César Oliveira - 09 de Março de 2018 | 09h 14
Salvo alguma reviravolta inesperada, depois de prolongado jejum, Colbert Martins Filho, vai assumir a PMFS. Não serão poucos os desafios de substituir o longevo governo de José Ronaldo. Não só pela máquina toda ocupada com os partidários do prefeito, mas porque o futuro depende do sucesso eleitoral, ou não, de Ronaldo, na chapa majoritária. E, de saída, Colbert, terá de escolher quem apoia para deputado. Não mais como líder político, do seu velho grupo, apenas, mas como alcaide da cidade. E seria útil para a sobrevivência financeira, fazer um deputado federal. Falta da qual, Feira, ressente-se, de maneira brutal.
Colbert terá de fazer um governo firme, objetivo, decisivo, mostrando que está pronto para tornar-se o líder, que não poderá ser questionado como candidato a sucessão, e capaz de manter o grupo unido, ou a maioria do grupo unido, sem que outros sonhem com o cargo, gerando divisões. Evidente que o resultado de Ronaldo será um peso importante, mas são muitas as peças a serem ajustadas e que passam pelo governo estadual e federal, no jogo de fortalecimentos e enfraquecimentos.
Vamos iniciar o tempo dos desafios de Colbert. Ele tem a faca e o queijo na mão. Chegou a hora de mostrar que pode ser o " chef".
César Oliveira - 17 de Fevereiro de 2018 | 17h 40
Ao lado dos grandes desfiles, no Rio, o que ganhou destaque foram os arrastões em um dos mais famosos cenários do planeta: a praia de Ipanema, mostrando a imensa crise de segurança nacional, da qual, o Estado, é o maior farol. A verdadeira crise, no Rio, é do vazio de autoridade, o vácuo do poder, esse terrível legado do saqueador serial, o ex-governador Sergio Cabral, que ao corromper Tribunais, Assembleia, e outras instituições, levou ao apogeu um processo de destruição iniciado no governo de Chagas Freitas e de seu sucessor , Brizola, e tolerado, ou até apadrinhado, por todos os sucessores. Não chegamos a esta apoteose criminal sem uma longa história de expansão.
A queda do “bando dos guardanapos” como ficou conhecido, dos Conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e do presidente saqueador do Legislativo, Picciani, pôs a nu o estado de descontrole e putrefação administrativa existente. Cabral validou e agigantou as forças criminosas, sem oferecer resistência, ética, ou limite moral. Seu sucessor, Pezão, sozinho, não é mais do que uma terrível e cruel piada de mau gosto, sendo apenas o guardador do caos, o barqueiro do inferno em que vive a população, acostumada ao terror diário, aos mais de 120 policiais assassinados, aos mais de 500 tiroteios, apenas em Janeiro, certificando o descontrole e a ausência de hierarquia administrativa. O afastamento ou renúncia seria o melhor que Pezão poderia dar ao Rio.
Neste contexto, a intervenção federal, na área de segurança é uma ação vital sim, ao menos como sinalização de que o poder público não está dominado. Embora não creia que essa intervenção federal, com limitações de poder de ação, sem o domínio completo da máquina pública, irá resolver o longevo problema do Rio, acredito que foi a medida possível e acertadíssima, do Presidente Temer. Não havia nada mais, de curto prazo, que pudesse oferecer alguma restauração da autoridade e da lei. Sabemos que a ação isolada fica exposta a sérios riscos-inclusive da migração criminal-, portanto, seria vital uma força tarefa do MP e da Justiça, que acelerasse as investigações, julgamentos, apuração de atos corruptos no funcionalismo e nos diversos poderes, pois, apenas, ação de repressão, sem a correspondente ação da lei, resultará em desperdício absoluto de dinheiro e esforço.
Não custa, ainda, lembrar que função policial não é trabalho das Forças Armadas e que a longevidade traz o risco da contaminação, desgaste, e toda uma série de questões jurídicas a que ficam expostos os militares. É preciso restaurar a autoridade do poder civil, para abreviar este processo.
Evidente, também, que não se pode ver a intervenção como a panaceia para todos os problemas de segurança no Rio, até porque, ele é multifatorial, universal, tem ramificações que vão muito além das fronteiras do Estado e do país, e exige um plano real de segurança, nacional, com múltiplas intervenções, e comandado por outro Ministro da Justiça, já que o atual não passa de um fantoche sem autoridade, que atua como guarda-costas do Presidente.
Apesar das limitações e riscos, creio, no entanto, que haverá sim, melhor ordenação da estrutura de segurança, restauração de um núcleo de autoridade, melhoria da percepção de segurança, redução da criminalidade, ao menos da mais extensiva, e mesmo isso já será um magnífico resultado paliativo para os aterrorizados cidadãos do Estado.
Claro que a intervenção favorece Temer e ele vai aproveitar o ato para fazer política, mas isso não invalida o processo. Seja como for, é preciso não exagerar na expectativa, para que os resultados positivos não sejam valorizados em excesso, nem os negativos, sejam anulados apressadamente. O impacto desta ação não pode ficar submetido a teorias da conspiração ou escravidão política. Foi o possível, no momento inevitável. Parafraseando Churchill sobre a democracia, podemos dizer que a intervenção é a pior das opções, depois de todas as outras. Agora, é torcer para dar certo.
Cesar Oliveira - 16 de Fevereiro de 2018 | 20h 29
O Diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia, chegou ao cargo sob a suspeita que tinha sido nomeado para proteger Temer e conter a Lava-Jato. Ao que parece, as piores suspeitas estão se confirmando.
Inicialmente ele disse que uma mala de R$500 mil reais, como a encontrada com o amigo de Temer, deputado Rocha Loures, não seria bastante para confirmar a “materialidade do crime”, como se roubo tivesse gradação econômica, algo inusitado, inédito e muito preocupante.
Essa semana, no entanto, em uma entrevista o Diretor rasgou a fantasia e disse que o inquérito contra Temer deveria ser arquivado, passando por cima do delegado responsável pela investigação e fazendo um papel que não lhe cabe, pois, isso é ato do MP. Além disso, pressionou o delegado responsável pelas perguntas que fez ao Presidente. As declarações geraram forte reação de entidades e dentro da própria PF, colocando o Diretor-geral na defensiva e com uma posição totalmente enfraquecida na entidade e expondo a PF, de forma perigosa, diante do público que a tem em elevada conta desde as operações da Lava-Jato. O fato gerou um pedido de esclarecimento do Ministro Barroso, do STF, ao Diretor-geral da PF
A verdade é que Fernando Segóvia teve sua indicação sacramentada por Sarney, Padilha e Temer , o que não contribui para a biografia de ninguém. Segóvia tornou-se inviável na condução da valorosa PF e ainda não tem nenhum trabalho que possa mostrar sob seu comando, chegando ao crepúsculo do cargo antes mesmo do seu alvorecer