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César Oliveira - 26 de Dezembro de 2016 | 07h 47
É bem possível que a palavra refugiado seja a marca deste lamacento 2016 que vai se despedindo com má memória, sustos terminais, sinais de uma herança maldita e clipes inúteis. É, até possível, que seja mesmo o caso de um 2016xit, a moda inglesa. Talvez, também, nem seja só a falta que nos fará novos poemas do Gullar, a superlua que não dará as caras de novo ano que vem, mas a certeza que teremos mais osso duro para roer, o que pese no horizonte, sabendo que o ano começou com fogos de artifício e foi entregue com o fogo das armas, tragédias humanitárias e Aleppo.
Evidente que povo colombiano dando força a Chape; o Scully, de Clint Eastwood, em cartaz, sobre o piloto que pousou um avião no rio Hudson salvando todos os passageiros; a Lagoa Grande salva e a Rafa Gomes cantando História de uma Gata, em The Voice Kids, nos digam que as coisas não foram tão ruins.
É bem provável, no entanto, que este seja o ano em que tomamos consciência que em verdade, nos tornamos, todos, refugiados. Não só os que tentaram chegar a qualquer lugar do mundo, fugindo da barbárie e das mesquinharias ambiciosas dos que mandam e das grandes potencias que disputam espaço e influência, usando o terror e sendo vítimas dele, mas refugiado do cotidiano que nos legamos. Estamos refugiados em cotas, clubes, religiões, discursos, minorias, grupos de watts app, faces, partidos, comportamentos. Refugiados pelas grades reais – que tentam nos proteger da violência física-, e grades imaginárias- que tentam isolar os diferentes-, como se apenas em nossas escolhas houvesse certezas e razões e fossemos movidos- ou reduzidos-, a intolerâncias e aniquilamentos.
Este foi o ano que um comercial mostrou que presidiários passam mais tempo livres nos banhos de sol do que nossos filhos, refugiados em redes sociais, jogos eletrônicos, condomínios auto-suficientes. E o ano que tivemos a certeza que estamos nos refugiando na solidão eletrônica, para não nos abandonarmos ao amor, para não abrirmos mão de algum direito pelo outro, pedindo asilo nas relações de curto prazo que não exigem renúncia, nem esforço, mas nunca alcançam a glória de um amor realizado.
Foi o ano em que a corrupção endêmica nos escandalizou, dilapidou, apartou, mas agora, que estamos concluindo o bota-fora deste ano fuleiro, talvez seja a oportunidade de nos revermos, de romper o rancor cotidiano, antes que sua erva dilacerante se espalhe, e abraçarmos os amigos, fazendo as condescendências necessárias; de beijarmos a quem amamos como se houvesse intermináveis amanhãs, como se ainda fosse o primeiro; de alimentar os filhos de liberdade e dever filial; e concedermos, então, o visto de permanência ao melhor de nós mesmos, como se fosse o derradeiro refugiado.
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César Oliveira - 24 de Dezembro de 2016 | 13h 26
Feliz Natal a todos, afinal, você não é o peru e um salve geral para os amigos e familiares que a telefônica não me deixará falar, porque a única distância existente entre nós deveria ser a de nossos braços!
Feliz Natal mesmo que eu não encontre palavras saborosas, pelo menos não tanto quanto a farofa da ceia, para agradecer a imensa árvore que são e o deleite da companhia real ou virtual deste ano!
Aos leitores do jornal Tribuna Feirense, amigos interativos ou silenciosas das redes sociais; aos que leram nossas crônicas e textos como se fossemos um só texto e coração e se deixaram dominar pelo afeto, pelo riso, meu obrigado por guardarem sentimentos comuns em vossas almas, porque aprendi e sei que gente, afinal, é feito de...gente!
Aos que criam e realizam, produzem, sem mimimi e discursos vazios; aos que resistem ao pensamento obrigatório pois sabem que toda ameaça a liberdade começa com uma pequena imposição; aos que lutam para não embrutecer por mais que o poder teime em vilipendiar seus sentimentos e insistem feito palhaços em fazer da vida uma grande comédia humana, minha reverência!
Aos que lutam, sem temer tomar atitudes, para formar filhos com um legado melhor, como contribuição a biografia e manutenção imprescindível da família e seus valores e um futuro melhor, minha gratidão pela obra!
Aos bons, aos justos, aos que compartem a silenciosa satisfação da integridade, que contem com a proteção divina; aos que escolhem outras opções, a benevolência da esperança, porque sempre há tempo para mudar! Afinal, somos humanos, demasiadamente humanos!
