A monumental derrota da oposição na Bahia, tem um dono: ACM Neto. Ao conduzir de forma desastrosa e egoísta o processo de formação da chapa o desastre estava desenhado. Foi um 7x1, que deixa esfacelada a oposição na Bahia, com consequências na sucessão da Prefeitura de Salvador e provavelmente na liderança nacional do DEM. Neto, terá um gigantesco trabalho se quiser voltar a consolidar-se com uma liderança que mereça o respeito e o apoio dos liderados.
Enquanto o time de Rui seguia unido e coeso, a guerra interna e a campanha individualista da chapa oposicionista, sinalizava o fracasso da votação. Rui e Otto merecem os parabéns pela forma profissional com que conduziram o processo eleitoral. Com foco, decisão e objetividade. A vitória foi um resultado natural.
O dulplo carpado de Ronaldo em direção a Bolsonaro botou uma certa expectativa de melhora nos seus índices. Se isso aconteceu, não sabemos, mas Feira entrou na rota de destaque nacional ao Haddad e Rui escolherem essa cidade para encerrar a campanha.
Seja o possível crescimento de Ronaldo,ou não, Feira fica como cenário da última batalha preparatória antes do domingo.. Bolsonaro está em vies de crescimento e chegou a 43% dos votos válidos., podendo ganhar em primeiro turno, embora difícil.
O amanhã já não tem certezas.
Caso se confirme os dados da pesquisa eleitoral teremos um desastre monumental da oposição, na Bahia. Um 7x1 local. E esse desastre tem um dono: ACM Neto, que conduziu o processo da forma mais egoísta, e despreparada, possível. Enquanto Rui trabalhava e articulava, a Bahia esperava um candidato novo, na oposição, que vinha de um bom mandato como prefeito, mas eis que na undécima hora, na madrugada, o prefeito desistiu deixando todos os seus aliados na rua da amargura. E, mais ainda, deixou a Zé Ronaldo, o trabalho de tentar unificar a nova chapa, perdendo tempo, e nunca plenamente aceita por João Gualberto, por exemplo.
Ronaldo que havia se preparado para o Senado, viu-se sem mala e cuia. Se mantém candidatura ao Senado, sabia que as chances eram remotas, afinal, ganhar o Senado sem um puxador de voto, é quase impossível. A possível eleição de Lázaro deve-se a existência de um fator extra-campo: a religião. Então, sacrificou-se pelo partido: foi ser candidato a governador, universalizando seu nome, gastando as verbas do partido, e ganhando crédito em caso de vitória nacional. Era sua melhor alternativa, ou voltar para a casa onde mora há 40 anos. Próximo a Casa Rosada, um restaurante caseiro.
Acontece que o cenário nacional não obedeceu ao script e o apoio ao prefeito de Feira, sempre foi menor do que o necessário, é o que dizem. Outros dizem que a capital nunca engoliu o prefeito vindo do interior. E lógico que prefeitos deixados ao desamparo por Neto- mais do que o poder, políticos gostam da perspectiva do poder- foram buscar abrigo nos braços do PT, de Rui, dificultando a campanha.
Então, no último debate, Ronaldo – que, aliás, estava duro, incisivo, quase excessivo, a ponto de dar margem a Rui lhe dar um pito- surpreendeu e declarou apoio a Bolsonaro, contrariando Neto, que apóia Alckmin. A Bahia foi à loucura, e a notícia- dizem que plantada, não se sabe bem- correu o Brasil, afirmando que Neto havia deixado a campanha do ex-prefeito de Feira, o que foi desmentido depois.
Alguns apontam traição em Ronaldo e outros que foi uma vingança pelo escasso apoio e falta de futuro. Uns dizem que ACM Neto gostaria de ser o negociador desse apoio no segundo turno e Ronaldo deu um drible da vaca, no líder. Uns que foi apenas descontrole. O próprio Ronaldo disse que seu objetivo maior é derrotar o PT. É possível que todos estejam certos; é possível que todos estejam errados. Como diz um amigo que já tem três frases para fazer um livro: o jogador é que sabe a hora de jogar. Ronaldo arriscou: espaço, parceria, partido, sucessão. Pode dar certo, e como animal político ele manterá um lugar ao sol; pode dar errado, e sempre restará a ótima feijoada da Casa Rosada.
É difícil escrever sobre Bolsonaro, contra ou a favor, sem aparecer agressores, portadores de indignação seletiva, e similares, mas vamos lá: é análise, não opção de voto.
