É claro que o péssimo momento que vive o PT - inclusive com o risco de prisão de Lula até a eleição, acentuado agora com o acordo de delação do marqueteiro João Santana -, escassez de recursos e desgaste do governo do estado com o funcionalismo, terceirizados e outros, deve cobrar algum preço a Zé Neto, apesar das boas obras (Noide, Minha Casa Minha Vida, Lagoa Grande, Complexo Policial, Hospital da Criança - o capenga -, duplicação no Contorno, abastecimento de água e esgoto, Orquestra Neojibá) que ele tem para exibir, executadas pelo governo estadual ou federal.
Não ter incorporado lideranças significativas ao longo de todo tempo de oposição, apostando no individualismo, foi um erro que continuará lhe sendo fatal.
Figura de excelente trato e político de bom nome, Jairo Carneiro foi, de certo modo, atirado aos leões. Tardiamente, sem um trabalho contínuo de longo prazo, dependendo de um maciço apoio do estado e pinçado para ajudar Zé Neto sem atrapalhar suas pretensões eleitorais.
Fernando e Jonhatas, indefinidos, a esta altura, devem ter as dificuldades de quem entra no segundo tempo para virar um placar adverso. Dificuldades que já fizeram o pretendente ex-prefeito José Raimundo dizer que desiste de entrar em campo.
Ângelo, que milita continuamente na política feirense e teve boas votações para deputado, conta com o voto da esquerda descontente com Neto, mas tem no geral as mesmas dificuldades dos outros pretendentes sem o suporte de uma poderosa estrutura governamental. É claro que seria preciso muito trabalho, unidos, para chegar ao resultado que desejam. Falta saber quem vai botar o chocalho no gato.
Certamente que há, na cabeça de parcela dos formadores de opinião e dos eleitores mais esclarecidos, a natural pergunta do que Ronaldo vai oferecer de novo como proposta eleitoral, já que sofre críticas pelas intervenções urbanísticas - que mereceram um longo embate jurídico -, transporte público, meio ambiente, manutenção do caótico centro da cidade que não conseguiu resolver apesar das promessas.
Ronaldo, que tem o mérito de ter recuperado a liturgia do cargo, ter dado ordenação administrativa e jurídica, e transformado a prefeitura em boa pagadora, tem bons mandatos anteriores, deve acreditar que a população que compõe a maioria do seu eleitorado confia nele e quer manter a segurança e regularidade de seu governo.
Ao que parece não houve ranger de dentes, nem gente rasgando a parede a unha, após Ronaldo escolher seu vice. A verdade é que, todos, de certo modo até opositores, não estão pensando em 2016. É jogo jogado, acreditam, salvo alguma reviravolta por fatos inesperados. Todos, relativamente jovens, se preparam para o pós Ronaldo, considerando que ele irá vencer, e, que, depois, saia antes do fim do mandato ou não, em 2020, aí sim, com acordo ou sem acordo, vai ter briga de foice no escuro porque ninguém vai querer achar que fulano ou sicrano tem lugar no banquinho preferencial.
Eleição se ganha com estrutura ou onda.
A onda é quando alguém conquista o imaginário popular e nada consegue segurar a eleição. O frango já fez isto por FHC, a esperança por Lula, a saturação do carlismo por Waldir Pires.
A estrutura é a combinação de tempo de TV, partidos, vereadores, lideranças, cargos e verbas.
A onda pode aparecer em um ponto qualquer da campanha, por erros, denúncias, ou outras variáveis. Mas a priori, não parece ser um fenômeno que vá ocorrer nesta eleição. Logo...