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  • Feira de Santana, quarta, 15 de abril de 2026

Emanuela Sampaio

A ditadura do bem-estar: quando estar bem o tempo todo vira um peso

15 de Abril de 2026 | 15h 43

Psicóloga alerta para os impactos da pressão constante por felicidade e produtividade emocional

A ditadura do bem-estar: quando estar bem o tempo todo vira um peso

Vivemos uma época em que sentir-se bem deixou de ser apenas um desejo e passou a ser quase uma obrigação, e, em muitos sentidos, uma verdadeira performance. A busca por equilíbrio emocional e qualidade de vida nunca esteve tão em alta, mas, por trás desse movimento, cresce um fenômeno silencioso: a chamada “ditadura do bem-estar”.

De acordo com a psicóloga Niliane Brito, especialista em Psicologia Clínica (CRP03/12433), o problema não está em buscar o bem-estar, mas na forma como ele tem sido imposto. A constante tentativa de sustentar uma felicidade permanente pode gerar ainda mais ansiedade, além de uma sensação recorrente de culpa e frustração. Isso porque, inevitavelmente, a dor faz parte da vida, e muitas pessoas, além de sofrerem, ainda se sentem culpadas por estarem sofrendo.

A influência das redes sociais intensifica esse cenário, ao reforçar padrões irreais de felicidade e produtividade emocional. Nesse contexto, o sofrimento passa a ser escondido ou até invalidado, dificultando que o indivíduo identifique o que está sentindo e busque suporte psicológico quando necessário, especialmente quando aquela emoção começa a se tornar disfuncional.

Segundo a especialista, é comum ouvirmos que existem emoções “negativas”, como tristeza, raiva e medo. No entanto, sentir tudo isso faz parte da experiência humana. O problema surge quando há uma tentativa constante de evitar ou suprimir essas emoções para atender a uma expectativa social de estar bem o tempo inteiro.

Esse padrão também impacta diretamente a autoestima. Quando existe a crença de que é preciso estar bem o tempo todo, qualquer oscilação emocional pode ser interpretada como fracasso, levando a um ciclo de inadequação, frustração e sensação de insuficiência.

Para Niliane, o caminho está no desenvolvimento de uma relação mais consciente com as próprias emoções. Quando aprendemos a nomear, compreender e reconhecer melhor o que sentimos, conseguimos lidar de forma mais saudável com as inconstâncias da vida.

Reconhecer limites, desacelerar e buscar apoio profissional são atitudes fundamentais. Em um cenário onde o bem-estar virou regra, talvez o verdadeiro cuidado esteja justamente em permitir-se não estar bem o tempo todo.



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