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  • Feira de Santana, s�bado, 27 de junho de 2026

Cultura

Morre o poeta, crítico literário e tradutor Alexei Bueno, aos 63 anos

27 de Junho de 2026 | 16h 53

Em 40 anos de produção literária, o autor recebeu alguns dos principais prêmios da literatura brasileira, a exemplo do Jabuti, APCA, ABL e Biblioteca Nacional

Morre o poeta, crítico literário e tradutor Alexei Bueno, aos 63 anos
Foto: Divulgação

Morreu, na madrugada deste sábado (27), em sua residência, no Rio de Janeiro, o poeta, ensaísta, crítico literário, tradutor e editor, Alexei Bueno. Ele tinha 63 anos e evoluiu a óbito em função de um câncer no fígado. A informação foi divulgada por Marco Lucchesi, presidente da Fundação Biblioteca Nacional, e pela Editora Lume.

Um dos mais aclamados intelectuais brasileiros, Bueno foi laureado duas vezes com o Prêmio Jabuti, um dos mais importantes do país. Também foi agraciado com o Prêmio APCA, criado, em 1956, pela Associação Paulista de Críticos de Teatro; com o Prêmio Fernando Pessoa, mais importante galardão cultural atribuído em Portugal e concedido pelo Jornal Expresso e Caixa Geral de Depósitos; com o Prêmio da Academia Brasileira de Letras (ABL); e com o Prêmio Literário Biblioteca Nacional, dentre outros.

Nascido no dia 26 de abril de 1963, na cidade do Rio de Janeiro, Alexei Bueno formou-se em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde também desenvolveu estudos em literatura e filologia. Ambas as formações influenciaram sua produção poética e ensaística.

OBRA PUBLICADAS – Em 40 anos de produção literária, destacou-se pelo rigor formal e pelo diálogo com a tradição clássica. Publicou, dentre outros livros, As escadas da torre (1984); Poemas gregos (1985); Lucernário (1993); A via estreita (1995); Os resistentes (2001); A árvore seca (2006); Anamnese (2016); Cerração (2019); O sono dos humildes (2021); A noite assediada (2022); Naquele remoto agora (2024), O irrefreável (2025); e A chave quebrada (2026). Além disso, reuniu sua produção em coletâneas, a exemplo de Poemas reunidos (1998), Poesia reunida (2003) e Poesia completa (2013).

ORGANIZADOR – Como editor, organizou, para a Nova Aguilar, a Obra completa de Augusto dos Anjos (1994); a Obra completa de Mário de Sá-Carneiro (1995); a atualização da Obra completa de Cruz e Sousa (1995); a Obra reunida de Olavo Bilac (1996); a Poesia completa de Jorge de Lima; a Obra completa de Almada Negreiros (1997); a Poesia e prosa completas de Gonçalves Dias (1998); além de uma nova edição da Poesia completa e prosa de Vinicius de Moraes, no mesmo ano, e a Obra completa de Álvares de Azevedo (2000). Também publicou, pela Nova Fronteira, uma edição comentada de Os Lusíadas (1993) e a obra Grandes poemas do Romantismo brasileiro (1994).

TRADUTOR – Alexei Bueno atuou, ainda, como tradutor, tendo convertido para o português As quimeras, de Gérard de Nerval, editado pela Topbooks, também com edição portuguesa. Traduziu, ainda, poemas de Edgar Allan Poe, Longfellow, Mallarmé, Tasso e Leopardi, dentre outros escritores renomados.

A sua tradução de O Corvo, de Edgar Allan Poe, é digna de nota. O texto original é considerado um "grande desafio para os tradutores de poesia, pelo seu extremo virtuosismo formal" e já havia sido traduzido para a Língua Portuguesa Machado de Assis e Fernando Pessoa. A tradução de Alexei Bueno integra sua coletânea Cinco séculos de poesia.

O escritor colaborou em diversos órgãos de imprensa, tanto no Brasil quanto no exterior. Foi membro do PEN Clube do Brasil e Diretor do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) do Rio de Janeiro, entre 1999 e 2002. Além disso, foi membro do Conselho Estadual de Tombamento. Considerado um homem de vasta cultura, ele marcou o cenário literário e cultural brasileiros como uma figura ímpar, ainda que vivesse muito à margem da elite literária do país.

TRIBUNA CULTURAL – Em 2003, em visita à residência do poeta Antonio Brasileiro, em Feira de Santana, Alexei Bueno concedeu extensa entrevista ao suplemento Tribuna Cultural, caderno pertencente ao jornal Tribuna Feirense, especializado em arte e cultura.

O velório do poeta será realizado neste domingo (28), a partir das 10h, no Cemitério dos Ingleses (Rua da Gamboa, 181, Santo Cristo, Rio de Janeiro), onde o corpo também será sepultado, às 16h.



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