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César Oliveira - 12 de Julho de 2017 | 18h 47
O juiz Sérgio Moro condenou, hoje, o ex-presidente Lula a 9 anos e 6 meses de prisão no caso Triplex, o famoso apartamento da OAS , no Guarujá. Na sentença de 238 páginas, que acabei de ler, Moro constrói um instrumento sólido de acusação. Nela, justifica, inclusive, os áudios vazados e diz que há muitos mais áudios particulares que não foram liberados. Refuta argumentos da defesa de Lula de que haveria uma guerra midiática e jurídica. Diz, inclusive, que: "Não há qualquer dúvida de que deve-se tirar a política das páginas policiais, mas isso se resolve tirando o crime da política e não a liberdade da imprensa."
A sentença, além das delações, elenca contradições de Lula nos depoimentos e uma série de documentos probatórios. Na sentença Moro, defende as delações dizendo: "Quem, em geral, vem criticando a colaboração premiada é, aparentemente, favorável à regra do silêncio, a omertà das organizações criminosas, isso sim reprovável."
Moro, reconhece os avanços no combate a corrupção no governo Lula e diz que ele não foi o primeiro a imaginar que não seria alcançado pela lei: “É forçoso reconhecer o mérito do Governo do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva no fortalecimento dos mecanismos de controle, abrangendo a prevenção e repressão, do crime de corrupção, especialmente nos investimentos efetuados na Polícia Federal durante o primeiro mandato, no fortalecimento da Controladoria Geral da União e na preservação da independência do Ministério Público Federal mediante a escolha, para o cargo de Procurador Geral da República, de integrante da lista votada entre membros da instituição. “
E explica porque resolveu permitir que o ex-presidente respondesse em liberdade: “Entretanto, considerando que a prisão cautelar de um ex-presidente da República não deixa de envolver certos traumas, a prudência recomenda que se aguarde o julgamento pela Corte de Apelação antes de se extrair as consequências próprias da condenação. Assim, poderá o ex-Presidente Luiz apresentar a sua apelação em liberdade". Lula, em verdade, não pode ser incluido, no momento, nos ítens que justifica uma preventiva.
Diz ainda que:“Por fim, registre-se que a presente condenação não traz a este julgador qualquer satisfação pessoal, pelo contrário. É de todo lamentável que um ex-Presidente da República seja condenado criminalmente, mas a causa disso são os crimes por ele praticados e a culpa não é da regular aplicação da lei. Prevalece, enfim, o ditado "não importa o quão alto você esteja, a lei ainda está acima de você" (uma adaptação livre de "be you never so high the law is above you")
Moro, em verdade, evita que Lula seja preso logo, entrando com habeas-corpus, neutralizando a defesa e deixando o julgamento para o TRF-4 ( a segunda instância). A verdade é que se Lula foi condenado neste caso do Triplex, fica muito difícil a possibilidade que não seja condenado novamente no caso do Sítio de Atibaia. É o começo do sepultamento de um mito e uma reviravolta no jogo político brasileiro.
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César Oliveira - 06 de Julho de 2017 | 23h 17
A permanência de Michael Temer na Presidência já não é uma questão que pertença a ele. Desacreditado, denunciado- fato inédito na história-, Temer vai se tornando um farrapo político cada vez mais à deriva, oferecendo mundos e fundos em busca da salvação. Já não é uma questão de culpa ou não, pois, ninguém de bom juízo concede inocência ao presidente-pinguela.
Com dois de seus articuladores presos - Henrique Alves e Geddel "carainho'- e Padilha, Moreira, Jucá, delatados, o presidente perde muito de sua capacidade de articulação. Os cinco cavaleiros do apocalipse conduziram Temer à beira do abismo.
O que contém a elite do empresariado é a incerteza da manutenção da equipe econômica - de longe a melhor, em décadas- e que vem retirando o país da bancarrota em que Dilma e o PT- por incompetência e roubo- o jogaram.
Temer já não depende mais dele. A sua sobrevivência foi terceirizada.
