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César Oliveira - 16 de Junho de 2017 | 16h 47
Em poucos dias, dois jornalistas da Rede Globo foram agredidos por militantes petistas. Um deles, com histórico de agressões, processos, abordou Alexandre Garcia, que não reagiu. Do mesmo modo, Miriam Leitão, foi agredida em um voo da Avianca, por um grupo de militantes do PT, mas optou por não chamar a Polícia.
Atitudes como estas são inaceitáveis, pouco importando o que escrevam os jornalistas. A nota do PT, emitida pela delatada na Lava-Jato, Gleisi Hoffman, terceiriza a culpa, atribuindo a Globo , mas sonegando a parte de Lula, o incentivo ao “nós contra eles”.
São gestos que se não forem contidos podem estimular novos casos, talvez, mais agressivos, em busca da vitimização. A liberdade de imprensa não pode ser ameaçada e a politica não pode ser discutida com xingamentos, cusparadas e punhos, mas com argumentos e cérebro.
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César Oliveira - 14 de Junho de 2017 | 06h 25
A Bahia é, por natureza, um lugar impreciso. Não é a toa que Cabral para descobrir o Brasil, por acaso, veio bater por estas bandas. O baiano é um mestre na arte da dissimulação e do não comprometimento.
- E aí, meu irmão, quanto tempo, vamos marcar pra gente se ver
- Vamos sim. Quando?
- Semana que vem em diante, qualquer dia.
- Melhor assim, sábado tem um almoço lá em casa, você pode aparecer
- Vou sim, vou ver se não tenho nada marcado e apareço
- Que hora você chega?
- De meio dia em diante, qualquer hora
Não é com pesquisa eleitoral que baiano vai dar mole. Tivessem vergonha os institutos nem apareceriam por aqui, de tanta besteira vergonhosa que já fizeram. Aliás, o Ibope, por aqui, não vale uma banda de conto.
Na mais nova pesquisa ao governo o prefeito de Salvador, ACM Neto, nada de costas, mas sabemos que ela serve apenas para criar espuma. A eleição se avizinha uma das mais duras disputas. Se Neto tem o cheiro da novidade e um bom trabalho em Salvador - já teve até mais folego- , Rui Costa faz um governo melhor do que se esperava dele. Há setores com falhas graves, há o imenso desgaste do PT, mas vem fazendo uma imagem de regularidade e surfa por ter botado o metrô de Salvador, literalmente, nos trilhos.
O fiel da balança será Otto Alencar com mais de 80 prefeitos, crescendo e com duas potentes máquinas na mão. Sedur e Desenbahia. Dizem os informantes que não será piscado pela mosca azul, não sendo candidato e se mantendo fiel a Rui, elegendo o filho deputado e tocando o poderoso barco que terá a mão, se vencer.
No Senado a pesquisa trouxe o nome de Ronaldo entre quatro citados - o que é bom-, em quarto lugar - o que sugere precisar de muito trabalho. Sugere-se que uma vaga será de Wagner, o mais bem colocado na pesquisa e a outra vaga seria do grupo de Neto e vários candidatos para manter os apoios.
A boca pequena fala-se que Ronaldo poderia apoiar Rui - e não há porque não ter havido conversa que político sem conversa não é político-, mas a situação é complicada. Não que não pudesse haver migração, afinal, as grandes forças dentro do petismo baiano são ex-carlistas que se mudaram de mala , cuia e afinidades, para o outro lado. O que pode impedir Ronaldo é a vantagem logística, díficil de mensurar. Até porquê, não há vantagem em deixar de ser martelo - como ele é-, para ser prego.
Claro que tudo isto pode mudar, afinal, o futuro da política baiana a Lava-Jato pertence. Não é a toa que o baleado Geddel ofereceu passaporte e sigilo bancário ao STF para evitar uma prisão. Dependendo da força com que ela se bandeie para o lado de cá pode haver um desarme total do jogo, visto que vários jogadores já foram citados.
Deste modo, a pesquisa atual não é nenhuma bucha de sena e serviu apenas para embalar a conversa dos almoços e as pautas das redações, porquê o baiano mesmo só irá confirmar o voto da semana que vem em diante. Qualquer dia.
