O conceito de soberania, formulado pelo teórico francês Jean
Bodin no século XVI, é frequentemente entendido como o poder "absoluto e
perpétuo" de um Estado. Contudo, é crucial refletir que a soberania deve
ser uma proteção às pessoas e não apenas ao Estado. Quando a soberania é
utilizada como justificativa para a opressão, surgem questões éticas e morais. Ela não pode ser usada para justificar
práticas como tortura, violência sexual, exílio, censura, aparelhamento do
Judiciário, perseguição extrema, corrupção sistêmica e associação ao tráfico.
Particularmente em um contexto onde o governo fraudou as eleições de 2024, sendo, portanto, ilegítimo, sem a proteção internacional.
A soberania deve ser entendida como um compromisso ético com
os direitos humanos e a dignidade da população. Um governo que transforma seu
povo em refém, eliminando a possibilidade de alternância de poder, fragiliza sua
soberania. Organismos internacionais, como a ONU e o Tribunal Penal
Internacional, frequentemente falham em agir de forma efetiva, enquanto a
realidade das vítimas se agrava.
A ideia de
autodeterminação dos povos é complexa, e a luta contra uma ditadura requer mais
do que coragem; demanda apoio externo. Acreditar que a mudança é
responsabilidade das vítimas é fornecer um escudo técnico ao poder, condenando
esse povo a permanecer subjugado. A Venezuela enfrenta uma grave crise
humanitária, refletida em dados alarmantes: 18.000 presos políticos, 36.000
torturados, 8 milhões de exilados (representando 25% da população), 400
veículos de imprensa censurados e 90% da população em pobreza extrema. Locke
afirmava que, se o governo não protege os direitos dos cidadãos, estes têm o
direito de se revoltar e instituir um novo governo. No entanto, a luta contra
uma ditadura é desproporcional, com o regime controlando milícias e forças militares,
enquanto a oposição se arma apenas com coragem e desespero.
O papel efetivo dos organismos internacionais diante da
opressão precisa ser rediscutido. A intervenção externa em casos de violação
sistemática de direitos humanos pode ser moralmente justificável. É necessário
que tenhamos empatia humanitária por aqueles que vivem em desespero, superando
a empatia ideológica que muitas vezes distorce a realidade. Os venezuelanos
comemoram, pois enxergam uma chance de libertação, mesmo que tenha ocorrido
apenas a mudança de líder, sem uma transformação do regime.
É evidente que interesses econômicos e geopolíticos permeiam
ação dos EUA; apenas os otimistas ingênuos acreditam em um mundo perfeito. No
entanto, isso não invalida a prisão do narcoditador. Agora, é fundamental pressionar para que a Venezuela
retome normas democráticas, apesar das facções que ainda detêm poder. A mudança
exige coragem, solidariedade, pressões sociais e políticas, além de uma
compreensão profunda das complexidades do mundo atual.
A Tribuna Feirense conta, a partir deste mês, com a colaboração de Wellington Freire, que irá nos apresentar e contextualizar a história em relação aos fatos mundiais além de outros temas literários. Ele é graduado em Letras e possui mestrado em Literatura e História. É doutor em Literatura e Cultura e está doutorando em Estudos Clássicos pela Universidade de Coimbra, em Portugal. Seus interesses de pesquisa estão voltados para Literatura e História Militar, com especial ênfase em cronistas portugueses medievais e quinhentistas. Também se interessa por cinema e guerra, especialmente sobre a representação de episódios da moderna História Militar norte-americana no cinema.
Concluiu curso de especialização em História da Bahia, com uma pesquisa sobre Literatura Brasileira e Guerra. Atualmente, desenvolve pesquisas sobre temas de literatura colonial, com ênfase nos períodos quinhentista e seiscentista. Além disso, dedica-se a uma tese de doutoramento em estudos clássicos que envolve um estudo da guerra na Eneida, de Virgílio. E desenvolve pesquisa de pós doutorado no programa de pós graduação em literatura na UEFS.
Com esse
brilhante currículo, Wellington traz um novo padrão de referência ao jornalismo
da Tribuna Feirense.
““Os usuários são responsáveis pelos traficantes que são vítimas dos usuários também” – Lula, sobre a “guerra às drogas”
“O criminoso com um fuzil na mão é facilmente rendido por
uma pistola, até por uma pedra na cabeça” – Jacqueline Muniz, “especialista” em
segurança
“O noticiário citado não ostenta densidade suficiente para
mobilizar o aparato da PGR” – Paulo Gonet, ao recusar abrir investigação contra
Moraes
“STF atravessou 2025 como salvador da Pátria, mas morreu na
praia, afogado em suspeitas éticas envolvendo o Banco Master” – Eliane
Cantanhêde
Limpem a cultura de vocês” – Luciano Huck, apresentador de
TV, instruindo tribo indígena a esconder celulares e roupas modernas para foto.
“Eu sou um amante da democracia, não sou marido. Porque, na
maioria das vezes, os homens são mais apaixonados pelas amantes do que pelas
mulheres” – Lula.
