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César Oliveira - 30 de Maio de 2017 | 18h 50
Todas as vezes que saio do trabalho e vou para casa vejo quanto são inúteis , tolos, insignificantes, os argumentos ideológicos, os debates nas redes sociais e na mídia.
Vejo quanto tudo é pueril e inconsistente quando chego ao sinal de trânsito, aqui no centro, e algo em torno de dez ou mais pessoas encostam no carro para oferecer de tudo: fruta, pano de chão, carregador de celular, amendoim, água, mapa, flanela, bombom, na cruel batalha de conseguir alguns poucos reais que lhe garantam o pão do dia e algum sustento e os mantenha à margem do crime.
É doloroso, cruel, ver tamanha luta. Este é um fenômeno que havia desaparecido de minha cidade e que retornou com toda força nos últimos dois anos. A brutalidade da hecatombe econômica que o PT nos legou, com mais de 14 milhões de desempregados, não se revela em toda sua extensão na fuga do gângster Friboi com seu iate e avião, nem nas bolsas Channel da mulher de Eduardo Cunha, nas farras em Paris, de Sérgio Cabral, mas no farol vermelho do meu caminho de casa.
Sinto-me absurdamente constrangido, irado, revoltado, por ver tantas pessoas disputando ferozmente sua possível refeição a depender da sorte que alguém abaixe o vidro. Não é falso pieguismo, nem discurso político, de colunista, mas acho apavorante e quase surrealista que estejamos travando ordinárias batalhas partidárias quando a realidade excludente, violenta, indigna, espera você no próximo sinal.
É a economia nossa verdadeira pátria a ser salva urgentemente, para que possamos resgatar a dignidade dos mais desfavorecidos.
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César Oliveira - 29 de Maio de 2017 | 18h 59
Estudo publicado no Journal Adicctive Disease mostra que 65,9% dos usuários de droga voltam a usar um mês após a alta e 86,4% após três meses. Há relatos de até 90%. A verdade é que não sabemos, nem temos, até o momento, nenhum tratamento eficiente para dependência, porque algo que permite 85-90% de recaída não é um tratamento, mas apenas uma tentativa pra não confessar a incapacidade. Evidente que os 10% em que funciona valida a tentativa, porque pior é a omissão do Estado diante de uma condição que leva a morte direta ou indiretamente pelas doenças associadas. A medicina tem instrumentos clínicos e de imagem (Pet-Scan, etc), capazes de mostrar alterações no lobo frontal, que mostram ser uma condição mais grave e que sugere que o indivíduo já perdeu completamente a condição de livre- arbítrio, não lhe restando nenhuma opção. A discussão, infelizmente, assumiu um caráter ideológico, estando dividida entre os querem uma política de redução de danos e os favoráveis ao internamento, como se elas não pudessem sem complementares.
É certo que é preciso acompanhamento para evitar a violência desnecessária, para que não se use força sem precisão, como se fossem pessoas menos merecedoras do apoio do Estado, mas é preciso construir uma alternativa que não seja apenas omitir-se diante do drama, ou ficar assistindo o tráfico criar escravos e ter um território e vidas sobre seu domínio. Alguns falam de respeitar a dignidade, mas que dignidade pode haver mais em uma mulher que faz sexo 20 vezes por dia a R$5 reais, para comprar crack e manter seus neurônios estourados, sem qualquer capacidade de fugir da escravidão bioquímica do consumo-recompensa?
É necessário que todas as etapas- avaliação, abordagem, internamento, intervenção, assistência médica, assistência pós-internamento, envolvimento familiar- estejam planejadas e bem pactuadas com a Justiça, para que não seja apenas um ato de força e violação de direitos, por ação não regulada, para limpar a Cracolândia paulista. A depender do resultado isto pode se tornar modelo para muitas cidades que sofrem com o mesmo, díficil, problema.
Evidente que nós só teremos sucessos maiores quando os governos perceberem que o custo da droga é maior do que todo lucro que circula pelo sistema financeiro - acabando o faz de conta- e for investido dinheiro em pesquisas bioquímicas que possam gerar substâncias capazes de mudar a impregnação dos receptores neuronais. Claro que ter um remédio que trata a patologia leva a consequências - drogas contra o HIV estão levando a mais sexo sem proteção -, mas é um risco a ser administrado.
Enquanto isto não vem, teremos a sensação de enxugar gelo, mas situação mais grave é a indiferença com esta população.
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César Oliveira - 29 de Maio de 2017 | 18h 51
Sabe-se lá os verdadeiros motivos da denúncia de venda de cocaína na Cãmara, feito pelo vereador Ron, em um discurso que lançou suspeitas a granel. É certo que, instado a apresentar provas e apontar o culpado, ameaçado de ter o mandato cassado, o estreante que parece ter tentado dar nó em macaco velho, deu um salto triplo carpado de costas e apareceu com um pedido de desculpas, dizendo que o que disse não foi bem o que disse pois queria dizer outra coisa e nada explicou sobre a oferta das drogas.
É, desde já, o vexame do ano na Câmara Municipal.
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César Oliveira - 27 de Maio de 2017 | 17h 13
Temer tornou-se o que os americanos chamam de " pato manco", e suas condições de governabilidade ficam cada vez piores. Não sendo possível a sua manutenção, por qualquer dos meios, o caminho é a eleição indireta conforme reza a Constituição.
Alguns sugerem que o Congresso faça uma PEC para alterar a Constiuição, porque este Congresso seria ilegítimo para escolher um Presidente. Ora, se é ilegítimo para fazer isto, é tão ou mais ilegítmo ainda para mudar a Carta Magna.
Além disto, uma das clausulas pétreas da Constituição diz que não se pode mudar o intervalo da eleição durante o mandato. A PEC pode alterar o período para o próximo mandato, mas não para este.
Seguir a Carta Magna é a garantia de menor instabilidade.
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César Oliveira - 27 de Maio de 2017 | 17h 06
O corrupto da Friboi diz em conversa com Temer que está segurando 2 juízes. Temer fica calado e por conta disto aventa-se a discussão que prevaricou. Em seguida, Joesley dá uma entrevista e diz que foi apenas uma brincadeira e que não havia juiz nenhum sendo comprado. Aí, Janot- o generoso geral da República- acredita no maior corruptor de políticos do país e deixa por isto mesmo.
Temer já disse que não fez nada porque achava que era uma fanfarronice de Joesley, mas o Janot quer interrogar o Presidente pela mentira que ele também aceitou.
Temer tem todas as culpas em que já foi delatado, mas esta é a mais escandalosa delação que já vimos e este um dos detalhes muito mal explicados.