos de 15 a 59
anos. “A vacinação da população em
geral começa com o aumento da produção de doses, a partir de uma parceria
estratégica entre o Brasil e a China, com a transferência da tecnologia
nacional desenvolvida pelo Instituto Butantan para a empresa chinesa WuXi Vaccines.
Com essa cooperação, a produção da vacina nacional poderá aumentar em até 30
vezes”, informa o MS.
Segundo o órgão, a vacina do Butantan apresentou 74,7% de
eficácia contra a dengue sintomática, em pessoas de 12 a 59 anos, além de 89%
de proteção contra formas graves e com sinais de alarme.
O público-alvo é composto por profissionais
de saúde assistenciais e de prevenção, como médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, odontólogos,
equipes multiprofissionais (eMulti), Agentes Comunitários de Saúde (ACS), Agentes
de Combate às Endemias (ACE).
Também serão imunizados trabalhadores administrativos e de apoio das unidades de saúde, a exemplo
de recepcionistas, seguranças, profissionais da limpeza, motoristas de
ambulância, cozinheiros e outros
trabalhadores atuantes nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
Cenário epidemiológico – Em 2025, no
Brasil, os casos de dengue caíram 74% em relação a 2024. Apesar da redução
expressiva, o Ministério da Saúde reforça que as ações de combate ao Aedes
aegypti, mosquito que transmite a
dengue e outras arboviroses, devem ser mantidas em todo o território
nacional.
A pasta enfatizoui que, “ao longo do ano, foram registrados
1,7 milhão de casos prováveis da doença, frente a 6,5 milhões no ano anterior”.
E que “o número de óbitos também apresentou queda significativa: 1,7 mil mortes
em 2025, o que representa redução de 72% em comparação a 2024, quando foram
contabilizadas 6,3 mil mortes”.
*Com informações da Agência
Brasil.