Estatística, nós sabemos, serve a todos com a mesma serventia. Não podemos usá-la, entretanto para ampliar ou reduzir a dimensão de uma situação ou construir um discurso. Um exemplo: existe sim uma maior taxa de crimes violentos contra os negros, como citam os debatedores. A situação é real. É preciso ressaltar, no entanto, que 84% da população da Bahia se auto-declara negra ou parda. Mesmo em articulistas mais centrados esta analise é feita sem o cotejamento dos números e não pode ser assim. É preciso, portanto, pegar os dados e comparar mortes em negros e não negros, contra o perfil da população e, aí sim, obtemos a taxa real por 100 mil e o tamanho real do problema que precisamos enfrentar.
Utilizar os dados de forma bruta é apenas usar a estatística para amplificar o discurso da violência direcionada. Deixo claro que a situação existe e que bastaria um caso a mais para que isto fosse combatido, mas precisamos fazer o discurso no tamanho exato, preciso, e não de forma enviesada.
O poder usa todas as suas forças para tentar afastar de Sérgio Moro a investigação da corrupção no país. As forças contrárias, ameaçadas, jogam todo seu peso em afastar os réus do juiz, já que não foi possível derrubar suas ações jurídicas. E, neste jogo, vai perdendo a nação.
A explosiva operação Zelotes aproximou-se perigosamente de Lula e sua rica família. A juíza que determinou a investigação da empresa de Lulinha foi afastada do caso sem dó nem piedade. Lula, entretanto, vai complicando-se cada vez mais, sendo investigado inclusive, em Portugal, onde o PT teria recebido 50 milhões de euros em propina em Macau, no famoso negócio da telefônica Oi.
A mais demolidora notícia da semana, no entanto, foi reportagem publicada pela Revista Época a partir de dados do COAF - Conselho de Controle de Atividades Financeiras -, que mostrou que Lula, Erenice, Palocci, movimentaram mais de R$ 300 milhões em suas contas.
Estes valores são absolutamente incompatíveis com suas rendas. É um dado bruto, letal, sem partidarismo e que expõe de forma crua e realista os desvios de verbas por estes dirigentes.
O governo municipal, muito acertadamente, fez reunião com os donos de bares e restaurantes para exigir o cumprimento da lei que impede a ocupação das calçadas. É preciso campanha pública sobre esta desocupação em todas as mídias. Ou educa-se o cidadão ou será impossível combater os milhares de desmandos que observamos todos os dias nas ruas. A Tribuna está nesta campanha por calçadas livres e conservadas para os pedestres.