A PMFS está propondo uma grande intervenção urbanística no centro de Feira, com várias questões de mobilidade que temos pontuado ao longo do tempo.
A ideia de uma " cidade para pessoas" como sugere o grande arquiteto/ urbanista Jan Gehl, que reinventou Copenhague (li seu livro e o vi em uma conferência em São Paulo), é fundamental, como citamos em uma oportunidade em que falamos em comemoração ao aniversário da cidade, na Câmara. Jane Jacobs aborda isso, também, em um livro clássico chamado Morte e Vida de Grandes Cidades.
A melhoria da mobilidade, acessibilidade, e revisão urbanística dessa área de Feira é uma iniciativa imperiosa. Deve ser discutida, aperfeiçoada, mas merece o incentivo e aprovação da Câmara
Feira sempre foi uma cidade engasgada na garganta dos governos do PT. Ele nunca teve sucesso em tomar o poder da mão de Ronaldo, mesmo com o líder do governo, Zé Neto, tendo base nessa cidade.
Vencida a eleição de 2018 de goleada, Rui Costa, não descansou. Partiu para cima. E acaba de pegar Geilson no laço para sua base. É um golpe no grupo de Ronaldo e no desenho eleitoral da sucessão a Prefeitura. O cerco será completo e isso será mais uma sequela da desastrada campanha da oposição liderada por ACM Neto. O que acontece em Feira acontecerá em Salvador, portanto, Neto, que bote as barbas de molho.
As peças começaram a ser mexidas com a mudança de Zé Neto para Brasília, abrindo espaços de negociação fazendo com que o jogo da sucessão começe a ser jogado. A tendência, se não houver uma intervenção forte da liderança, é que o grupo de Ronaldo começe a rasgar parede a unha para definir quem será o candidato.
Geilson, em entrevista, disse que Ronaldo ligou para que ele não abaixasse a cabeça com a derrota e queixou-se que Colbert não lhe fez nenhuma ligação. A verdade é que Rui continua a jogar com maestria o jogo da política, na Bahia, com objetivo de fazer uma ocupação total dos espaços e enterrar a oposição.
Vai pegar fogo...
A lavagem eleitoral na Bahia com todas as suas conseqûencias na disputa presidencial e nas disputas que virão pela Prefeitura de Salvador e governo do Estado, atesta a performance diferenciada entre os dois grupos.
De um lado, Neto, o cacique que poderia comandar o processo, amofinou, e deixou os demais caciques menores em pé de guerra, com cada um puxando a sardinha para o próprio lado, divergindo, acusando, o outro, e ampliando o abraço de afogados que levou a todos.
No outro lado o comando firme que não poupou Lídice da Matta, escanteada da chapa, sem dó nem piedade, para que Coronel fosse indicado a Senador. Lídice deu uns pulinhos de siri na lata, mas engoliu o sapo e foi atrás da candidatura a deputada.
Rui e Otto sabiam o que faziam. Uniram o grupo, trabalharam coesos, sem falhas, ampliaram a capilaridade, agregaram prefeitos que já eram do grupo e os desamparados de ACM Neto, e casaram os votos de uma maneira tão firme e impositiva que Coronel teve a mais surpreendente votação da história recente da Bahia.
Rui havia escolhido dois setores para trabalhar com mais foco: saúde e transporte, em Salvador, e deixou dois outros ao feijão com arroz: educação e segurança. Ao montar a maior rede de unidades de saúde que já vimos e concluir o metrô ( empacado em toda geração ACM e João Henrique) , tirando o atraso da capital em mobilidade, ele construiu 2 sucessos.
Já educação e segurança se converteram em dois fracassos, com o pior IDEB do Brasil e o descontrole total da violência. Acontece que saúde e mobilidade impactam muito mais diretamente na população, com mais urgência, do que educação. A insegurança, é nacional.
O cenário estava construído, a política estava feita, a equipe estava montada. Otto, formado na escola de ACM pai, experiente, já havia tomado a Assembleia. Foi só seguir o jogo.
Rui e Otto deram show de competência política. Aos adversários cabe ir lamber as feridas, deixar a soberba e preparar-se para o árduo futuro.
Nordeste não tem de pedir desculpas a ninguém por ter dado mais votos a esquerda, mesmo sendo a única região do país, em que isso aconteceu; Nordeste não tem que ter nenhum orgulho especial, nem se achar melhor do que todas as outras regiões do país, porque foi a única em que a esquerda venceu.
Mais que adjetivos toscos de críticas, ou elogios militantes, pois, ambos distorcem a realidade, o Nordeste, precisa de respeito, investimentos e educação.
Assim como o Nordeste nunca culpou, nem elogiou ninguém, pelas vitórias, ou derrotas, da esquerda, ou direita, não cabe, agora, ter apontado sobre si o dedo da ignorância e do preconceito.
Se a nossa condição, por razões A ou B, apesar da redução do número, ainda permite a supremacia de votos da esquerda, isso é reflexo dos nossos séculos de penúria e seus ocupantes não devem ser menosprezados. Nem tampouco devem ser tratados como mais sábios, pelas escolhas que suas necessidades lhe sinalizam .
Somos um só país. Nada fora disso! Nada além disso.
Ganhador: Rui Costa
Grande ganhador: Otto Alencar que fez de Coronel um Senador, o que ele jamais seria por conta própria.
Perdedor: Ronaldo
Grande perdedor: ACM Neto
Mega perdedor: Feira de Santana que encolheu politicamente reduzindo sua bancada