Ganhando ou perdendo, o "case" Bolsonaro terá de ser estudado pelos especialistas em política. Um candidato sem verba, sem marqueteiro, sem tempo de TV, sem coligações, com uma equipe que oscila entre a asneira e a inexperiência, massacrado como nenhum outro em toda mídia, esfaqueado e colocado fora do corpo a corpo, resiste a todos os ataques, mantém a liderança, galvaniza todo processo eleitoral ao ponto dos adversários o citarem todo tempo, garante um lugar no segundo turno, e tem chances cada vez mais exponenciais de ganhar no primeiro.
Seja qual for o resultado, teremos que mudar nossa concepção e modo de análise, nossa interpretação da nova voz da população, do dominante papel das redes sociais e de um novo grupo, não tradicional, de formadores de opinião. O que parecia caricato revelou-se um discurso que já é vencedor.
Como lidaremos como esses novos dados daqui por diante? Quais os fatores impulsionadores de Bolsonaro?; quais os que limitaram o avanço dos adversários com mais dinheiro e tempo? Que leitura faremos do país, da mídia, das redes sociais, do tempo de TV, partidos, da voz da população? Qual o recado da população aos políticos?
Todo sistema tradicional está em xeque e haverá muito a ser analisado, discutido e revisto pelos estrategistas políticos.
Bolsonaro se tornou um “case" de sucesso emblemático.
O longo caminho da civilização a liberdade individual, o estado de direito, a democracia, o direito a propriedade, o voto livre, foram conquistas que se tornaram o grande legado de nossa trajetória. Não foi construído sem sacrifício e vidas, retiradas por tiranias que ameaçaram essas conquistas, de forma sorrateira, às vezes, ou de forma, bruta, em outras. A liberdade, com seu poder de mobilização extraordinário, desencadeadora de todos os avanços e conquistas que o espírito e a inteligência humana conceberam, é, de todas, a mais cativa das ambições humanas. Não suportamos a opressão que uniformiza e retira do cidadão sua individualidade, potencial criativo e supremo direito de escolha, em nome do Estado, partido, fé, ou capital.
Sartre dizia que a liberdade era absoluta ou não existia, e que estamos condenados a sermos livres. Esse é nosso destino, mas não creio que exista forma absoluta, afinal, estamos sempre delineados pelas memórias, afetos, experiências, fé, ou falta dela, portanto, toda escolha condicionada é um limite a essa liberdade. A grande busca é aproximar a liberdade vivida da liberdade desejada, ou que aceitamos como suficiente. Nós somos o limiar de nossas concessões.
É mais fácil entender a liberdade em outro sentido. Hobbes afirmou que a liberdade natural, ilimitada, foi trocada pela liberdade civil, ao criarmos o Estado sob forma contratualista e esse passar a determinar os limites dessa liberdade. Locke rebateu afirmando: “Cedendo seus direitos ao Estado, os homens quiseram instituir um órgão que lhes garantisse a paz, a prosperidade e a justiça. Se o Estado se desvia de sua finalidade, se falha em relação aos seus objetivos deve ser dissolvido para que outro se organize”.
Nos dias atuais, em que a primeira geração desse terceiro milênio chega à maioridade, a liberdade parece um bem imperecível, depois que o Ocidente livre prevaleceu sobre o Nazismo e a Cortina de Ferro, do Comunismo, mas a verdade é que o exercício dessa liberdade civil está sempre sob ameaça. Não são poucos os que desejam o Estado Leviatã, regulador ao extremo, em que nada existe fora do Estado. Ele serve aos instintos mais primitivos de dominação, do homem.
A situação atual é mais grave porque as ameaças deixaram de se mostrar com armas em punho, e passaram a ocupar sutilmente o discurso, as idéias, os corações, infiltrando-se lentamente na Sociedade para diluir valores conservadores, referenciais históricos e institucionais, estruturas familiares, com objetivo de fortalecer o estado tutor, paternalista, regulador onipotente.
Além dos partidos que ocupam as mentes e corações das universidades, da mídia e dos formadores de opinião, passamos a ter grupos de pressão, que se utilizam de diversos discursos para estabelecer limites de ação ao outro e detentores dos meios eletrônicos de comunicação que usam sem pudor todas as possibilidades dessa dominante forma de rede social.
Aos poucos, estamos sendo encarcerados, dominados em nossa linguagem- o princípio de toda dominação é a dominação da palavra-, e o que é assustador, muitas vezes com a concordância do dominado que acreditar estar sob princípios razoáveis, e cede ao novo contratante. Como bem disse Manon Roland, antes de ser guilhotinada: Ó Liberdade, quantos crimes cometem-se em teu nome.
Os inimigos da liberdade estão sempre de prontidão, ávidos para dilapidarem a condição essencial de nossa existência, o que exige do indivíduo uma permanente capacidade de identificar e reagir, para manter-se livre: "Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós!