Evidente que a volta de Dilma produziria uma destruição sem precedentes, portanto é preciso suportar a leniência com que Temer tem tratado as questões éticas, considerando o papel da economia, as propostas do Ministro da Justiça, expressas em entrevista a revista Isto É, as ações de Serra nas relações Exteriores, a Lei de Responsabilidade das Estatais, que representa um avanço gigante. E pressionar contra o aumento de impostos, violação do ajuste fiscal e falta de corte no custeio.
Rodrigo Maia (DEM) é o novo presidente da Câmara de Deputados e o segundo na linha de sucessão. Chega ao fim a mediocridade abjeta de Maranhão na Presidência e o balcão de extorsão implantado por Eduardo Cunha. É o fim de uma era de gangsterismo explícito. É uma vitória, ainda que se deva a Eduardo Cunha a derrota do PT, pois só alguém de sua estirpe seria capaz de enfrentar a organização partidária.
Lula e o PT apoiaram Marcelo Castro, adversário de Rodrigo Maia, que sequer foi para o segundo turno. É um sinal de que o PT não é mais uma perspectiva de poder.
A grande vitória foi de Michel Temer que se fortalece ainda mais, refaz a base parlamentar e torna a votação do impeachment uma certeza ainda maior.
O resultado, inevitavelmente, tende a aglutinar poder ao redor do interino, permitindo que aprove as medidas que lhe interessam. Há, sem dúvida, um deslocamento do poder em Brasília e o pêndulo, no momento, favorece ao presidente em exercício.
Qualquer eleição na Câmara Federal vem com os votos do pior que há por lá e sendo assim são sempre um risco os compromissos que são assumidos, mas entre a bandidagem geral dos candidatos, Rodrigo Maia, era a melhor opção, no momento, para tentar dar alguma normalidade à Casa, pelos próximos sete meses até a nova eleição, mas será preciso ficar de olho e pressionar para que a cassação de Cunha seja julgada e ele não tente agradar a todos, o que sempre é um prenúncio de caos.
Agora que Ronaldo, líder, favorito, e dono da bola, liberou o baba, vai começar a campanha eleitoral verdadeira em Feira.