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César Oliveira - 13 de Junho de 2017 | 18h 43
Diz a sabedoria popular que ao ser pego em flagrante pelo parceiro a receita é negar até a morte. Assim, Temer nega que tenha mandado espionar o Ministro Fachin e esteja usando o Estado para perseguir seus acusadores; Janot, por sua vez, nega que tenha pedido para colocar grampo ambiental no Gabinete de Temer e no seu celular. E a República segue em crise entre fatos e versões.
A receita, como se saber é negar sempre.
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César Oliveira - 12 de Junho de 2017 | 12h 23
Verdade que os príncipes já não andam em cavalos brancos, são cada vez menos nobres e as mulheres tem preferido o ronco do motor ao trote do eqüino, mas nem por isso devemos deixar de acreditar que, em algum lugar, a vida é feita mais de encontros do que de desencontros, e uma mulher te espera de vestidinho e flor no cabelo com um sorriso de infância e certezas de uma vida inteira.
É certo que os cientistas com seus aparelhos de positrons e dosagens de neurotransmissores andam a desmistificar a paixão, a transformá-la numa reação química de serotinina e dopamina, com validade máxima de três anos, mas nem por isso vamos deixar que levem para o cérebro nossa memória de amor. Não desembarquemos da nossa Arca de Noé imaginária, em que as espécies entram aos casais e sobrevivem, juntas, muito além do dilúvio e repovoam nossas esperanças, mesmo sabendo que os advogados, já não esperam sequer que passe a chuva das mais brandas, urgente que é, partir do outro.
É imprescindível que possamos manter a capacidade de renúncia sem ressentimentos, alegações, ou juízo de valor, e a humildade de andarilhos de sandálias, que deve ter quem jura, aos luares, à boca faminta das noites, ou aos suores dos corpos que é sim, o amor, que lhe toma como viagem e sina.
Decerto que, por vezes, já nem há mistérios na mulher que desabotoa o vestido para um homem, tantas vezes que o gesto se repete; e os homens sequer sabem que as estrelas oscilam todas, de leve, no céu, quando ela, somente ela, a mulher de tuas procuras, te chama para dentro do seu próprio destino e gozo, mas nem por isso deixemos de acreditar nas lágrimas das que choram nas entregas, nas confissões dos amantes impossíveis, nem nos amores que se prometem eternamente, porque é dele, deste orvalho e barro, que precisamos para não nos tornarmos avessos ou secos de sentir.
Sei que é fato que o amor começa e acaba, às vezes, no mesmo passo de dança, mas nem por isso vamos deixar que nossas falhas de humano nos impeçam de reinventar o sonhar de ontem, e exercitar o pertencer. E não esqueçamos que jamais devemos perder o olhar inaugural, porque, perdido o primeiro olhar, todos os outros serão para remover, dia a dia, um encanto, no delicado equilíbrio entre admirar e luir, entre devoção e indiferença. Pois sabemos que o que salva é frágil, impreciso, mas o que mata é exato. Seja a dor ou a palavra feia, que nunca erra no peito, o coração.
Sei que é difícil, que as fragilidades são golpes nas ilusões, e que não sabemos o cultivo exato para amar e permanecer. E que, vida inteira, parece, a cada tempo, longa demais, mas vos peço, como quem já cruzou às águas turvas e morou no lado sagrado do coração, ah, eu peço mulheres, não se desfaçam de sua rede de pescador.
Agora, que é dia dos namorados, amem e refaçam o milagre de multiplicação dos peixes. E nunca deixem que, em seus olhos, de oceanos perdidos e enfeites de corais, de danças rituais, de vagas infinitesimais, se teça, apenas, a aspereza da realidade. Pois, ao lado, ou em algum lugar, vindo de todas as encarnações de espera, te aguarda, como um feitiço, um vento que margeia e corteja a lua, não mais teu príncipe a cavalo, que os tempos são outros, mas o homem pra teu melhor amor.
