A pequena diferença de votos entre Zé Neto e Colbert Martins deve tornar o convencimento ao eleitor que votou em branco, nulo, e em outros candidatos, o fator decisivo. Os que se abstiveram são 19,11% ( 76.559 eleitores), mas não devem ser os mais importantes , apesar de serem a maioria dos não votantes.
A abstenção tem crescido, em Feira, ao longo das eleições: 2008 ( 14,48%), 2012 ( 15,5%, 2016 ( 17,1%), e 2020 ( 19,11%). O problema é que abstenção não costuma reduzir-se em segundo turno. Ao contrário, tem uma tendência a crescer. Nas eleições presidenciais de 2018 ela saiu de 20,32% no primeiro turno para 21,29% no segundo turno.
Evidente que o fato de termos um segundo turno que não acontece há 24 anos na cidade e termos uma eleição dicotomizada de forma importante entre dois grupos pode mobilizar alguns eleitores; em compensação, o crescimento da pandemia pode inibir outros.
É mais factível que os 10,97% (35.703 eleitores) que optaram pelo voto branco ou nulo mudem de opinião. Destes, um percentual de 2,99% ( 9860 eleitores) votaram em branco e 7,98% ( 25.843 eleitores) votaram nulo. É possivel que diante das opções de ter um representante do governo Rui Costa contra um representante do grupo de José Ronaldo, como escolhido para dirigir Feira, o eleitor sinta-se motivado a reconsiderar sua opção.
O mais provável, no entanto, é que a decisão esteja na mão dos 20,28 % (58.728 eleitores) que votaram em outros candidatos, que gostam de exercer o voto, e que vão escolher considerando a proximidade das propostas dos candidatos com suas ideias, ou até mesmo por rejeição ao outro, o que tem gerado a corrida pelas alianças.
A grande dificuldade é saber quantos votos cada um desses outros candidatos consegue levar consigo ao fechar um acordo com os concorrentes. Até o momento, Tourinho anunciou apoio a Zé Neto e Carlos Medeiros, do Novo, anunciou que não vai apoiar ninguém.
O tempo está correndo!
A renovação da Câmara Municipal trouxe um duro recado do eleitor, de insatisfação. A renovação recorde de 66% dos mandatos demonstrou que o eleitor não perdoou o precário exercício de fiscalização do poder exercido pelos vereadores e a recusa ao protagonismo que ela deve ter como ente essencial da administração e da democracia.
Apenas sete dos vinte e um vereadores conseguiram retornar, sendo que alguns nomes fortes, com trabalho significativo na cidade, ficaram de fora. O eleitor preferiu pulverizar a bancada, inclusive de oposição, a manter o mesmo perfil. A escolha de Jonhatas Monteiro, o Rasta, como vereador mais votado, mostra que o cidadão está em busca de vereadores mais incisivos, fiscalizadores, do que os do mandato passado.
Evidente que nem todas as escolhas se deram com esse perfil, mas o recado está dado para os novos e para os que sobreviveram. Só não ouve quem não quer.
Os dados da pesquisa TRIBUNA FEIRENSE/ Economic realizada em 51 bairros e 8 distritos, em Feira, com amostra de 1000 pessoas, foram confirmados pelo resultado final da eleição. A pesquisa tinha margem de erro de 3% para mais ou para menos. Na tabela abaixo podemos conferir os percentuais de votos válidos atribuidos aos candidatos pela pesquisa e o resultado final do TSE.
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Zé Neto |
Colbert |
Arima- teia |
Dayane |
Carlos Geilson |
Carlos Medeiros |
Beto Tourinho |
Marcela Prates |
Orlando |
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Tribuna Econo- mic
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39,7% |
38,8% |
4,65% |
7,04% |
5,58% |
1,32% |
1,19% |
0,93% |
0.66% |
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TSE
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41,5% |
38,1% |
4,86% |
4,84% |
4,4% |
2,52% |
1,93% |
1,66% |
0,07% |
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Votos |
119.862 |
110.146 |
14.012 |
13.949 |
12.689 |
7.259 |
5.570 |
4.785 |
195 |
Dizem que toda vez que uma mulher precisa explicar que ela é uma dama, ela já não é. Mais uma vez as Forças Armadas vem a público esclarecer que não tem vocação política e alertam para um risco da contaminação das Forças pelo vírus do poder. Millor costumava dizer que o poder era um camaleão ao contrário: ao chegar lá todos tomavam a cor dele. Já escrevemos em outros oportunidades sobre o risco da militarização do governo. Quando são uns poucos generais de reserva é possível manter o distanciamento, mas quanto mais militares estiverem no poder, mais difícil evitar que isso pese sobre as Forças Armadas.