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Saúde

Fevereiro Roxo: conheça a fibromialgia e as novas diretrizes que ampliam o tratamento pelo SUS

28 de Fevereiro de 2026 | 14h 40
Fevereiro Roxo: conheça a fibromialgia e as novas diretrizes que ampliam o tratamento pelo SUS
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Conviver com dores crônicas difusas e generalizadas não é uma tarefa fácil. O cotidiano de um portador de fibromialgia é um cenário, por vezes, assustador. O que, a olhares externos, parece uma tarefa fácil, pode se revelar como obstáculo instransponível para quem convive com esta síndrome clínica que atinge de 2,5% a 5% da população brasileira.

Erguer os braços, pentear ou lavar os cabelos, girar o pescoço, agachar, varrer, subir uma escada, carregar compras, trabalhar no computador ou realizar atividades que exijam força, fazer qualquer tarefa simples, em resumo, pode ser muito doloroso e desanimador.

A doença tem mais de 100 sintomas. A dor é apenas um deles. E se manifesta até no toque mais leve, como o roçar de uma blusa ou do próprio cabelo na pele. Quando vemos um portador de fibromialgia trabalhando normalmente, saindo de casa, sorrindo, não significa que ele está sem dor, significa que ele está sendo forte e lutando para existir socialmente, porque a dor, assim como a fadiga, outro sintoma comum, nunca desaparece, nunca é ínfima, quase nunca é de baixa intensidade. E não há medicamento que a controle totalmente.

Além disso, há dores piores para uma pessoa que convive com a fibromialgia: a do preconceito e a da ignorância, que levam à incompreensão, à falta de empatia e ao julgamento maledicente.

DOENÇA INVISÍVEL – A fibromialgia entra no rol das chamadas doenças invisíveis. Não aparece em exames laboratoriais e de imagem. O corpo físico também não apresenta ao outro que o vê qualquer sinal externo. Não há inchaços, hematomas, deformidades.

Por fora e de fora, um portador de fibromialgia é uma pessoa “normal”. E esse fato, geralmente, leva quem desconhece a síndrome a interpretar mal a necessidade de repouso, a falta de vontade de interação social, o adiamento de tarefas domésticas, os, por vezes, constantes acompanhamentos médicos e atendimentos hospitalares.

Não raro, até mesmo familiares e profissionais de saúde discriminam. Não é incomum um portador de fibromialgia ser tratado com descaso, inclusive, por médicos. Muitas pessoas acham que há um “exagero” da dor, “drama”, “teatro”, “somatização”, fenômeno por meio do qual conflitos emocionais ou psicológicos se manifestam como sintomas físicos reais, sem uma causa orgânica identificável.

Mas não, a fibromialgia não é uma doença pssicosomática, ela é clínica, real e impõe um sofrimento, muitas vezes, devastador, a alguns pacientes, levando à incapacidade parcial ou total.

A síndrome provoca, dentre outras coisas, dores nos músculos e tecidos moles, articulações, cefaleias, problemas gástricos, tontura, cansaço extremo e contínuo, podendo vir a desencadear ansiedade e depressão. Sua origem está na chamada “sensibilização central”, uma disfunção em que os neurônios ligados à dor tornam-se excessivamente excitáveis.

Em função disso, a dor se espalha por todo o corpo, sem qualquer ligação com lesões ou inflamações. “É a dor generalizada. Muitas vezes, se não na maior parte das vezes, essa dor vem acompanhada de fadiga, uma alteração no sono, distúrbios cognitivos, então esse conjunto de sintomas é o que a gente chama de fibromialgia”, informou o médico reumatologista José Eduardo Martinez, presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia, durante entrevista concedida, nesta terça-feira (24), ao programa Tarde Nacional – Amazônia.

De acordo com estudos revisados pela revista Rheumatology e pelo National Institutes of Health (NIH), as mulheres representam mais de 80% dos casos, principalmente na faixa etária de 30 e 50 anos. Não se sabe o motivo, mas acredita-se que questões hormonais e genéticas estão entre as possibilidades investigadas.

