Em meio a belezas naturais incomparáveis, o "molho" do baiano e uma riqueza cultural empolgante, a Bahia convive com indicadores brutais e persistentes. Segundo o IBGE (2023), cerca de 46% da população baiana — o equivalente a 6,9 milhões de pessoas — vive abaixo da linha da pobreza, com renda domiciliar per capita inferior a R$ 667 mensais. O estado detém o segundo maior número absoluto de pobres do país e abriga 1,3 milhão de pessoas em situação de extrema pobreza, sobrevivendo com menos de R$ 209 por mês. Essa precariedade social é acompanhada por uma grave carência de infraestrutura básica, visto que 58,4% dos baianos não possuem acesso a esgoto tratado. De acordo com o Instituto Trata Brasil, o estado despeja diariamente 780 milhões de litros de dejetos em rios e praias, comprometendo o meio ambiente e a saúde pública.
No
campo da segurança e da educação, os números são apavorantes. A Bahia figura
como o estado mais violento do Brasil há quase uma década, conforme o Atlas da
Violência (2025), registrando a maior concentração de facções criminosas e a
segunda maior taxa de mortalidade entre jovens em 2023. Já no ensino
fundamental, o cenário é de colapso: em 2024, o estado registrou o pior índice
de alfabetização infantil do Brasil, com apenas 36% das crianças do 2º ano
capazes de ler ou escrever textos simples. Além disso, o território baiano é
detentor do maior número absoluto de analfabetos do país.
Essa
fragilidade social impacta diretamente a competitividade econômica. No ranking
elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP) em 2025, a Bahia ocupa a 22ª
posição nacional, superando apenas o Maranhão na região Nordeste. Dados do
jornal Valor Econômico detalham esse baixo desempenho em eixos fundamentais
como Potencial de Mercado (24º), Infraestrutura (23º) e Inovação (21º). Embora
o estado apresente solidez fiscal (3º) e eficiência na máquina pública (10º), a
gestão financeira não se traduziu em desenvolvimento humano. Prova disso é que,
em fevereiro de 2026, a Bahia consolidou-se como a unidade da federação com o
maior número absoluto de beneficiários do Bolsa Família, com mais de 2,3
milhões de famílias assistidas, enquanto mantém o segundo pior salário médio do
Brasil (IBGE).
Apesar
de crescimento projetado de 2,6% do PIB em 2025, a Bahia segue presa a uma
desigualdade que "amputa" o futuro da população. Estes indicadores são
sinais de um ciclo de estagnação que persiste apesar de seu alinhamento maciço
com o governo federal. A violência e a falta de escolaridade limitam as
oportunidades no mercado de trabalho e afugentam o progresso. A conclusão é
que, para além da sedução, o estado
carrega um déficit social bestial, que
grita por coragem, mudança e desenvolvimento que melhore as condições de vida e
reduza o sofrimento dos cidadãos.