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César Oliveira - 11 de Junho de 2017 | 11h 38
Sem querer fazer alarmismos, mas o Brasil está percorrendo um caminho muito perigoso em que a combinação de fatos e versões contribuem para o aprofundamento da crise institucional, simbolizada na guerra franca e declarada entre os poderes, mas, também, no voluntarismo, vaidade, e personalismo, entre os líderes.
De um lado Temer, que mente a nação sem pudor, recebe empresários investigados na calada da noite no Palácio, autoriza o uso de seu nome em negócios escusos, avaliza Ministros corruptos, e segue em direção a lama da história e a degradação pessoal, entre mesóclises e rapapés. Neste meio tempo é acusado de mandar espionar o Ministro Fachin, o que soa verossímil a todos, apesar de suas negativas. Noticia-se, também, que usará a força para perseguir os que o denunciaram, praticando uma das maiores perversões do sistema político que é o uso do Estado contra o cidadão.
Do outro lado, o personalismo de Janot trouxe a desestabilização política, não por denunciar o presidente ou o principal líder da oposição- ambos useiros e vezeiros em aparecer nas delações-, mas pela impressão de perseguição, a utilização de “métodos não convencionais de investigação”, acordo de delação aberrante e inaceitável, denúncia sem perícia de fita, procurador da equipe orientando delação e mudando de lado, para advogar, sem sequer fazer quarentena, e vazamento de gravação de jornalista com sua fonte. Este conjunto fragiliza a aprovação da lava-Jato e do próprio MP, que faz um excelente trabalho. Além disso, assim como acusam Temer de espionagem, relata-se que a PGR chegou a pedir o grampo do celular presidencial e escuta ambiental a Fachin, o que ele não permitiu. Janot negou, mas com suas atitudes perdeu o crédito que lhe era garantido anteriormente.
Não bastante estes fatos, o TSE, liderado por Gilmar, e Ministros nomeados por Temer, inocentaram a chapa Dilma-Temer em um salto triplo carpado jurídico inimaginável, colocando a Justiça Eleitoral em situação vexatória, apesar do preciso relatório de Herman Benjamim. Aliás, merece registro sua frase primorosa: “Recuso o papel de coveiro de prova viva” e “Posso até participar do velório, mas não carrego o caixão”. Uma nota para a posteridade.
No STF, por sua vez, temos Ministros que não formam nenhum conjunto e que parecem mover-se por afinidades pessoais, sem nenhum pudor em não se declarar impedidos em julgamentos. Toffoli aceitou julgar processo de José Dirceu; Gilmar, de Eike, mesmo com sua esposa trabalhando no escritório do advogado do empresário; e Fachin, que fez campanha sendo levado a reboque pelo quebra-faca do gângster Joesley, assina o vantajoso acordo de sua delação e perdão judicial e autoriza monocraticamente um inquérito contra o Presidente da República.
O Congresso, por sua vez, desmoralizado, fustigado por delações, segue incapaz de conduzir a nação politicamente, abrindo espaço para que outros poderes tentem ocupar um lugar que legitimamente lhes pertence.
São tempos bizarros, fratricidas, em que os poderes - podres poderes- estão em verdadeira batalha, guiados por vaidades, personalismos, ambições, conceitos individuais de Justiça, sem o devido respeito institucional.
Enquanto isto, o Ministro da Marinha, Eduardo Bacellar, em duro discurso declara: Hoje assistimos ao país ser assolado por crise profunda e multifacetada. Assim como as tempestades dos mares em fúria trazem perigo ao navio, ameaça destruir o sonho de grande nação que podemos e devemos alimentar. Ao que parece, a extensão da crise e a escassez de saídas começa a ocupar até mesmo os discursos dos militares, que tem tido, até aqui, um comportamento exemplar.
Este salve-se quem puder e criminalização geral dos agentes do poder não costuma trazer bons resultados. Confiamos que a democracia brasileira tem suportado e pode suportar solavancos, mas é chegado a hora de superar a luta intestinal pelo poder, dos líderes se mostrarem cientes da responsabilidade maior que a história vai lhes cobrar e buscarem uma saída. Antes que seja tarde demais. Se já não o for.