DIAGNÓSTICO – Para Martinez, a identificação dos sintomas é uma questão complicada, e gera dificuldade no momento de fechar um diagnóstico. “O diagnóstico é puramente clínico, é o paciente contando para o seu médico o que ele sente e o médico reconhecendo os sintomas típicos da fibromialgia. Depois, é importante que se faça um bom exame físico, porque o paciente com fibromialgia pode ter outras doenças”, explica.

O reumatologista reforça que é importante que o médico verifique se essas possíveis outras doenças não podem estar contribuindo para a dor que o paciente sente. Por exemplo, que o médico saiba distinguir a fibromialgia de outras doenças que podem causar dor articular, como a artrite e a artrose.

Ele também ressalta que não existem exames específicos para fibromialgia. O ideal é que o paciente procure um reumatologista para investigar a possibilidade, ou busque atendimento primário onde for possível, como uma Unidade Básica de Saúde (USB).

José Eduardo Martinez enfatiza, também, que a síndrome gera uma disfunção dos neurônios ligados à dor, que se tornam excessivamente sensibilizados. Dentre os sintomas mais comuns, estão:

 

- Dor constante no corpo;

- Fadiga e falta de energia;

- Parestesia (sensação de formigamento, dormência ou picadas em partes do corpo) nas mãos e nos pés;

- Distúrbios de sono, incluindo crises de apneia e insônia;

- Sensibilidade ao toque e a estímulos ambientais, como cheiros e barulhos;

- Alterações de humor, como depressão e ansiedade;

- Dificuldades de memória, concentração e atenção;

 

NOVA LEI – Reconhecendo as dificuldades enfrentadas pelos portadores, o Congresso Nacional aprovou, no dia 2 de julho de 2025, a Lei 15.176/2025, que determina que quem tem fibromialgia passe a ser considerado Pessoa com deficiência (PcD). A medida foi sancionada, sem vetos, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e começou a vigorar em janeiro de 2026.

Fevereiro Roxo – Agora, em fevereiro, mês da conscientização sobre a fibromialgia (também sobre o lúpus e o mal de Alzheimer), o Governo Federal anunciou uma série de novas diretrizes, que visam ampliar a visibilidade da doença e implementar novas oportunidades de tratamento através do Sistema Único de Saúde (SUS).

Tratamento Multidisciplinar e estruturado – O Ministério da Saúde também implementou, este mês, um planejamento estruturado para o tratamento de fibromialgia no SUS, que visa ampliar o acesso à ajuda qualificada e melhorar a vida de quem convive com a síndrome.

A cartilha prevê a capacitação de profissionais e, também, um tratamento multidisciplinar, com fisioterapia, apoio psicológico e terapia ocupacional. A atividade física constante também é uma importante aliada, uma vez que ajuda a fortalecer o corpo e a melhorar, significativamente, a qualidade de vida dos pacientes.

Para a Sociedade Brasileira de Reumatologia, tratamentos não fármacos, isto é, aqueles que não utilizam remédios, são tão importantes para auxiliar o paciente quanto os fármacos, que ajudam a regular a percepção de dor. “Alguns pacientes desenvolvem ansiedade e depressão, provavelmente o médico reumatologista precisa do apoio de outros profissionais, seja o psiquiatra, seja o psicólogo, que trabalhem juntos, que conversem, por exemplo, um psiquiatra que converse com o reumato sobre os remédios, para não haver interação”, observa o presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia.

direitos – A Lei 15.176/2025 permite, ainda, que pessoas com a doença possam acessar diversos serviços, tais como:

 

- Cotas em concursos públicos e seleções de emprego;

- Isenção de IPI, ICMS e IOF na compra de veículos adaptados.

- Aposentadoria por invalidez e auxílio-doença, mediante avaliação pericial.

- Benefício de Prestação Continuada (BPC), no caso de baixa renda.

- Pensão por morte, em situações em que a incapacidade para o trabalho for comprovada.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




 

 

*Com informações da Agência Brasil.



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