O resumo final é que é impossível deixar de reconhecer as ações positivas do governo- do brilhante ministro Tarcísio Freitas a Moro-, e quem faz isso é um ressentido ou aloprado militante que deseja apenas o mal do país porque está lutando pelo poder.
Por outro lado, achar que o governo não tem erros, falhas, que não tem responsabilidades pela limitação dos resultados- inclusive do próprio Bolsonaro e ministros ideológicos - , e é tudo culpa da imprensa, é apenas um passador de pano, um torcedor militante, que não reconhece a mente cativa.
Um povo só ajuda um governo quando sinaliza seus erros e aplaude seus acertos!
O presidente Bolsonaro minimizou a crise econômica e disse que era uma "fantasia".
Lembrou o ex-presidente Lula, condenado por corrupção, que disse que a crise à epóca era uma "marolinha". E acabamos em recessão.
Esperamos que a onda do coronavírus e do petróleo baixo, não nos leve de volta ao mesmo lugar. Isso exige que Congresso e governo tenham objetivos comuns ou sofreremos as consequências. Nem fechamento do Congresso, nem golpe de parlamentarismo branco, são o nosso caminho.
Bolsonaro tem construído um isolamento progressivo dos governadores (com o desafio do ICMS, exclusão de governadores do Conselho da Amazonia, o que já gerou uma carta assinada por 20 deles); do Congresso (sim, sabemos que quase todo é chantagista, mas ele tem aprovado suas medidas importantes e não pode ser menosprezado como um poder da República); da imprensa (colocando todos em um balaio só, de forma sistemática e deliberada); e do Supremo (compartilhando vídeo em que eles eram representados por hienas).
Esse isolamento produzido ao acaso, é uma estupidez; deliberado, é um perigo. Só faz isso quem é louco e não tem apego ao poder ou quem tem um plano B.
E Bolsonaro não é louco! Isso sim, me preocupa. Manifestação, não.
De repente as escolas de sambas do Rio de Janeiro- uma espécie de joint-venture entre o crime organizado e o Governo-, foram elevadas de patamar, passando de grandes produtoras de diversão, e de instrumento para amenizar a face dura do jogo do bicho e do tráfico, para geradoras de tratados sociológicos.
Seus enredos se tornaram teses sociais, e seus desfiles peças de resistência ideológicas. O sonho dos intelectuais de araque de criarem Sorbonnes de barracão, tinha se concretizado, descido ao asfalto, e finalmente adquirido o status de redentor nacional.
Pena que ao final do desfile o bicheiro Bidi foi fuzilado com mais de 40 tiros. Era irmão de Maninho, também morto, com seu filho, em outra ocasião e filho de Waldemir Garcia, o Miro, um dos mais famosos bicheiros, e ex-presidente de honra (o termo não é uma ironia), da Salgueiro.
A realidade costuma ser implacável com as fantasias.
É lamentável que o clima de torcida esteja deturpando o debate e as ações que o país precisa. De um lado, de forma muito preocupante,ele é estimulado pelo presidente Bolsonaro em tom cada vez mais agressivo e isolacionista- Congresso, governadores, imprensa- como se não houvesse ninguém digno em todo esse grupo, e por seus aloprados de estimação que tem menos espaço no governo do que os ministros que mostram serviço como Moro, Tarcisio, Guedes.
Do outro lado, por oportunistas de olho no poder, oposicionistas seriais, e formadores de opinião que sempre ocuparam o paraíso das verbas estatais, das sinecuras sindicais, do patrocínio fácil, da tolerância leniente, e que precisam da beligerância do governo para garantir sua própria sobrevivência já que seu discurso foi dilacerado pela corrupção monumental liderada por Lula e seu PT.
Acontece que nessa escalada em que cada poder é um reator sem limites, exibindo seus discursos radioativos, suas disputas que travam o país, mais por interesses do que divergências consistentes, e em que o Presidente parece mergulhado no vazio, nos leva a um caminho perigoso. Cito o presidente porque lhe cabe a maior responsabilidade, embora isso também caiba a todas as instituições politícas e judiciais da nação.
Mesmo a agenda positiva que o governo tinha no começo parece substituído pelas disputas estéreis, milicianas, que fragilizam a operacionalidade administrativa. Não custa alertar que a economia da China vai dar uma séria balançada e que a crise política, por lá não está afastada, e nossa dependente economia pode ser vítima, piorando esse caldo. Fosse pouco, o dólar bateu em R$4,4 reais e Guedes teve de se reunir com Bolsonaro para ser convencido a ficar. Não é bom quando um Ministro como ele- de sangue quente, diferente de Moro-, precisa estar sendo convencido a ficar no governo.
O que quero dizer é que é preciso muito cuidado com quem vibra com o chute na canela do adversário- de qualquer lado-, pois esse tipo de jogo não costuma ter bom resultado. E nós estamos vivendo perigosamente - basta ver a crise policial-, e eu não sei se isso vai acabar bem, se não mudarmos a direção.
Administre seu ódio, controle sua vontade de eliminar adversários, lute por medidas corretas e não saia tentando justificar tudo e qualquer coisa, de qualquer lado, pois, podemos caminhar para um ponto de não retorno.
E não será bom.