Estaria o vice-prefeito Pablo Roberto arrependido da decisão
de desistir de candidatura a deputado federal, anunciada na quinta-feira? A
pergunta surge oportuna depois de publicação, em suas redes sociais, de um
enigmático post, em que insinua ter sofrido traição no
processo. "Antes do domingo, há uma quinta-feira de traição",
escreveu o secretário municipal de Educação. Não há outra conclusão possível:
ele praticamente afirma ter sido traído, no dia em que anunciou o recuo, que
pelo visto não ocorreu de forma espontânea como tentou em princípio sinalizar.
"Uma sexta-feira de dor", acrescentou, dando a
entender que o dia seguinte à "traição" não lhe foi nada fácil
digerir. Após o "silêncio" do sábado, garante "vencer todas
as fases", como fez Jesus: "o domingo está chegando". Não
significa que amanhã deverá acontecer algo extraordinário. Certamente, ele
remete a um futuro próximo. Discurso um tanto contraditório daquilo que disse
Pablo Roberto em seu "dia do fico".
"Espero que essa decisão (de desistir de ser deputado
federal agora) seja entendida pelo povo de Feira de Santana. O nosso
sentimento, nosso desejo, nesse momento, é que possamos continuar aqui”, ele
disse, ao justificar a decisão. Na mesma entrevista, tratou de isentar
completamente Zé Ronaldo, de qualquer problema que possa ter ocorrido no processo.
"O prefeito sempre me deu a liberdade de escolher, como sempre, muito
sensato, muito pé no chão, muito consciente da realidade. Me ajudou nessa
decisão, que tomamos juntos.”
Nas explicações dadas na quinta-feira, agora chamado
indiretamente de dia da "traição", ele alegou que o seu próprio grupo
teria recomendado a desistência. Afirmou que "muitas pessoas" que
ouviu "cobraram muito isso, da confiança que foi depositada na última
eleição, que ainda está muito recente, de ter escolhido o prefeito José Ronaldo
para gerenciar a cidade e Pablo Roberto para vice-prefeito". Então,
enfatizou, "por respeito também à população de Feira de Santana, a nossa
decisão nesse momento é continuar aqui em Feira”.
Algo que também reforça a tese de um recuo sob pressão, por parte do vice-prefeito, é a negativa, de pronto, a um apoio àquele que sonhou com sua desistência como forma de evitar concorrência interna na disputa por vaga em Brasília. Rejeitou, peremptoriamente, ajudar Zé Chico na caminhada, sob alegação de que só terá chance de obter sua valiosa ajuda, para deputado federal ou estadual, quem for correligionário no PSDB.