Morre, silenciosamente, sob a veloz construção do supermercado uma área da Lagoa do Subaé sem que nenhuma providência tenha sido tomada por nenhum órgão fiscalizador para impedir as obras, ao menos, até um parecer definitivo e não o cínico faz de conta de um parecer pago pelo interessado. O empresário e político que vendeu o terreno já pode dormir sossegado que o negócio não será mais desfeito. A velocidade da construção é seu atestado.
Defendemos, incisivamente, a preservação das lagoas de Feira, pauta que nunca foi prioridade municipal ou estadual. Nesta vertente continuamos esperando a delimitação da lagoa Salgada antes que se torne uma nova Subaé invadida por Atacadões sob o olhar permissivo dos órgãos competentes e pareceres pagos, surrealisticamente, pelo próprio interessado.
Somos, por isso, entusiastas da magnífica obra de recuperação da Lagoa Grande, um marco urbano, que, no entanto, apesar dos valores que já consumiu, anda lentamente na sua parte final.
É preciso manter a mobilização e cobrança permanente para que o Parque não morra, por assim dizer, na praia. As estações elevatórias e o urbanismo final precisam de um calendário verdadeiro de cumprimento de prazos.
Do mesmo modo - não sei se já foi feito - é preciso discutir as regras da ocupação do seu entorno, que perfil de construção e comercial poderão ser alocados ali, para que se torne uma zona de lazer com um projeto urbanístico próprio e não ao acaso e sem lei, como ocorre geralmente. O potencial da área é muito significativo e não pode ser desperdiçado.
A longevidade no poder, 16 anos no caso de Feira, do DEM, tem vantagens e desvantagens. Fica-se com o lucro dos acertos, mas não se tem culpados para terceirizar os erros. É assim na eterna discussão sobre a ocupação do centro da cidade, de forma desordenada, por barracas em que o governo municipal é o principal responsável pela situação a que chegamos.
Agora,um outro incêndio nas proximidades da Sales Barbosa trouxe novamente a discussão para o centro das atenções. A tragédia, que poderia ter sido ainda maior, retrata o potencial destrutivo que a tolerância impôs àquela região.
Eleição após eleição, mandato após mandato, o governo municipal promete uma solução definitiva para o caos comercial e lá se vão quatro mandatos. A última proposta era um Shopping Popular, pago, que atravessou os quatro anos sem sair do papel e, entre disputas jurídicas e adiamentos, segue sem sair do chão. Enquanto isto o comércio informal vai se expandindo e as soluções se defasando.
Em entrevista, o Secretário Borges Junior, disse a Glauco Wanderley, no seu programa na Jovem Pan, que a situação precisa de decisão e enfrentamento. O problema da longevidade é que qualquer comentário sobre algo que não aconteceu torna-se autocrítica, pois faltou ao governo foi exatamente decisão e enfrentamento.
Há a resistência dos camelôs embora lhes falte uma proposta atrativa, o populismo oportunista da Câmara, o “faz de conta que não viu”, do Ministério Público (diante do risco terrível de vida que representa um incêndio naquela rua e o desrespeito a vários Estatutos) e o “empurra com a barriga”, do governo municipal, que preferiu apostar na falta de cobrança incisiva. E para isso conta com certa passividade dos comerciantes e da própria sociedade.
O exemplo de ACM Neto, em Salvador, que melhorou substancialmente o caos que era a Avenida Sete de Setembro e o Largo de São Pedro, é um exemplo de que é possível encontrar soluções com decisão e negociação.
Esperemos que mais este sinal de alerta acelere as ações municipais na busca de resolver a ocupação desordenada, sem esvaziar o centro comercial - embora o período de eleições sugira que nada será feito. E que o pudor impeça nova onda de promessas no programa eleitoral.
Esta Tribuna sempre foi permanente defensora do patrimônio cultural e meio ambiente de Feira e a preservação do Casarão foi pauta permanente no suplemento cultural - Tribuna Cultural - que publicávamos.
Apesar das dúvidas históricas a seu respeito, é, sem dúvida, a marca de um estilo e esteve ligado aos fundadores da cidade. Assim, a notícia de que a prefeitura vai montar ali um Museu do Vaqueiro, após acordo com a família Pedra, é extremamente positiva, pelo seu potencial educativo e de manutenção de uma origem e história que não deve ser renegada. Ponto para José Ronaldo.
Por um projeto de lei que obrigue toda Unidade de Emergência ou Hospital Público, municipal ou estadual, a ser equipado com suporte mínimo de atendimento que inclua: ambu, laringoscópio, aspirador, desfibrilador e respirador básico. Sim, acreditem, não há. Às vezes, nem laringoscópio.