Há muitas coisas nos dias atuais com as quais nos indignarmos. Há os atentados em Paris, no Mali. Há o horror de lama e morte em Mariana. Uma, entretanto, não consegue sair do meu pensamento: os bebês com microcefalia, especialmente em Pernambuco.
Não consigo imaginar o tamanho da dor dilacerante destas mães tendo um filho com deficiência, com o custo econômico, emocional, social, que isto impõe às famílias, aos relacionamentos.
São famílias que nunca mais serão as mesmas, nem seguirão a história natural de suas vidas. Já são mais de 700 amputados de suas idealizações, sonhos e atirados fatalmente em uma realidade irreversível. Quando isto acontece por um acaso genético é perfeitamente compreensível e faz parte da ordem natural da vida.
Entretanto, quando acontece por conta de um mosquito controlável, por uma doença evitável (zika), que os governos na sua incompetência e fome de desviar recursos públicos deixam se tornar endêmica, me causa uma ira, uma raiva, uma indignação que me custa controlar e suportar.
Não é mais possível tolerar este Brasil...
Há fatos que se tornam evidências tão claras que chegam a ofuscar as discussões. Um destes é o Hospital Estadual da Criança (HEC), em Feira. Quando Wagner prometeu fazer o hospital da criança não quis dar o braço a torcer de que não sabia do Hospital Municipal (da Criança também). Sempre negou e insistiu na construção.
Fez uma grande obra física. Entretanto, inaugurado em 2010, o HEC ainda não está todo ativado. É um atestado dilacerante de que a prioridade deveria ter sido um Hospital Geral – que já estaria plenamente ocupado. Só depois viria o da criança, para as quais havia alternativas.
Não custa lembrar que crianças ocupam 14% da população e mesmo que consideremos até 18 anos, deve ficar em torno de 30%. Logo, 70% são adultos.
Seguimos sem o hospital geral e, nesta crise, não sei quando o teremos. Com o crescimento da população, crise econômica que tira paciente do convênio, a tendência do HGCA é explodir de superlotação.
A realidade bruta é que a opção feita vitimou centenas de vidas desta região que seguem com um HGCA subdimensionado, inadequado, incompleto e vergonhoso para a segunda cidade do estado da Bahia. Esta disparidade se torna maior quando olhamos o padrão que tem o HEC e o padrão que tem o HGCA. Chega a ser acintoso.
É sempre oportuno imaginar quanto custa um equipamento como o HEC, subutilizado. Em verdade, sua ocupação é incompleta porque não há demanda para tal, algo que só surgirá com o crescimento da população e que fará com que a obra seja de grande valor.
A questão não é sua função, que, um dia, será completa, mas a inversão de prioridades que acabou por penalizar severamente profissionais que trabalham em condições adversas e a população que pena e clama desesperadamente por um hospital geral de verdade.
Pelé, o maior de todos os tempos, escolheu parar no auge. Shummacher, piloto, depois de hepta campeão voltou a competir apenas para ser humilhado. Lula deixou seu segundo governo candidato a se tornar o maior líder politico que este país já teve. A ambição do poder, no entanto, levou-o a exposição e o levará à prisão se houver um mínimo de justiça no país.
Políticos deveriam entender que depois do auge, só vem o ocaso, a rejeição progressiva. Como Dilma. E outros. A persistência garante o poder, mas leva a desmistificação e banalização do líder. Por isso, Pelé, ainda é o rei.
O rompimento da barragem em Minas, sobre as quais já havia alertas, é um atestado da cumplicidade vergonhosa e deprimente entre o poder político e o econômico.
Em Minas, tantos os passados, como o atual. A responsável pela Samarco é a Vale, ex- do Rio Doce, e sua sócia internacional, além do próprio governo através da Banespar.
Em uma das declarações mais medíocres e simbólicas o ex-governador de Minas, Aécio Neves, disse: “Não é hora de apontar culpados pelo desastre”. É sim, senador, hora de procurar os culpados no governo e na empresa e puni-los com a severidade com a que a lama que os envolve matou e atirou a dezenas de quilômetros os corpos de crianças inocentes.
A Câmara aprovou medida que permite a legalização de dinheiro depositado no exterior anistiando o crime de evasão de divisas, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, e, na prática, também, o dinheiro do tráfico, ou exportação de carne enlatada. A medida teve o empenho de Cunha, o dejeto que ocupa a presidência da Câmara. O Brasil causa repulsa. Agora é possível repatriar todo dinheiro roubado pagando 30% e ficar impune. Ladrões, partidos, empresas que fraudaram o sistema público encontraram o caminho do céu. O PSDB salvou uma parte fazendo uma emenda que proíbe políticos de se beneficiarem dela, mas é um grão de areia no processo. O Brasil está podre. Manter Eduardo Cunha na Câmara é podre. O Congresso está podre. Agora, é pressionar para o Senado - de Renan Calheiros, meu Deus! – reprovar. O Brasil caminha para um colapso criminal.