“Se você vai num mercado e desconfia que tal produto está
caro, você não compra” – Lula,
“Deus deixou sertão sem água porque sabia que eu ia trazer”
– Lula, em evento de pré-campanha no Nordeste
“Não dá pra explicar Lei Rouanet para quem não assimilou a
Lei Áurea” – Wagner Moura.
“Mais do que participantes, nós somos “atoras” principais da
mudança climática” – Janja da Silva
“Fuck you, Elon Musk"- Janja da Silva
“Não é rombo, é o resultado fiscal das empresas, que pensa
só as receitas do ano e as despesas do ano; das 11 empresas que têm déficit,
nove têm lucro” – a fenomenal Esther Dweck, ministra da Gestão, explicando o
rombo.
“A polícia prende mal e o Judiciário é obrigado a soltar” – o
inoperante Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça.
“Fico muito orgulhoso de ter participado desse processo que
você chama de ‘desmanche da Lava Jato’, porque era uma organização criminosa” –
Gilmar Mendes
“Não se pode permitir que haja 213 milhões de pequenos
tiranos” – Cármen Lúcia, defendendo a censura
“Tem uma mortezinha daqui e outra ali, 23 feridos daqui e 40
ali, mas feridos. Isso é o tipo de míssil ou tipo de edificação de Israel que
soa mais poderosas? Eu não consigo entender porque essa guerra o Irã atinge o
alvo e não mata ninguém” – Eliane Cantanhêde em crise de neurônios
Em uma operação meticulosamente planejada e executada com
precisão militar, os EUA capturaram o ditador Nicolás Maduro, presidente da
Venezuela.
Maduro forçou 8 milhões de venezuelanos ao exílio,
levando-os a passar fome e, em muitos casos, a se prostituírem para sobreviver.
Ele utilizou tortura, milícias e centros de repressão, conforme relatórios da
ONU, para manter-se no poder. A última inspeção da ONU, realizada em dezembro,
constatou um “padrão de uma década de mortes, detenções arbitrárias, tortura e
violência sexual” direcionadas a opositores do regime.
É importante lembrar que o povo venezuelano tentou depor
Maduro na última eleição, em 2024, mas ele impediu a candidatura da vencedora do Prêmio Nobel,
Maria Corina, não permitiu a presença de
observadores internacionais e não apresentou os comprovantes eleitorais,
tornando-se, portanto, um governo ilegítimo, não reconhecido pelos EUA e pela
União Europeia, desrespeitando a autodeterminação de seu povo.
Há diversas acusações contra Maduro relacionadas ao
narcotráfico; a delação premiada de Carvajal, ex-chefe da Inteligência
venezuelana, confirmou essa parceria e revelou que o ditador financiou
campanhas em países vizinhos, interferindo no processo eleitoral. A Venezuela
abriga um número desconhecido de militares e consultores de Cuba, Rússia e Irã,
e é acusado de colaboração com grupos
terroristas, mas ainda sem provas.
A invasão promovida por Trump é perigosa, pois viola aspectos do direito internacional, a autonomia da Venezuela e impacta a geopolítica mundial, podendo validar a invasão
russa na Ucrânia e potencialmente estimulando a China a ocupar Taiwan. Por
outro lado, é incerto como se dará a administração do país. É fundamental que a
Venezuela retorne à normalidade e seja governada por seus próprios líderes. Trump já anunciou a intenção de vender o
petróleo venezuelano, o que configura um ato de exploração comercial. A queda do
ditador que levou a Venezuela ao declínio e ameaçou e eliminou opositores é um
alívio, mas é essencial encontrar uma forma de devolver à Venezuela sua
liberdade!
Após um período de ausência, o renomado jornalista Valdomiro Silva está de volta à redação do jornal Tribuna Feirense, trazendo consigo vasta experiência e uma conhecida paixão pela notícia. Um dos fundadores do veículo, ele esteve à frente da edição durante anos — na época em que a publicação era diária — construindo uma marca de credibilidade e sólida admiração pública.
Sua trajetória é marcada por passagens estratégicas na imprensa baiana. Atuou como diretor de redação do extinto jornal Feira Hoje, integrou a equipe do programa Acorda Cidade (de Dilton Coutinho, na Rádio Sociedade) e comandou programas jornalísticos na Rádio Povo. Além disso, contribuiu com o setor público na Secretaria de Comunicação da Câmara de Vereadores.
O retorno de Valdomiro é um processo de renovação para a equipe, que passa a se beneficiar de sua visão crítica e apurada. Espera-se que sua chegada traga novas abordagens e uma cobertura ainda mais profunda dos temas relevantes para a comunidade, seja por meio de sua nova coluna ou das matérias produzidas para o portal.
Para a Tribuna Feirense e seus leitores, este é um momento de celebração. Tendo atuado ao seu lado durante a transição do semanário para o formato diário, pude testemunhar de perto seu apreço pela verdade, a honestidade e equilíbrio ao tratar a notícia e o talento com que exerce o jornalismo. É um imenso prazer tê-lo novamente como companheiro de redação. Com sua volta, ganham os colegas, ganha o público e, sobretudo, ganha a região com o fortalecimento de um jornalismo seriamente comprometido com os fatos.