Em 40 anos de produção literária, o autor recebeu alguns dos principais prêmios da literatura brasileira, a exemplo do Jabuti, APCA, ABL e Biblioteca Nacional
Morreu, na madrugada deste sábado (27), em sua residência, no
Rio de Janeiro, o poeta, ensaísta, crítico literário, tradutor e editor, Alexei
Bueno. Ele tinha 63 anos e evoluiu a óbito em função de um câncer no fígado. A
informação foi divulgada por Marco Lucchesi, presidente da Fundação Biblioteca
Nacional, e pela Editora Lume.
Um dos mais aclamados intelectuais brasileiros, Bueno foi laureado
duas vezes com o Prêmio Jabuti, um dos mais importantes do país. Também foi
agraciado com o Prêmio APCA, criado, em 1956, pela Associação Paulista de
Críticos de Teatro; com o Prêmio Fernando Pessoa, mais importante galardão
cultural atribuído em Portugal e concedido pelo Jornal Expresso e Caixa Geral
de Depósitos; com o Prêmio da Academia Brasileira de Letras (ABL); e com o
Prêmio Literário Biblioteca Nacional, dentre outros.
Nascido no dia 26 de abril de 1963, na cidade do Rio de
Janeiro, Alexei Bueno formou-se em Letras pela Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ), onde também desenvolveu estudos em literatura e filologia. Ambas
as formações influenciaram sua produção poética e ensaística.
OBRA PUBLICADAS – Em 40 anos de produção literária,
destacou-se pelo rigor formal e pelo diálogo com a tradição clássica. Publicou,
dentre outros livros, As escadas da torre
(1984); Poemas gregos (1985); Lucernário (1993); A via estreita (1995); Os
resistentes (2001); A árvore seca
(2006); Anamnese (2016); Cerração (2019); O sono dos humildes (2021); A
noite assediada (2022); Naquele
remoto agora (2024), O irrefreável
(2025); e A chave quebrada (2026).
Além disso, reuniu sua produção em coletâneas, a exemplo de Poemas reunidos (1998), Poesia reunida (2003) e Poesia completa (2013).
ORGANIZADOR – Como editor, organizou, para a Nova
Aguilar, a Obra completa de Augusto dos
Anjos (1994); a Obra completa de
Mário de Sá-Carneiro (1995); a atualização da Obra completa de Cruz e Sousa (1995); a Obra reunida de Olavo Bilac (1996); a Poesia completa de Jorge de Lima; a Obra completa de Almada Negreiros (1997); a Poesia e prosa completas de Gonçalves Dias (1998); além de uma nova
edição da Poesia completa e prosa de
Vinicius de Moraes, no mesmo ano, e a Obra completa de Álvares de Azevedo
(2000). Também publicou, pela Nova Fronteira, uma edição comentada de Os Lusíadas (1993) e a obra Grandes poemas do Romantismo brasileiro
(1994).
TRADUTOR – Alexei Bueno atuou, ainda, como tradutor,
tendo convertido para o português As
quimeras, de Gérard de Nerval, editado pela Topbooks, também com edição
portuguesa. Traduziu, ainda, poemas de Edgar Allan Poe, Longfellow, Mallarmé,
Tasso e Leopardi, dentre outros escritores renomados.
A sua tradução de O
Corvo, de Edgar Allan Poe, é digna de nota. O texto original é considerado um
"grande desafio para os tradutores de poesia, pelo seu extremo virtuosismo
formal" e já havia sido traduzido para a Língua Portuguesa Machado de
Assis e Fernando Pessoa. A tradução de Alexei Bueno integra sua coletânea Cinco séculos de poesia.
O escritor colaborou em diversos
órgãos de imprensa, tanto no Brasil quanto no exterior. Foi membro do PEN Clube
do Brasil e Diretor do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) do
Rio de Janeiro, entre 1999 e 2002. Além disso, foi membro do Conselho Estadual
de Tombamento. Considerado um homem de vasta cultura, ele marcou o cenário literário
e cultural brasileiros como uma figura ímpar, ainda que vivesse muito à margem
da elite literária do país.
TRIBUNA CULTURAL – Em 2003, em visita à residência do
poeta Antonio Brasileiro, em Feira de Santana, Alexei Bueno concedeu extensa
entrevista ao suplemento Tribuna Cultural, caderno pertencente ao jornal
Tribuna Feirense, especializado em arte e cultura.
O velório do poeta será realizado neste domingo (28), a
partir das 10h, no Cemitério dos Ingleses (Rua da Gamboa, 181, Santo Cristo,
Rio de Janeiro), onde o corpo também será sepultado, às 16h.