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Valdomiro Silva

Cruzar os braços não faz parte do repertório de José Ronaldo

VALDOMIRO SILVA - 26 de Fevereiro de 2026 | 17h 17
Cruzar os braços não faz parte do repertório de José Ronaldo
Foto: secom

Na medida em que se aproxima o fim do prazo estimado para a tomada de decisão, crescem as especulações em torno do futuro do prefeito José Ronaldo nas eleições deste ano. Nos últimos dias, abundam as "notícias" e palpites sobre as várias possibilidades. Como sabem todos que acompanham a política em Feira de Santana, Ronaldo se encontra em dúvida atroz: seguir a sua trajetória na direita, apoiando o candidato do União Brasil a governador, ACM Neto, ou dar uma guinada à esquerda, atuando pela reeleição de Jerônimo Rodrigues.

Esta tarde, almoçando em Serrinha, na visita que faço semanalmente à minha mãe, ouvi de um prefeito aqui da Região do Sisal, que encontrei casualmente, uma curiosa hipótese, que se junta a outras tantas lançadas ultimamente sobre o tema. Segundo ele, o ministro-chefe da Casa Civil, ex-governador Rui Costa, teria oferecido como atrativo ao prefeito de Feira, para reforçar o seu grupo, tornar-se candidato a suplente dele, no pleito para o Senado.

Uma vez Rui eleito, e Lula mantido na presidência pelo eleitorado, o novo senador retornaria para o Ministério, abrindo vaga para o seu suplente Ronaldo assumir. Seria feito um acordo neste sentido. Não dei crédito algum a isto. Não creio que o prefeito deixaria a gestão municipal pela segunda vez por uma promessa dessa natureza. Não é este, certamente, um dos seus objetivos futuros.

O Bnews, portal de notícias da capital, divulgou esta semana, de certo fundamentado em fontes da política baiana, embora não reveladas, que Ronaldo adotaria a estratégia de apoiar apenas tacitamente a ACM Neto. Apoio tácito é algo implícito, silencioso, sem necessidade do registro por meio de falas ou escritos. E o que isto representaria, na prática, do ponto de vista dos dois principais pré-candidados ao Palácio de Ondina?Para ACM Neto, seria um poderoso revés. Jerônimo, por sua vez, ficaria no lucro.

Afinal, sem atuar diretamente, isto funcionaria como um comunicado do prefeito, às suas fiéis lideranças, aquelas que historicamente o acompanham, que não haveria ânimo, nem autorização, para entrarem em campo. Ganharia com isto o candidato petista, óbvio. Mas, calma, ronaldistas. Tudo não passa de boato, nada existe de real nessas conjecturas.

Quem conhece José Ronaldo não imagina que ele cruze os braços em um pleito importante como este próximo. Acomodar-se em cima do muro e se omitir não fazem parte do seu repertório, ao menos até este momento. Se  ele pretendeu  mostrar a ACM Neto a sua real importância, há quem diga, o alvo já foi atingido. O ex-prefeito de Salvador estaria recorrendo a unhas postiças, pois as originais já se foram há tempos, de tanto roídas, diante de cada entrevista em que o aliado demonstra  não estar convicto de com ele seguir.

"Zé Ronaldo tem personalidade. Zé Ronaldo tem coragem e tem caráter. Zé Ronaldo tem experiência e vai saber decidir na hora certa". A frase não é de algum porta-voz do prefeito, mas dele mesmo, referindo-se a si próprio. A declaração foi feita após um jornalista insinuar, em uma entrevista, que o prefeito estaria sem saber como agir diante das incertezas em que ele se vê este início de ano. Bem, eu já disse neste espaço que, acredito, o prefeito não será candidato no pleito que se avizinha. Nem a vice-governador, o cargo mais comentado na imprensa, nem a senador. Aquem ele vai apoiar então? Fiquei de dar a minha opinião sobre isto também. Aguardei alguns dias para ver se conseguia algumas pistas, mas não as obtive. Então, aqui vai a minha impressão pessoal.

Ronaldo passou todo esse tempo, em que se elegeu prefeito por cinco mandatos para o Poder Executivo e ainda fez sucessor duas vezes (completará ao final desta gestão 28 anos derrotando seus adversários locais), com o firme discurso de que Feira de Santana não depende de que a gestão seja do mesmo partido do presidente da República ou do governador, para se desenvolver e realizar projetos. Assim, alegar agora que apoiaria seus históricos adversários para obter mais recursos não soaria legal. Ele já demonstrou ter superado o trauma do absurdo "não" de ACM Neto à sua candidatura a vice-governador em 2022. Disse, inclusive, recentemente, que não considerou aquilo uma traição.

A turma que tem voz junto ao prefeito, nos bastidores, não endossa uma adesão dele ao comando petista na Bahia. A exemplo do presidente da Câmara, Marcos Lima, e do líder do Governo no Legislativo, José Carneiro, que se manifestaram contra, publicamente, em entrevista para esta coluna. Além de tudo isto, Ronaldo não é afeito a mudanças radicais de postura. Conservador, ele dificilmente sai da rota que segue. Sim, no último pleito, para presidente da República, é verdade, decidiu apoiar Jair Bolsonaro e não Geraldo Alckmin, do PSDB, que era o nome defendido pelo União Brasil. Aquela medida, no entanto, nem de perto surpreenderia tanto quanto uma eventual aliança agora com o governador petista. Os ronaldistas, assim, apostam suas fichas na permanência do seu líder do lado de onde sempre esteve. E este é, de fato, o fim mais provável dessa novela.



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