Brasileiros têm um desafio: desarmar os preconceitos ideológicos e iniciar uma vigília cívica. Nenhuma aprovação obrigatória, nenhuma rejeição, incondicional.
É nossa missão nos afastarmos da contaminação ideológica, do projeto de poder baseado na corrupção e na compra da sociedade, que o PT montou, e que levou à recessão brutal e 12 milhões de desempregados. Não porque a " esquerda" seja ruim, 'per si", mas porque o modelo tentado falhou miseravelmente.
Então, a população, sem tutelarem partidária, rejeitando um modelo de política, escolheu aquele que parecia representar melhor a repulsa ao que havia. Também não significa que a " direita" seja boa, " per si”, ou mesmo que Bolsonaro seja o exemplo de estadista que sonhamos. Trata-se de oferecer uma outra oportunidade ao país, uma chance de tentarmos com uma equipe competente, em sua maioria,-salvo umas bizarrices-, refazer alguns caminhos da nação. O que fizemos até agora na educação, saúde, segurança, infraestrutura, financiamentos internacionais, tem se mostrado um monumental fracasso. Então não podemos continuar fazendo as mesmas coisas e esperarmos um resultado diferente. Temos de apresentar novas alternativas.
Não há garantias que Bolsonaro faça um grande governo; mas não há nenhuma garantia, também, que será um fracasso. E não podemos desejar o fracasso para atender aos nossos ressentimentos. Por isso, o desafio: vigiar continuamente, cobrar permanentemente, apoiar o certo, e combater o errado, sem nunca mais silenciarmos sob o peso do pensamento único, do politicamente correto, dos discursos manipuladores que servem apenas para imobilizar a crítica.
Não batam palmas por mera adesão mitológica, emocional; não neguem aprovação por mera perversão ideológica.
Do equilíbrio, insistência, e força de nossas atitudes, teremos um futuro melhor ou pior. Sejam bem vindos a 2019.
Todo poder ocupado por longo tempo gera aparelhamento da máquina pública, vícios administrativos, loteamento político dos cargos e acomodação funcional. E, frequentemente, corrupção. É inevitável.
Precisamos lutar, ferozmente, pela limitação da reeleição não só para presidente, mas para os demais cargos da esfera política, inclusive, deputados, senadores, e prefeitos.
Tem uma floricultura essencial na esquina de meu prédio. Não que um bar intimista, para as mentiras; uma cuscuzeria, para as urgências da fome; um café, para os frios da alma, não sejam valores agregados de uma moradia, mas uma floricultura é a vizinhança mais necessária. Deveria, por decreto, haver tantas floriculturas quantas são as farmácias, na cidade, até porque os males do espírito costumam ser mais prevalentes do que os do corpo. Eu mesmo tenho, lá, certa freguesia, e amizade com as floristas.
Da janela da biblioteca onde escrevo vejo a pacata transversal da rua que vai até a loja. Nos finais de semana ela fica mais deserta. Num desses sábados, manhã amena, vejo um homem de média idade, bermuda, sandália, dobrar a rua abraçado a um ramo de rosas. Ia devagar e tranquilo, como quem sabe que está cumprindo uma missão superior: caminhar com flores para alguém. Sim, admitamos com alguma inveja, que alguém, naquela manhã de sábado, seria tão importante, que aquele homem saiu para comprar flores, a pé. E tudo que almejamos nessa vida é merecer flores na manhã de um dia qualquer. Poderia ter declarado seus sentimentos com palavras, mas optou pelas rosas que o poeta disse que não fala. E caminhava pela rua soberano e sereno, como quem ainda é capaz de delicadezas perecíveis, mas infinitas, em tempos de tanta desvalorização, talvez, apenas para dizer que começaria tudo outra vez. Ah, portanto, um conselho as mulheres: nunca amem um homem incapaz de andar na rua um sábado qualquer para lhes comprar flores.
Fui acompanhando-o, e, em exercício inútil do pensamento, fiquei a imaginar para quem seria: amada, filha, mãe, aniversariante, e torcendo que fosse uma mulher, em seu vestidinho de esperas, pronta para um abraço, uma concessão, uma chance de refiar os fios que nos conduzem adiante do labirinto e salvam nossa humanidade. Porque em toda mulher em que há amor, há a vastidão de uma pátria para nos acolher.
De repente, dois rapazes surgiram do nada, e um por cada lado, atacaram o homem, e com o celular e a carteira, saíram correndo. As flores não, que flores não têm valor. Por incrível que pareça ele não largou as rosas, mas já não era o mesmo. Assustado, continuou rápido até onde pude ver a rua. As rosas, agora, iam seguras na mão. Já não era o mesmo homem, nem as mesmas flores, nem o mesmo encanto.
Quis gritar, mas já era tarde; quis ser solidário, dar um abraço, me apresentar, pedir desculpas pelo tempo incerto e frágil em que amamos, mas nem o alcançaria. Assim, ficamos, ela, que a receberia, talvez, em pranto; e, eu, que a imaginei, sem a poesia daquele dia.
Nesse sábado fui a floricultura, um tanto desconfiado. Um homem fazendo o que aquele fazia deveria ser intocável, mas esse é um mundo em que já roubam até um homem com flores.
O voluntarismo, a vaidade, a soberba, já são traços conhecidos de Marco Aurélio, o famoso, " ministro divergente", do STF. Agora, no entanto, o Ministro transformou sua vaidade- ou coisa pior- em irresponsabilidade monumental, achincalhe, e golpe, ao conceder uma liminar que pode libertar até 169 mil presos, condenados em segunda instância, no último dia de atividade da Suprema Corte, antes do recesso.
A verdadeira motivação é a liberdade de Lula que entrou com um pedido, 40 min, após a decisão do Ministro, pouca importa que para isso coloque essa quantidade de condenados nas ruas às vesperas do Natal. O Ministro contrariou até a decisão do pleno que admitiu esse tipo de prisão. Decididamente não é uma decisão para ser tomada monocraticamente, pois, provoca uma tremenda instabilidade social e institucional.
O Brasil não pode aceitar essa esdrúxula decisão. Marco Aurélio disse que não pode conviver com manipulação de pauta; 210 milhões de brasileiros não podem mais conviver com Marco Aurélio!
É claro que o mais bonito Natal de Feira será, um dia, na Lagoa Grande, sobre a qual flutuará a árvore com suas luzes de esperança.
É claro que isso depende do Estado terminar a interminável obra que consumiu milhões sem conclusão, do mau cheiro deixar de fazer parte da paisagem, e da urbanização do seu entorno- transformando a área em parque de verdade-, ser concluída.
Espero alcançar, em vida...