Mais uma desapropriação de imóvel de relevância para a cidade, está sendo anunciada pelo prefeito Zé Ronaldo. Esta manhã, em entrevista coletiva, ele anunciou que o centenário prédio da Sociedade Filarmônica Vitória, localizado na rua Conselheiro Franco, será adquirido pelo Município. O objetivo é igualmente nobre: proporcionar às diversas academias culturais de Feira de Santana que ali possam instalar as suas respectivas sedes.
Na edição deste sábado, será publicado o ato declarando o casarão de utilidade pública para fins de desapropriação. Dias atrás, o chefe do Poder Executivo desapropriou o antigo Hotel Caroá, que funcionará futuramente como Centro Administrativo da Prefeitura, abrigando várias secretarias governamentais.
A coletiva para anunciar a medida contou com as presenças de secretários municipais, do presidente da Câmara, Marcos Lima, e de várias personalidades do segmento cultural da cidade, a exemplo dos acadêmicos Dázio Brasileiro, José Raimundo Pereira de Azevedo, Lélia Vitor Fernandes, Cláudia Gomes, João Batista de Cerqueira, Alpiniano Reis de Oliveira Filho, José Ângelo Pinto e dom Itamar Vian, também arcebispo emérito metropolitano.
O ato foi prestigiado ainda por representantes de classes produtoras Luiz Mercês Júnior (Câmara dos Dirigentes Lojistas), Getúlio Andrade (Sindicato dos Hotéis) e Genildo Melo (Associação Comercial) e Renê Becker (contabilistas). Aplausos para o prefeito e seu secretário de Planejamento, Carlos Brito, mentor da proposta, acolhida pelo alcaide. O primeiro passo para a desapropriação do imóvel será a publicação de uma medida no Diário Oficial Eletrônico do Município de Feira de Santana (www.feiradesantana.ba.gov.br), edição deste sábado (27), declarando o prédio de utilidade pública para fins de desapropriação.
O Palácio das Academias vai abrigar as seguintes organizações culturais: Academia Feirense de Letras, Academia de Educação de Feira de Santana, Academia de Letras e Artes de Feira de Santana, Academia Metropolitana de Artes e Letras e Instituto Histórico e Geográfico de Feira de Santana. Fundada em 20 de julho de 1873 pelo padre Ovídio de São Boa Ventura, a filarmônica estaria prestes a completar 153 anos.
A Filarmônica Vitória teria registrado o prédio como seu patrimônio em 18 de setembro de 1894, há 132 anos. O saudoso jornalista Adilson Simas registra, em um de seus artigos sobre a história da cidade, que "fatos marcantes" são encontrados nos livros de anotações da entidade. Lembrou de três, dos inúmeros eventos:
Em 1897, coube a Vitória homenagear aqueles que retornaram da Guerra de Canudos; em 1924, foi incluída na programação que marcou a inauguração do palacete do coronel Agostinho Fróes da Motta; em 1927, juntamente com a Filarmônica 25 de Março, abriu o desfile estudantil que antecedeu a inauguração da escola Normal de Feira de Santana; em 1973, ano em que a cidade comemorou seu centenário de emancipação política, realizou o "Baile dos Artistas", que abria oficialmente a tradicional micareta.
Desde 1979, após reforma realizada pelo então prefeito Colbert Martins, o clube passou a patrocinar "as mais concorridas serestas da cidade", iniciativa que Antonio Caribé, o falecido Tuíta, se encarregaria de dar continuidade". Em março de 2021, o jornalista Jânio Rego informou no "Blog da Feira" que sumiu o brasão da fachada do prédio.
É uma ação concreta do Governo Municipal no trabalho de preservação da memória arquitetônica e cultural de Feira de Santana. O imóvel de aproximadamente 1.350 metros quadrados estava praticamente abandonado, pois a Filarmônica Vitória encontra-se sem diretoria desde que faleceu seu último presidente, o advogado e ex-vereador Celso Daltro.
O valor a ser desembolsado pela gestão municipal deverá ser simbólico, com depósito provavelmente em juízo, pois embora a instituição esteja em inatividade e sem representação, legalmente ainda existe. O prédio não corre risco de desabar, mas precisará ser reformado para acomodar as academias. Não há ainda uma previsão de quando estará pronto, mas poderá ser ainda este ano.