A vocês, meus companheiros de temporada na terra, tenham certeza que são meu cultivo e escolha, minha especiaria servida como ceia e alimento. Minha veneração pelo que cada um carrega de melhor em si! Sou grato por se ofertarem ao meu tempo, nesta vida! Por isso brindarei, na distância física, com entusiasmado gole de vinho, bem, vários goles, bem, muitas taças, bem, talvez, garrafas, afinal, vocês merecem e a festa é sua, nossa, de quem vier! E os sinos de minha festa dobram por vocês!
Andem sobre as águas, abram mares, transformem água em vinho! Acreditem, vocês são capazes de milagres! Já o fazem na minha e em outras vidas! Feliz Natal...
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César Oliveira - 16 de Dezembro de 2016 | 15h 33
A longevidade no poder - qualquer poder-, relativiza as virtudes e realça os defeitos. A candidatura de Marcelo Nilo pela sexta vez a Presidência da Assembleia Legislativa da Bahia é uma destas situações. A ausência de renovação, especialmente na política, tende a cristalizar o exercício de sua função e a revelação de novas estratégias e funções administrativas. Ao mesmo tempo, inibe a formação de novos líderes, seculariza o poder do Presidente, e impede que o eleitor e contribuinte tenha a chance de encontrar respostas que lhe sejam mais satisfatórias.
Tornou-se praxe o presidente Marcelo Nilo pedir suplementação de verba ao governo ao final de cada ano, apesar de contar com R$490 milhões- sim, acreditem-, este ano, e já ter um reajuste definido para R$541 milhões no ano de 2017, embora seja dificil entender como uma Assembleia pode gastar tanto, e não se saiba com quantos assessores, Redas, carros e vantagens contam os deputados, pois pesa sobre ela o hábito da limitada transparência.
O fato mostra que Nilo não administra de forma austera, embora seja um especialista em atender os sonhos e os desejos dos colegas, como prova suas eleições.
Reeleições precisam ser objetivamente limitadas, pois, só a alternância de poder é capaz de garantir que o poder seja exercido com mais eficácia e melhores resultados. È uma pena que na Bahia estejamos condenados a ter, apenas, mais do mesmo.
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César Oliveira - 15 de Dezembro de 2016 | 07h 10
O Presidente Michel Temer sabe que o brasileiro anda indignado com a corrupção, pluripartidária, mas levada ao nível endêmico pelo PT, que saqueu o pais e quebrou a Petrobrás, mas parece incapaz de reagir, achando que o a única coisa que importa é tomar medidas para ajustar a economia e tratando a corrupção como um dado menor. Assim, vai engolindo os seus velhos amigos, acusados de corrupção, sem conseguir afastá-los do poder: foi assim com Geddel, e , agora, com Moreira Franco, Padilha e Jucá. Aliás, o "Caju', havia caído da condição de Ministro e Temer o reabilitou colocando-o como líder do governo.
O governo nunca teve aprovação maciça da Sociedade, mas havia um voto de tolerância, por achar que, escaldado, Temer, evitaria esta situação, menos por não compactuar com os atos, já que sempre foi o líder do esfomeado PMDB, mas por inteligência e instinto de sobrevivência, mas não é isto que acontece.
Ao se mostrar incapaz de afastar seus velhos e suspeitissímos amigos, Temer, vai boicotando seu mandato todos os dias, luindo qualquer tipo de concessão que o brasileiro, já tão sequelado da era PT, pudesse conceder.
O Brasil não tolera mais corruptos ao lado do chefe da nação, ainda que sejam os melhores operadores do Congresso. Temer tem de tomar uma decisão: demita ou demita-se Presidente.
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César Oliveira - 12 de Dezembro de 2016 | 19h 15
O vazamento vip e esperado da delação da Odebrecht mostrou que o submundo é pluripartidário e botou pimenta na politica baiana.
A delação atingiu vários partidos e botou a esquerda na roda ao citar Lídice ( com o implacável Feia), Wagner ( Polo), o governador Rui Costa, Aleluia ( Santo), Antonio Brito ( Misericordia), Geddel ( Babel), Lucio ( Bitelo) e tantos outros.
A denúncia que Wagner favoreceu um pagamento de R$260 milhões a Odebrecht é estarrecedor e o detalhamento do dinheiro usado para financiar a campanha do governador Rui Costa coloca em risco o mandato. Esta doação, se confirmada, refaz todo desenho da sucessão baiana, até, porque, o vice, também já foi citado em outra ocasião.
Esta foi apenas a primeira das delações e pela intimidade que a Odebrecht sempre teve com a politica baiana ainda vai ter muito político para rolar por debaixo da ponte.
A política na Bahia começa a ter um novo desenho.