Uma longa distância separa o Lula que cozinhava no sítio “Los Fubangos” ao que tinha adega de bons vinhos e pedalinho no sítio, em Atibaia, patrocinado pela Odebrecht. Nesta mutação moral- embora sinais continuem aparecendo que mudou a dimensão, mas não o espírito-, atualizou-se o status, as verbas das palestras, e o tráfico de influência que transformou o retirante de Garanhuns e carismático líder operário em maestro de um projeto de poder baseado na corrupção, que ia além do Brasil, mas espalhava sua erva daninha por toda América Latina, países da África e Cuba.
Neste intervalo ele dedicou-se ao que sabe fazer melhor: frases para o jogo de mídia, cunhando frases de efeito que não passam de retórica, pois, a lei se aproxima cada vez mais do seu encalço. Numa delas disse que bastava ser convidado por Moro que iria a Curitiba depor- embora tenha tentado todos os recursos possíveis para suspender o depoimento de hoje- e, em outra afirmou que: "Se tem uma coisa de que me orgulho é que não tem, nesse país, uma viva alma mais honesta do que eu". Diante do caminhão de evidências, documentos e depoimentos, a frase se torna uma destas platitudes de vida curta e se destina a politizar seu julgamento, realçando o segundo papel que desenvolve com maestria: o de vítima.
Seguidores financiados, beneficiados, e, claro, também, verdadeiros apaixonados, acreditam que algum cidadão pode ou deve estar acima da lei, sendo inimputável. Isso não existe. Qualquer cidadão pode ser investigado, interrogado, diante da quantidade de denúncias e depoimentos que relacionam seu nome a projetos de corrupção que fazem uma construtora crescer 513% em dez anos, durante seu governo. Imaginar que tamanha exploração e extorsão dos recursos públicos foram realizadas sem seu conhecimento, aprovação e participação ferem qualquer mínimo de lógica. Portanto, Lula, chega a Curitiba como investigado natural e seu depoimento ao juiz Sérgio Moro é apenas mais um passo - nada mais- na investigação da corrupção que levou a medonha destruição institucional, econômica e política do país, por seu governo. O resto é torcida
Em 71, reconhecendo a importância do Brasil, Nixon recebeu Médici, na Casa Branca, dizendo: “Para onde o Brasil for, o resto da América Latina irá”. Pela dimensão geográfica, importância econômica, população, força militar, o Brasil tem um inevitável papel de liderança na América Latina. É preciso que assuma esta força e a use para liderar os vizinhos em direção à democracia, a liberdade de imprensa, o estado de direito, e o respeito aos direitos humanos.
A destruição econômica da Venezuela, a ruptura institucional e a franca ditadura lá instalada tem a cumplicidade do governo petista. Lula abriu mão de ocupar o protagonismo politico na região- natural por ser presidente brasileiro- preferindo entregar ao caudilho Chávez, este papel, enquanto ele se dedicava a objetivos, digamos, mais econômicos, ou a receber um avião venezuelano na calada da noite para deportar boxeadores cubanos que pediram asilo, em um dos mais vergonhosos episódios da história nacional.
O mesmo Lula ao ser questionado pelo caminho da ditadura que a Venezuela estava tomando disse que lá tinha “ democracia até demais”. A política externa brasileira guiada por Marco Aurélio “Top Top” Garcia, uma das mais abjetas figuras que já transitou pelo Ministério das Relações Exteriores, deu apoio e validou as ações do ditador. Aliás, Lula não só apoiou o chavismo - um arremedo de bolivarismo-, como usou influência pessoal para aprovar o bilionário empréstimo do BNDES para construir o porto de Mariel, em Cuba, a pedido de Chávez, segundo a delação premiada da Odebrecht.
Agora, diante do fracasso econômico, da falta de alimentos e insumos básicos, só restou ao ditador Maduro- sucessor de Chávez- escancarar a ditadura e autorizar a violência contra estudantes, o que já levou a 29 mortes, 400 feridos e mais de 1000 presos.
As venezuelanas que se prostituem para comer, na fronteira brasileira, as famílias amputadas de seus filhos, as vítimas das agressões das milícias governistas, o domínio do narcotráfico, os cadáveres dos que morreram resistindo , pertencem, também, ao petismo, que validou esta ditadura ao invés de usar sua força para influenciar e manter a democracia. E pertencem, também, a cada intelectual, militante, manifestante, que apoiou e foi cúmplice moral desta parceria.
Sob a consciência de vocês escorre a vida perdida dos que sonharam com a liberdade e o sofrimento de milhões de venezuelanos. Carreguem suas cotas.
Ao que parece não só de poeta, médico e louco todos temos um pouco, mas, também, de conselheiro, filosofo e guia espiritual o universo está lotado, numa proliferação desenfreada como praga em capim. Talvez a vocação tenha nascido com o homem, logo depois do primeiro pensamento, ou da primeira carne assada no fogo primordial. Assim que a primeira faísca organizada e consciente percorreu os neurônios o homem primitivo deve ter pensado: quem sou eu, o que eu vou comer no jantar, e como posso ajudar aquela homo-sapiens gostosinha a se sentir melhor.
A partir daí a coisa só tomou corpo havendo gravuras nas pedras que não passam de relatos de autoajuda e valores comportamentais. Evidente que, com a migração pelas savanas e o canibalismo dos tiranossauros, nenhuma filosofia durava, até que, Thales de Mileto, lá pelos anos 600-500 a.C. organizou a bagunça e passou a ser considerado o primeiro filósofo. Ele dizia que muitas palavras não indicam necessariamente muita sabedoria – o que prova seu imenso senso de observação- e que devemos esperar de nosso filho o que fizemos com nosso pai. Confesso que torço para ele estar certo.
A nossa vontade de guiar a humanidade - quando não sabemos guiar nem a própria vida - é atávica e cada um tem uma filosofia para chamar de sua. As correntes se dividiram em tantas que só com mapa náutico é possível navegar entre elas, socrático ou existencialmente, e, não se sabe bem, até agora, se elas contribuíram ou desnortearam ainda mais a humanidade. Como positivo, ao menos, geraram o divã, o café filosófico, algum sexo consentido, e alimentaram o comércio de livros.
Eu mesmo escolhi uma para seguir, embora o autor seja desconhecido. A de meu pai. Um gigante. Quando perguntaram a ele como ia mandar um filho de dez anos morar sozinho em uma pensão, em Salvador, sem telefone, sem conhecer ninguém, ele resumiu o que daria inúmeros tratados, uma cátedra, talvez, prêmios, em um precioso aforismo: o que precisa ser feito, tem de ser feito.
A realidade é que se fizéssemos o que precisa ser feito a cada momento a vida seria mais objetiva, conclusiva, realizadora, e com menos sofrimento. Sua adesão ao princípio lhe trouxe alguns desgastes, mas o levou ao sucesso e ao que buscava.
Confesso, algo frustrado, que não tenho a mesma aderência e que toda vez que não o sigo tenho um custo maior do que se tivesse executado seu enunciado filosófico essencial e que recomendo a todos para vivam melhor: faça o que precisa ser feito.