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César Oliveira - 03 de Julho de 2017 | 16h 55
A Polícia Federal acaba de prender Geddel Vieira Lima. A prisão já era esperada, tanto que Geddel chegou a oferecer seu passaporte ao STF, tentando evitar a detenção. A prisão foi feita em Salvador, mas ordenada pelo juiz Vallisney de Souza, de Brasília, no contexto da Operação Sepsios Cui Bono.
Ex-ministro de Temer, Geddel Vieira Lima , foi preso em caráter preventivo e tem como elementos fundamentadores os depoimentos do doleiro Lúcio Bolonha Funaro, do empresário Joesley Batista e do diretor jurídico do grupo J&F, Francisco de Assis e Silva. Geddel estaria agindo para atrapalhar as investigações.
Apesar de ser uma prisão já esperada, o fato bota pimenta e tensão na política baiana e em Brasília, na semana em que será votada a denúncia contra Temer.
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César Oliveira - 03 de Julho de 2017 | 16h 52
Tem coisas que duram uma vida inteira para aprender: criar um filho, fazer chiclete de bola, lidar com a saudade. E, antes que acabe o dia- é seu aniversário- quero te dizer que estou aqui, pois, aos filhos, é o que basta de um pai: a certeza que ele está ali. Sei disso, pois, quando pequeno você dizia ”pai ô pai”, vinte e cinco vezes por minuto. Eu sei. Eu contei. Você não dizia nada depois, não havia pedidos. Talvez, fosse só para ter a certeza que estava realmente ali; talvez, apenas, para fazer o pastoreio do amor paterno. Filho, o primeiro. Filho homem.
Não sei se você é destes filhos que envelhecem rápido ou dos que levam reencarnações inteiras para isto, mas sei que é destes que botam o pé no mundo. Agora, mesmo, você está aí em algum lugar do outro lado dele, aprendendo francês – o primeiro em que não estamos juntos, nem com sua avó, que por arte do acaso nasceu no mesmo dia, ligando meu antes e depois-, e já não sou o governante de seu destino. Aliás, nunca sabemos se somos, se nos adotam ou rejeitam; se imitam, ou fazem o avesso; se nos admiram ou culpam. Talvez, mais provável, tudo isto.
Você mandou uma filmagem do Cavern Club, onde os Beatles começaram. Você sabe que eu queria ir. Agradeço ter lembrado. Deve ter sido das poucas coisas que ensinei: música boa, mas sem esnobismo. Gostamos de bossa nova; sim, Reginaldo Rossi, e disco de vinil. Certo que você retribuiu me revelando que aqueles pintores que eu admirava eram só tartarugas ninjas- Leonardo, Donatello, Michelangelo e Raphael-, me fazendo ver a verdade. Nunca mais consegui vê-los do mesmo jeito.
Sei que vivemos a velha e boa infância, os verões, lemos Harry Potter, e todas aquelas coisas de pais e filhos e suas jangadinhas e viajamos com a família. Ou nós dois. Deve ser isso a saudade de hoje. Não sei lidar com ela, mas toco em frente. Maduro, sou eu. Te ensinei a dirigir e repartirmos nossa incompreensão sobre as mulheres. Gostamos de ironia, humor fino, e vinho de sobremesa. Fui paraninfo de sua turma de formatura. Devo-te esta.
Você é inteligente, perspicaz, decidido, correto, familiar e leal. Fiquei amigo de sua turma de jovens e você, foi adotado, “mi hijo”, pela minha. Acho isso legal. Talvez, por isso, a saudade. Não sei lidar bem com ela. Maduro, não sou eu.
Um conselho:tenha paciência. Esteja preparado, seja justo e a vida se dobrará aos pés, ainda que se dê aos solavancos. Às vezes ela é como aquelas nossas idas a pizzaria, aos domingos, quando ficamos na dúvida: calabresa ou margherita? Viver demora uma vida inteira. Às vezes, mais. E, se precisar, filho ô filho, estou aqui.
Te amo, feliz aniversário.
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César Oliveira - 01 de Julho de 2017 | 10h 37
Sempre acreditei na Justiça do meu país’ ( Aécio Neves)
Se eu for condenado é porque não vale a pena ser honesto neste país( Lula)
Vão se lascar ( Cesar Oliveira)