A política brasileira de tanto descer vai luindo as classificações, os adjetivos, ampliando as aberrações. O jogo de chantagem, apoios e ameaças, entre Cunha e o PT foi uma das coisas mais degradantes, imorais e imundas que já vimos na política. Um homem e um partido capazes de tudo. O homem, cínico, doente, enfermo de poder, amoral e sistematicamente corrupto em todas as suas ações. Um partido, refém por seus vícios e incompetência administrativa. No meio, a dilaceração da política e a destruição econômica do país.
Não por vontade de Cunha, que preferia levar o jogo de gato e rato (ou rato e rato) até o fim; nem do PT, apesar de saberem que chantagens não terminam e que a imobilidade iria destruir o partido cada vez mais, mas porque um acordo de condenados é difícil. O PT sabe que ao liberar os votos no Comitê de Ética contra Cunha, este iria retaliar liberando o pedido de processo contra Dilma. O PT vai pro tudo ou nada. Se ganhar, estará livre para reordenar a administração; se perder tentará salvar o discurso do golpe. É o que lhe resta.
O pedido é absolutamente legítimo. O PT apenas prova do mesmo veneno. Basta recordarmos o famoso artigo de Tarso Genro, ou o discurso de Zé Dirceu, pedindo o impeachment de FHC, com três meses de governo, para entendermos que ele é um instrumento constitucional. A memória é algo que sempre deve ser revisitado.
É possível que neste período haja alguma turbulência, mas tenho plena confiança na recuperação econômica do Brasil se forem adotadas as medidas necessárias. Para que isto aconteça é preciso força no Congresso para aprovar as medidas econômicas, recuperar a confiança dos investidores, realizar os investimentos estruturais, adequar a agenda contaminada pelo populismo e retomar o crescimento. Então, seja qual for o resultado do impeachment, se respeitada a lei, resultará em melhorias a médio e longo prazo. O que não é possível mais é esta paralisia administrativa, a barganha permanente, a chantagem como método de governo, o esfacelamento da economia, porque o governo está refém de seus pecados.
A relação do PT com os políticos e parte da elite econômica do país foi o encontro dos ladrões com a vontade de roubar!