Depois da refrega por nomes e cargos para as eleições majoritárias baianas, acredita-se que se aproxima o momento dos candidatos se debruçarem sobre os problemas que afligem os baianos para apresentar soluções. Os números do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), recentemente divulgados, podem servir de guia para diagnósticos. Está se supondo – talvez ingenuamente, vá lá – que, nos programas de governo, problemas estarão apontados, com o respectivo conjunto de ações indicado.
Segundo o Censo 2022, foram mapeadas 572 favelas e
comunidades urbanas da Bahia. Apurou-se que 1,370 milhão de baianos (9,69% do
total) residem nestes espaços, que totalizam 160 quilômetros quadrados. É
grande a aglomeração: 8.561,72 habitantes por quilômetro quadrado. As favelas
baianas abrigam 677,3 mil domicílios, o que corresponde a 9,85% do total de habitações
recenseadas.
Normalmente as favelas e comunidades urbanas são mais comuns
em grandes e médias cidades. Os pequenos municípios – presume-me – não costumam
abrigar estes aglomerados. Mas, mesmo restrito às cidades maiores, a questão
apresenta ampla heterogeneidade, assim como heterogêneas são as diversas
regiões da Bahia.
Mesmo assim, há elementos comuns. A vida na favela, por
exemplo, é mais corriqueira para as pessoas pretas: elas representam 22,3% da
população total, mas são 39,2% dos residentes em comunidades; os pardos
ostentam condição um pouco melhor: são 57,3% da população do estado e 51,1% em
favelas. Os brancos, por sua vez, são 19,6% dos baianos e apenas 9,3% dos
habitantes das comunidades.
Alguns números, à primeira vista, surpreendem: 53,8% dos
domicílios baianos tem conexão à rede de esgoto e, nas favelas, 85,6%; Nas comunidades, 98,1% tem acesso à
rede de abastecimento de água, contra 83,1% da população em geral; o percentual
de banheiros para uso exclusivo é próximo: 96,9% contra 99,1% em favelas; e a
coleta de lixo chega a apenas 83,3% da população em geral, mas a 96,5% das
favelas.
Os dados acima oferecem elementos para constatações. Pretos e
pardos – a população negra – alvejados pela exclusão histórica, seguem compondo
a maioria absoluta dos baianos mais pobres, residindo em habitações precárias,
comuns nas favelas. Festejam-se muitos avanços recentes, mas a exclusão segue,
indiscutivelmente, como um grande desafio.
Moradores de favelas e comunidades têm mais acesso a alguns
serviços públicos essenciais do que a média da população baiana. Não se trata
de um privilégio: mais comuns em grandes cidades, as favelas estão mais
próximas das redes de oferta destes serviços. Municípios menores, mais
distantes e a população rural seguem à espera das tão anunciadas extensões
destes serviços. Sem muito sucesso até aqui, como se vê.
Um recorte simples já oferece um panorama do desafio de levar
serviços essenciais a milhões de baianos. Oferece também uma amostra de que as
desigualdades sociais e raciais tem endereço facilmente localizável. Não se
diluem no território, concentrando-se nas favelas, em pequenos municípios e no
rural invisibilizado.
Enfim, não é por falta de informação que os problemas que afligem os baianos não são resolvidos.