O Brasil é inimaginável, surrealista. No Rio, a escola de samba Mangueira ganhou o Carnaval com homenagem a Marielle,a vereadora morta, dando uma lição de moral ao país, mas o carnaval da Mangueira foi financiado com dinheiro roubado pelo presidente da escola, que está preso. A escola é parte da Liga das Escolas de Samba que é mantida pelo jogo do bicho. Os bicheiros utilizam os serviços do Escritório do Crime mantido por milicianos, e que agora foram descobertos como assassinos de Marielle, homenageada pela escola.
Aqui, não só se mata, como se vai ao enterro e ainda se puxa as orações de louvor...
O corte dos privilégios de toda uma classe que se beneficiava de aposentadorias muito diferenciadas, inclusive políticos, e que agora se aposentarão de forma igual aos demais, pelo teto do INSS, é um gesto inédito e de extrema coragem do governo Bolsonaro.
Nenhum governo anterior tentou mexer nessa poderosa casta. É o mais corajoso ato administrativo que já vi um governo fazer desde a volta da democracia
Bolsonaro foi intensamente criticado pela mídia por ter compartilhado um vídeo pornográfico em suas redes sociais. Agora, em um duplo carpado, a mídia já apresenta os autores do crime, da "golden shower", como artistas fazendo uma performance. Ora, me bata um abacate:ou Bolsonaro compartilhou pornografia, e justifica-se a reprovação; ou arte, e não pode ser criticado.
Não dá para servir a dois senhores sem desonestidade intelectual. Não se pode condenar o presidente - e até impeachment chegaram a sugerir- , e elogiar os depravados do vídeo, que cometeram um atentado violento ao pudor.
A mídia não pode ser cínica, escancarar de forma tão evidente sua escatologia comportamental, e desrespeito ao leitor, tentando transformar a notícia em um instrumento de serviço aos seus interesses. Entre o desejo de bater no Presidente, mas ao mesmo tempo ter que criticar uma pauta que costuma defender, ela escancarou sua dicotomia.
Eu, ao contrário, continuo condenando o ato, os obscenos, e o presidente
Bolsonaro usa suas redes sociais como um instrumento de manipulação política e marketing. A cada postagem contra a esquerda Bolsonaro atiça seus partidários - dizem que não só legais-, e exacerba a dicotomia do "nós contra eles", filme já visto por todos nós, e que deu no que deu: o próprio Bolsonaro.
A postagem de um vídeo pornô foi uma dessas ações propositais, gerando um imenso recall e polarizando o debate. Nem adianta discutir se Bolsonaro infrigiu a lei do decoro, pois, sempre há quem argumente que o que ele fez foi divulgar como um erro e não " produzir" algo pornô. É dessas semanticas jurídicas que imobilizam qualquer ação. E não há clima político suficiente para impeachment como alguns apressados chegam a argumentar.
Alguns, podem preferir achar que Bolsonaro foi apenas tosco- o que não deixa de ser, também-, mas ele fez marketing. Isso fica muito claro, absolutamente claro, na postagem seguinte em que ele pergunta o que é " golden shower", após a repercussão da primeira postagem. Podem apostar a vida de vocês que Bolsonaro sabia muito bem o que era e colocou a segunda postagem para incendiar a internet algo que parece lhe dar imenso prazer e financiar seu ego. Ele está usando as armas que tem e o pouco que sabe fazer para manter seu capital político. Em situações mais complexas ele tem reconhecida dificuldade de dar declarações substantivas.
A técnica já foi usada por Trump e ele segue a risca, o modelo. Bolsonaro faz uma aposta arriscada. Seu eleitor mais fervoroso não se importará com o que ele poste, mas o eleitor que o escolheu mais por antipatia ao PT ( e é uma parcela significativa) pode começar a sentir-se incomodado com a extrapolação do bom gosto. Além disso, Bolsonaro não pode esquecer que como presidente representa a nação, tanto aqui, quanto internacionalmente e que certas posições apenas roem seu cacife político.
Bolsonaro está jogando, mas é bom calibrar o limite de suas apostas.
Faz parte do sistema de mídia e da oposição a pregação do apocalipse econômico com as mesmas cores- talvez com mais fervor- com que se combatia o governo Temer (PMDB), apesar do ex-presidente-acusado de corrupção-, ter conseguido fazer com que a economia parasse de afundar e o país retomasse o crescimento, com suas reformas, ainda que de forma pífia, ou ao menos sem a capacidade de reverter os 12 milhões de desempregados, uma herança maldita do governo Dilma( PT).
As reformas prometidas no governo Bolsonaro (PSL), especialmente a da Previdência, fizeram o dólar recuar, a Bolsa de Valores bater recordes, e a expectativa de crescimento ser retomada. Claro que vai depender dessas promessas serem cumpridas e do governo parar com a autosabotagem que lima seu capital político.
Contra as pregações o melhor de tudo é olhar a curva do PIB(Produto Interno Bruto) ao longos desses anos, como revela o relatório Focus, do Banco Central e projeções de outros institutos: 2012( +0,9%); 2013( +2,3%); 2014 (+0,1%); 2015 ( -3,8%); 2016 (-3,6%); 2017( +1%); 2018 (+1,1%) . Para 2019 a projeção é de um crescimento de 2,3% e, em 2020, a projeção é de 2,65%.
A brutal recessão dos anos 2015 e 2016, do governo Dilma, a maior da história, foi revertida pelo governo de Temer, o que foi, sem dúvida, fundamental para salvar o país da quebradeira total. Agora, a previsão é de crescimento positivo nos próximos dois anos, se a reforma for feita, o que significa mais dinheiro e mais emprego.
É sempre bom ter esses números na memória quando anunciarem que o terror está vindo. É, esquecimento do passado.